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terça-feira, 6 de outubro de 2026

 

ogodô ano 2000

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grandes horizontes
na escola da ponte não há programas. isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor dos desejos das crianças. imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples: polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. imagine que ele venha à cidade e seja levado por um amigo a um restaurante. «que é que o senhor deseja?», lhe perguntaria o garçom. ele certamente responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório de pratos. aí, o amigo lhe diria: «quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.» assim acontece na relação entre professores e alunos. os professores sabem mais. é por isso que são professores. e uma de suas tarefas é «seduzir» as crianças para coisas que elas ainda não experimentaram. eles lhes apontam coisas que nunca viram e as introduzem num mundo desconhecido de arte, literatura, música, natureza, lugares, história, costumes, ciências, matemática. «a primeira tarefa da educação é ensinar a ver», dizia o filósofo nietzsche. não é obrigatório que elas gostem do que vêem. mas é importante que seus horizontes se alarguem.
rubem alves

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eu já fui rebelde. mas eu aprendi. então, por favor, cresça!»
lula

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1992

o sistema é cruel, injusto e desumano
para que uns poucos se deem bem
a imensa maioria tem que se dar mal
quem vê de fora
não entende como isso se dá
talvez seja difícil de entender
mas é fácil de explicar
junte a ganância de uns
com a ignorância de outros
e misture bem
até crescer
quando a massa estiver
veja bem
com a aparência de uma manada pastando conformada
leve ao forno a uma temperatura tropical e deixe assando por 500 anos
no final
terá um país rico por fora
e pobre por dentro

grill

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eram só três caravelas e valeram mais que um mar quanto aos índios que mataram ah! ninguém pôde contar quando esses homens fizeram o mundo novo e bem maior por onde andavam nossos deuses com seus andes, seu condor?

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(belchior, 1993)

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«no crezca mi niño, no crezca jamás
los grandes al mundo le hacen mucho mal
el hombre ambiciona cada día más
y pierde el camino por querer volar»

facundo cabral

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anos 90

por eduardo galeano
a injustiça, motor de todas as rebeliões que ocorreram na história, não só não diminuiu no século 20, como multiplicou-se até extremos que nos pareceriam incríveis se não estivéssemos adestrados para aceitá-la como costume e obedecê-la como destino. mas o poder não ignora que a injustiça está se tornando cada vez mais injusta e que o perigo está se tornando cada vez mais perigoso.

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e então? vencemos o crime?
já ninguém mais nos oprime
pastores, pais, lei e algoz?
que bom voltar pra família!
viver a vidinha à pilha!
yuppies sabor baunilha
era uma vez todos nós! 

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(elogio da loucura, 1988)

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passaram-se os anos, o século vinte está morrendo. que mundo ele nos deixa? um mundo sem alma, desalmado, que pratica a superstição das máquinas e a idolatria das armas: um mundo ao avesso, com a esquerda à direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés.

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nos anos da guerra fria, cada metade do mundo podia encontrar na outra metade as justificativas de seus crimes e de seus horrores cada um dizia ser melhor, porque a outra era pior. hoje (final dos 90), subitamente órfão do inimigo, o capitalismo celebra sua hegemonia e dela usa e abusa sem limites. mas certos sinais indicam que começa a se assustar de seus próprios atos. descobre, então, a dimensão social da economia, como um exorcismo contra os demônios da ira popular. o capitalismo tinha resolvido chamar-se economia de mercado, mas agora tornou mais abrangene o apelido e viaja aos países pobres com um passaporte onde figura seu novo nome completo: economia social de mercado.
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ôôô ogodô ogodô ogodô, ogodô ogodô ôôô ogodô ogodô ogodô ogodô ogodô ttalac-tac-tac-tac tamborim teleco-teco-teco-teco violão toloc-toc-toc-toc agogô tô-lôc-tô twenty 00, twenty 00 a ciência excitada fará o sinal da cruz e acenderemos fogueiras para apreciar a lâmpada elétrica. the science in her trance will make the sign of cross and we will light bonfires to appreciate the eletric bulb. talac-tac… ogodô…

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(the hips of tradition, 1992)

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o pirulito da ciência

por enilton grill
a  «economia social de mercado» à brasileira é uma obra de arte da conciliação: o mercado fica com o lucro, o social fica com a contaminação, e a ciência fica chupando o pirulito.

a receita é simples e foi votada no congresso nacional. o presidente lula (pt) até tentou colocar um verniz de bom comportamento com 14 vetos à flexibilização dos agrotóxicos. mas no teatro da governabilidade, a bancada ruralista deu o veredito e derrubou tudo. o «rei da soja» passou a coroa para o ministério da agricultura, que agora é quem manda no balanço das substâncias. anvisa e ibama, coitados, foram rebaixados a meros espectadores de bula.

é o «capitalismo humanizado» em sua potência máxima: as exportações batem recordes na faria lima, o plano safra injeta bilhões no latifúndio, e o povo ganha o direito constitucional de consumir, em média, algumas gramas de glifosato por refeição. tudo estritamente regulado pelas forças da oferta e da demanda de oxigênio.

diante do absurdo de ver substâncias cancerígenas proibidas no exterior virarem tempero nacional, os pesquisadores da fiocruz — que ainda insistem na mania de estudar dados — soltaram a pergunta definitiva, aquela que deveria estar em um refrão de tom zé:

«a ciência está errada e o agro está certo?»
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falando em tom zé

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✍️ texto de guto ruocco

(via #repost @tomzeoficial)
tom zé mal começou o show e já estava saudando a saga do reitor edgar santos da universidade federal da bahia que deu ao alemão koellreutter plenos poderes para organizar a renomada escola de música da ufba, que o formou, além de toda uma geração de artistas contemporâneos da melhor música brasileira. depois citou paulo freire e a triste confusão do oprimido que conquista direitos e se torna opressor quando a educação não é transformadora antes de interpretar «esquerda, grana e direita».

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quando um trabalhador cresce na sociedade
e tem oportunidade de ser protagonista da história
ele pratica o método do opressor
porque foi o único método que aprendeu
então ele só sabe agir como o opressor

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(vira lata na via láctea, 2014)

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depois, emendou seus clássicos, alguns urrados por uma plateia ávida de canção inteligente e coragem artística. terminou o show saculejando o decadente teatro municipal «caindo aos pedaços» de mococa para forrozear ao som de xique-xique e com a plateia hipnotizada pelo amor e pela generosidade de tom zé. o artista de irará mostrou aos 82 anos que continua com vitalidade do menino tropicalista que mantém a sua mensagem política-libertária nos cascos. obrigado, te amo.

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 eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
pássaro preto voando pra muito longe
e a cabra cega enxergando a escuridão

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(com defeito de fabricação, 1998)

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#lula2026

segunda-feira, 5 de outubro de 2026


como nossos pais

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os filhos
pena
herdaram dos pais
o extintor de incêndio
e o medo do poema

grill

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«os jovens de todas as épocas e de todos os países sempre se entusiasmaram com as grandes idéias de transformação, eram revolucionários, mas se mantinham dentro do famoso esquema "todos nascemos incendiários e morremos bombeiros".»
umberto eco

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ocaso

o caso
se o caso é chorar
choremos com tom zé
(no jardim da política)

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rádio brasil de fato
1 de setembro de 2018
brasil de fato: como surgiu a ideia de fazer o álbum «no jardim da política», em 1984?

tom zé: foi um momento em que os militares tinham compreendido que era necessário sair do poder, porque o exército sempre teve um cuidado com a sua decência moral. eles perceberam que a corrupção estava em toda parte, roendo as expectativas e o próprio exército. «no jardim da política» surge nesse período. a música «classe operária» é um banho, um «reductio ad absurdum» (do latim, redução ao absurdo). vou dizer algo tão absurdo que você vai perceber que estou falando ao contrário. «sobe no palco o cantor engajado tom zé, que vai falar dos operários, tratar dos operários, mas não há nenhum operário no palco. mas tom zé e seus amigos sabem o que é bom para os operários». qualquer pessoa de raciocínio médio vai dizer «como esse cara é louco, como a gente é metido besta, pensando que vai resolver o problema dos operários sem consultá-lo». pois teve amigo meu engajado politicamente que virou a cara pra mim. e no jardim da política tem «marcha partido», «dólar» e «vá tomar»: «meta sua grandeza no banco da esquina/ vá tomar no verbo seu filho da letra/ meta sua moral, regras e regulamentos, escritórios e gravatas, sua sessão solene/ pegue junte tudo, passe vaselina, enfie só que meta, no tanque de gasolina». isso é fazer política ou não é? era o que nós podíamos falar porque a censura havia afrouxado um pouco.

brasil de fato: ainda que sem intencionalidade, esse álbum reflete o posicionamento esperado pelo público de um artista sobre determinado momento político?

tom zé: eu fiz várias canções sobre o cenário que se tinha durante a ditadura. tem aquela que diz assim: «todo compositor brasileiro é um complexado, porque então essa mania de falar tão sério, de sorrir tão sério, de trepar tão sério! ah, meu deus, vá ser sério assim no inferno». essa música está no álbum «todos os olhos», de 1973. me inspirei no general ernesto geisel e na fala dele sobre termos uma «democracia relativa», além de falar sobre a liberdade que buscávamos. «a liberdade é uma graça, todo dia se decifra, todo dia se disfarça…» era uma informação comprimida, uma bomba comprimida.

brasil de fato: sobre a atualidade, como você tem visto o cenário político do brasil?

tom zé: o brasil é comandado por grupos que têm interesses particulares. é por isso que não se pode eleger ninguém que está na câmara dos deputados ou no senado. temos que eleger outras pessoas e tentar algo diferente. nós estamos com o país atravancado por interesses pessoais, então é preciso eleger um governo completamente novo. temos um presidente da república que, para se manter no poder, distribuiu uma fortuna a deputados para não ser processado. hoje estou com 81 anos, mas um dia tive 17, e tive que procurar esperança na música, no livro, na escola. os meninos de hoje podem procurar esperança em algum lugar?
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e diante desta contradição ideológica
te ofereço a rosa comemorativa
desta tua democracia relativa.

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se continuarem assim,
todos os operários vão ser demitidos,
talvez até presos,
porque ficam atrapalhando
tom zé e o seu público, que estão cuidando
do paraíso da classe operária.

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(tom zé, 1984)

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«música de protesto é um método jesuítico, como o que (o educador) paulo freire chama de "hospedar o opressor". eu faço "classe operária" como se fosse o opressor hospedado no cantor»
tom zé

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falando em paulo freire

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✍️ texto de guto ruocco
(via #repost @tomzeoficial)
tom zé mal começou o show e já estava saudando a saga do reitor edgar santos da universidade federal da bahia que deu ao alemão koellreutter plenos poderes para organizar a renomada escola de música da ufba, que o formou, além de toda uma geração de artistas contemporâneos da melhor música brasileira. depois citou paulo freire e a triste confusão do oprimido que conquista direitos e se torna opressor quando a educação não é transformadora antes de interpretar «esquerda, grana e direita».

depois, emendou seus clássicos, alguns urrados por uma plateia ávida de canção inteligente e coragem artística. terminou o show saculejando o decadente teatro municipal «caindo aos pedaços» de mococa para forrozear ao som de xique-xique e com a plateia hipnotizada pelo amor e pela generosidade de tom zé. o artista de irará mostrou aos 82 anos que continua com vitalidade do menino tropicalista que mantém a sua mensagem política-libertária nos cascos. obrigado, te amo.
#reposttomzé
#repostgutoruocco

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de volta ao ocaso

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se o caso é chorar
te faço chorar
se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor.

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tom zé, 1972

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#alutacontinua
#nãopassarão
#venceremos

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#lula2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026


domingo no parque

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«são muito poucos os que ainda querem ser rebeldes»

celso borges

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lula ontem no flow sobre a juventude:
«eu tenho 5 filhos. eu sei que a juventude é muito rebelde. tem o cara com 16 anos, 17 anos... não acredita em nada, xinga todo mundo, todo mundo é ladrão, ninguém presta. é por isso que o bolsonaro cresceu. porque a ignorância leva a gente à fazer coisas erradas. o país não tem saída se a gente não investir em educação, e não tem saída se você não acreditar nisso. eu já fui você ontem, eu já fui rebelde.» 
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clique no link abaixo
para ver e ouvir trecho na íntegra

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(pt do piauí 13)

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segundo entendi
para lula
que tem cinco filhos
que diz já ter sido rebelde
que traz como exemplo de rebelde
jovens que não acreditam em nada
que xingam todo mundo
que chamam todo mundo de ladrão
ser rebelde é ser ignorante

pra mim
tá tudo explicado
não precisava dizer mais nada

mas vou dizer
como um rebelde que sempre gostou de ler, estudar, debater e conversar sobre política, o atual momento me deixa particularmente mais rebelde. não há nada nem ninguém que se salve. é só estupidez como arma e ignorância como orgulho. eu continuo na luta, esperneando não sei por quê. o rebelde que lula diz ter sido devo ser eu.
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sobre a ignorância
a ignorância se refere à falta de conhecimento. a palavra ignorante descreve o estado de consciência de quem desconhece fatos importantes — ou de quem, deliberadamente, os ignora ou desconsidera.

a ignorância manifesta-se em três tipos: factual (ausência de conhecimento de algum fato), objetual (desconhecimento de algum objeto) e técnica (ausência do conhecimento de como fazer alguma coisa).

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três exemplos 

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golpe
no 8 de janeiro, diante do caos em brasília, lula esteve prestes a aceitar a sugestão de decretar a garantia da lei e da ordem (glo), cedendo a uma medida que entregaria a segurança federal ao comando militar — exatamente o objetivo dos golpistas.

o erro só foi evitado pela intervenção direta e enfática da primeira-dama, janja. com preparatório técnico na escola superior de guerra e participação nas equipes de transição, ela alertou imediatamente: «glo não, glo é golpe». a análise fundamentada de janja sobre segurança nacional foi decisiva para que lula recuasse, rejeitasse a tutela militar e optasse pela intervenção civil no distrito federal.
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bets
no flow podcast, igor perguntou por que lula tomou a decisão de restringir as bets faltando poucos dias para as eleições. lula respondeu que não tinha noção da gravidade do problema e que, ao conversar com as pessoas, percebeu que era urgente agir.
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feminicídio
no mesmo podcast, lula agradeceu publicamente à primeira-dama por alertá-lo com insistência sobre a gravidade da violência contra a mulher no país. ele afirmou que, se não fosse pelo aviso dela, poderia ter se limitado a emitir apenas uma nota de solidariedade institucional em vez de articular ações governamentais concretas.
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antes do fim eu queria deixar um recado para o presidente lula

meu caro presidente lula

apesar dos pesares eu espero que a maioria do povo brasileiro faça como eu e vote em você

porque ao contrário de você eu continuo rebelde

um rebelde que não precisa que ninguém lhe diga que ninguém lhe lembre que ninguém lhe alerte de que o que está em jogo nestas eleições é o pouco que ainda nos resta de democracia e soberania

e de que mesmo que você ganhe — tomara que ganhe — se depender de você do congresso e do povo brasileiro (que você, em anos de governo, só fez despolitizar) não sei quanto tempo essa democracia ainda vai durar

e para ela durar não esqueçamos de votar

ponto
nova linha

tava assistindo ontem o flow
quando no final
lula faz essa declaração
«o político honesto que você quer, está dentro de você, cara. ao invés de você ficar protestando, entra na política. seja candidato a alguma coisa. participe de um partido político. participe da comunidade do seu bairro. não fique paralisado, não fique achando que ninguém presta. SEJA EU AMANHÃ. PORQUE EU JÁ FUI VOCÊ ONTEM.»

nesse momento
não pude não lembrar de deogar
«o velho» era um homem honesto
dos mais honestos que conheci
era um homem de partido
seu partido era o pt
«o velho» era um animal político
se candidatou a vereador
se elegeu
foi um excelente vereador
mas
por alguma razão
disse não à reeleição

segundo li por aí
o jornalista e radialista deogar soares decidiu não concorrer à reeleição para o cargo de vereador em pelotas (pleito de 2000, após o mandato conquistado em 1996) devido a uma profunda desilusão com o ambiente político. 
deogar, conhecido por sua atuação marcante na comunicação local e em programas tradicionais como o treze horas, entrou para a política institucional com um forte idealismo romântico e transformador. no entanto, conforme recordam amigos próximos e cronistas da política pelotense, ele se deparou com as barreiras e a rigidez do sistema político tradicional. 
essa experiência gerou o que seus pares descreveram como uma frustração, o que o levou a cumprir apenas um único mandato e a se afastar voluntariamente das urnas para retornar integralmente à crônica e ao jornalismo.
«o velho»
pra mim
era um mestre
«uma grande figura humana que foi também um dos maiores e melhores comunicadores que pelotas gerou. além de jornalista e radialista, deogar foi também um talentoso fotógrafo. as fotos, em preto e branco, traduziam seu mundo, de poética e rara inspiração. "o velho" – como era chamado entre amigos marcou com o seu programa na rádio alfa-fm "vôo livre". em pequenas crônicas, lidas por ele mesmo, cuja voz era sonora e bem timbrada, deogar a todos emocionava com sua verdade, ironia e transcendência. seus textos eram carnações nervosas e poéticas, traduzindo o seu e o nosso cotidiano. no fim da vida, o velho tinha no olhar emanações tristes, talvez por ter tido o impulso de mudar coisas que são imutáveis, e ele soube disso tardiamente.»
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domingo no parque

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5055 deputado federal: jurandir silva
50999 deputada estadual: fernanda miranda
500 senadora: manuela d'ávila
131 senador: paulo pimenta
12: governadora: juliana brizola
13 presidente: lula

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foto 1: deogar
nauro júnior

foto 2: enilton
vivi valente

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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas

segunda-feira, 31 de agosto de 2026


jogos de armar

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«enilton, enilton, aquele que anda nu pelo mundo, nu de roupas e até de pele.. anda pelo mundo em carne viva... esse teu andar pela vida em carne viva... dói na carne de quem te segurou no colo ao nascer, pois... não é literatura, é vida mesmo... »

maria elizabeth gastal fassa

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«a mãe falou: meu filho você vai ser poeta!
você vai carregar água na peneira a vida toda.
você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!»

manoel de barros

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boi, boi, boi cara de louça
pega o toim zé que ele tem medo de moça
boi, boi, boi cara de lua
toim zé ainda chora
quando vê moça nua

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spotify (letra na descrição)

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gênio

tem quem diga que é
e tem quem seja
eu não sou
nem digo que sou
quem diz que é
que seja
o que não é o caso de tom zé
tom zé diz que não é
mas é

e chico?

não fode
chico é chico
chico é pra quem pode

grill

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tom zé, o gênio de irará
[vira lata da via láctea]

— de onde veio essa ideia de vira-lata da via láctea?
tom zé - começou com caetano me pedindo uma letra. tive a ideia de falar sobre o planeta terra ainda bem jovem, quando tudo começou mesmo, e existia uma promessa de que um dia haveria vida aqui. o ser humano, nesse tempo, era uma coisa impensável. escrevi a letra como se fosse essa criatura. e depois, como não poderia deixar de ser, eu sorri de mim mesmo. eu virei o vira-lata no meio de todos esses artistas. quem não ri está perdido.
— por que vira-lata?
tom zé - posso dizer que gil e caetano são gênios porque convivi com eles de perto. eu, na verdade, sou um trabalhador contumaz, sou obsessivo, não tenho nenhuma das capacidades que eles têm. para tirar meia-dúzia de palavras e compassos eu trabalho 14 horas por dia, não tenho aquela compreensão instantânea. eu não sou um gênio. reivindico o direito de informar que não sou um gênio. e não é humildade. para viver de música no brasil, é preciso ser muito pretensioso. ave-maria, com chico buarque, roberto carlos, erasmo carlos… não vou lembrar de um terço desses que assombram a gente. vi paul mccartney, que fez shows no brasil em novembro. você viu o paul? nunca tinha visto um artista tão grande.quelas moças que a câmera mostrava, elas estavam chorando. e eu também estava chorando aqui em casa. não é possível ver uma criatura daquelas e não chorar. é de outro mundo. ele vem com uma simplicidade, cantando coisas inacreditáveis…



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é elevando sinhá inácia
melânia, pedro piroca
que irará chegará lá lá
irará, irá lá, irá lá

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spotify (letra na descrição)

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aí ai
meu bem
tire a calcinha,
aí ai
galope meu laptop,
hum hum,
me clone
aí no seu smartphone
me bote on line não me largue
ipad, ipad, ipod, aípode.
vem depressa, porque
meu bem, meu bem, meu bem,
daqui a alguns anos
vamos ter de governar – ah, ah!
daqui a alguns anos
vamos ter de governar – ah, ah!
daqui a alguns anos,
infelizmente governar.
oh, e os nossos ideais, ai, quem diria
no mesmo camburão da burguesia.
uma renca de parentes atender
nos ritos e delitos do poder
PUTA, QUE TRAGÉDIA!
desaba sobre nós,
logo depois que a ilusão tem voz.
oh oh yes!
wireless
um et
dentro do hd,
mas, além disso,
o ambiente é compromisso
porque já somos o pós-humano
e o novo antropomórfico bando ô
vem depressa, porque
meu bem, meu bem, meu bem...

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[do álbum: vira lata na via láctea]
*grifo do autor

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vem depressa, querido... trabalhando bem cedo, fones no ouvido, tom zé a todo volume, quando escuto ao fundo a voz da vivi. — vem depressa, querido, acho que os vizinhos estão brigando. a briga era feia. não deu dois minutos e a vizinha bateu na porta. abrimos e ela entrou correndo. o homem ficou na rua, alterado. fechei a cara, abri a porta: — o que foi? ele baixou a cabeça e foi saindo de fininho. entrei e vi a mulher contando pra vivi. hematomas nos braços, no pescoço, o olho roxo. apavorada. vivi e eu nos olhamos: polícia, boletim de ocorrência, maria da penha. a vizinha concordou com a cabeça. naquela manhã, vi um homem algemado ser levado no camburão. grill

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de volta a tom zé

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5 grandes músicas sobre mulheres

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[arte 1]

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aproveitando que tom zé lembrou «mulheres de atenas»...

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«o que quer a mulher?» (was will das weib?) - a pergunta irrespondida que se fez freud, em carta a maria bonaparte, ressoa singularmente na alta poesia de chico buarque. não que se pretenda que a resposta tenha sido dada, pois, como já cantou caetano veloso, «ninguém sabe mesmo o que quer uma mulher».

mas as canções de chico, como as de poucos na música popular brasileira, tematizam a mulher e seu desejo.

adélia bezerra de meneses | figuras do feminino na canção de chico buarque, p. 15.

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«às vezes coloco a mulher numa posição submissa, justamente para denunciar, embora algumas feministas não gostem. vejo o movimento de minorias importante, mas dentro de um contexto geral. não acredito, entretanto, que a liberação da mulher sozinha, independente de todo o resto, resolva alguma coisa. é preciso estar aliada a um movimento geral de libertação do ser humano.»

chico buarque

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mirem-se no exemplo daquelas mulheres de atenas
geram pros seus maridos os novos filhos de atenas
elas não têm gosto ou vontade
nem defeito nem qualidade
têm medo apenas
não têm sonhos, só têm presságios
o seu homem, mares, naufrágios
lindas sirenas
morenas

com depoimento de chico
do dvd à flor da pele

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o beijo

anonio pujía escolheu, ao acaso, um dos blocos de mármore de carrara que vinha comprando ao longo dos anos.

era uma lápide. viera de alguma tumba, sabe-se lá de onde; ele não tinha a menor ideia de como tinha ido parar em seu ateliê.

antonio deitou a lápide sobre uma base de apoio, e começou a trabalhar. tinha alguma ideia do que queria esculpir, ou talvez nenhuma. começou por apagar a inscrição: o nome de um homem, o ano do nascimento, o ano do fim.

depois o cinzel penetrou no mármore. e antonio encontrou uma surpresa, que estava esperando por ele pedra adentro. o veio tinha a forma de duas caras que se juntavam, algo assim como dois perfis unidos frente a frente, o nariz grudado no nariz, a boca grudada na boca.

o escultor obedeceu à pedra. e foi escavando, suavemente, até que cobrou relevo aquele encontro que a pedra continha. no dia seguinte, deu o trabalho por concluído. e então, quando levantou a escultura, viu o que não havia visto antes. ao dorso, havia outra inscrição: o nome de uma mulher, o ano do nascimento, o ano do fim.

eduardo galeano | bocas do tempo, p. 29.

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o beijo que eu não dei
o verso – azul – a cor
com quem eu vou pra lá?
espero abril – e tu
me dê – me dando – ri
morango - eu gosto – vem
saudade de quem for
de quem eu vou gostar
a magia sempre cria
luzes, luzes lá
o jeito dá um jeito
cruzes, cruzes lá
vejo um nada – feito nada
vejo – VEJO lá
( sempre vejo lá)
a morte vive aqui
o medo dela é meu
a mão - armada voz
angustia – é o não fazer

👇

do álbum: juntos (1981)
*grifo do autor


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demanda de amor, busca de felicidade, elã de reintegrar uma completude para sempre perdida, necessidade de comunhão, ânsia insofrida por um objeto não nomeado. falando de desejo, diz octavio paz:

«más allá de ti, más allá de mí, por el cuerpo, en el cuerpo, más allá del cuerpo, queremos ver algo. no sabemos a ciencia cierta, lo que es, excepto que es algo más. más que la historia, más que el sexo, más que la vida, más que la muerte.» (além de você, além de mim, pelo corpo, no corpo, além do corpo, queremos ver algo. não sabemos ao certo o que é, exceto que é algo mais. mais do que a história, mais do que o sexo, mais do que a vida, mais do que a morte.»)

não só à mulher, também ao homem caberia a pergunta que se coloca freud. ela há de ser reformulada: «o que querem a mulher e o homem?»

adélia bezerra de meneses | figuras do feminino na canção de chico buarque, p. 159.

♦

o que será que será
que todos os avisos não vão evitar
porque todos os risos vão desafiar
porque todos os sinos irão repicar
porque todos os hinos irão consagrar
e todos os meninos vão desembestar
e todos os destinos irão se encontrar
e mesmo o padre eterno que nunca foi lá
olhando aquele inferno, vai abençoar
o que não tem governo, nem nunca terá
o que não tem vergonha nem nunca terá
o que não tem juízo

👇

do álbum: meus caros amigos (1976)
spotify (letra na descrição)

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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas

segunda-feira, 17 de agosto de 2026


 fantasia leiga para um rio seco 
[sobre amores e outras utopias]

••••••••••••••

«devemos fazer de nosso medo 
um ídolo e chamá-lo de deus?»

ingmar bergman 

••••••••••••••

falando em deus
lembrei de elomar 
como dizia vinicius
«a mim me parece um disparate
que em seu nome exista mar»
pois elomar é feito de terra
quem quiser compreendê-lo
elomar é uma espécie rara
vinda de outras eras
uma sábia mistura de bode com rainha da inglaterra
cavaleiro andante
trovador errante
elomar é uma quimera
se victor hugo fosse vivo
diria que é como se elomar fosse assim uma espécie de dante
elomar é gigante
e a mim me parece um disparate
que alguém ainda se espante
com o que o poeta diz
elomar é um profeta
um vate
sua poesia
tem a cor vermelha viva e rutilante
pendendo para a cor laranja
que é a cor do céu escarlate

grill

••••••••••••••

«e, por cima de sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo.»

a bíblia sagrada. apocalipse, 10, 1.

••••••••••••••

são sete mil léguas
imendada de camin
prêsse mundão largo
sem portêra vem o fim
só vejo na terra a morte a rondá
peste mil infermidades
fome e guerra ai de mim
mil ventos da morte
estroncios letais
sete vacas magras
tragam as gordas nos currais
pelos sete cravos
das chagas do siô
lastimos meus êrros
de grande pecadô
geme a terra ao rebentá das covas
branca e lira
mia noiva é a lua nova
ao sol peço clemença
qui esse chão quêma meus pé
quatro cavaleiros
de olhares crueis
prontos pra peleja
já cavalgam seus corceis
de olhos para os ceus
só ispero cristo vim
eis qui chegam os maus
tempos do grande fim
treme a terra pela última veiz
ais lamentos
é vindo o rei dos reis
sol nunca seca meu pranto
qui é preu refrescá meus péis

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corban | cartas catingueiras |1983
[de «o mendigo e o cantador» – 7º canto]
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notas:

1.c’a foice armada /do anjo da morte: a palavra foice (lat. falce) denomina instrumento curso para ceifar, segar. no sentido figurado, é símbolo do tempo. seguido da expressão anjo da morte, faz uma remissão ao apocalipse ( novo testamento ), livro das revelações divinas feitas a joão evangelista (séguier, 1964: s.v.). ali estaria traçado o destino dos homens e do mundo .

2. a fome a peste a morte e a dô: alusão aos quatro cavaleiros do apocalipse : a guerra, a fome, a peste e a morte.

3. o rei da guerra / o rei da glora: expressões que designam o senhor deus todo-poderoso.

4. muitos mili anjo in grande preparação / nos alto céus / vêm vino sobre essa terra / pra julgá os homes maus / qui ofendêro a deus: trecho que alude ao capítulo d’os anjos e os sete trovões.

5. oço o toco dos rubin trombetêro / atraiz dos véus: rubin é uma forma aferesada de querubim que, na hierarquia celeste (pseo, 206-207), pertence à ordem superior dos anjos e sentam-se imediatamente abaixo dos serafins.

seguindo a temática bíblica, o poeta alude então ao episódio da abertura do sétimo selo. os sete anjos e as sete trombetas. «vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e, por cima de sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo.» (a bíblia sagrada. apocalipse, 10, 1)

a expressão «atraiz dos véus» evoca «vestido em uma nuvem» que aparece no versículo transcrito em diálogo com o item anterior.

*é interessante observar que o contato com a religião e suas práticas é a única forma de aquisição do padrão formal da língua, uma vez que o homem caipira dificilmente tem acesso à escola. por isso, as formas mais distanciadas da fala regional são aquelas que representam a fala da igreja, adquirida nas missas e cultos.

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corban

trata-se literalmente do apocalipse, em que sob o texto bíblico a morte penetra na vida do sertão estendendo-se a todo o resto do planeta (cartas catingueiras, 1983). em hebraico korban, o culto sacrificial o período bíblico, que envolvia oferendas. aqui esta oferenda se faz diferente: como em outros textos de elomar, a obsessão da travessia, da vida como caminho, o percurso perigoso. aqui se oferece o apocalipse, sob o texto bíblico, a morte faz o seu caminho no sertão.

(ferreira, 2001: 170)

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o sétimo selo
 
a partida de xadrez com a morte
o vício de viver no limite 
e sobreviver a si mesmo
o silêncio de deus
o ceticismo devoto
a falta de respostas 
o refúgio na paixão 
e na arte
a dança da morte
a atmosfera boêmia 
a noite escura 
o baile de máscaras 

grill

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o xadrez de bergman

a foice e a ampulheta...(da morte
que espreita atrás de cada esquina)
são punhais ceifando a vida. um corte
e o caminho – breve ato! – se termina

se um cavaleiro, rei, peão?... o porte
pouco importa! pois de todos é a sina
bergman frente a deus, a finda sorte
será humana ou, afinal, será divina?

dois contendores e, entre ambos, o xadrez
a morte joga: tem o tempo em sua mão
depois o homem. chegou, enfim, a sua vez!

movendo a peça, dissimula a emoção...
o que virá agora que a sua chama se desfez? 
existe um deus? ou tudo... tudo... foi em vão? 

martim césar 

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palavras ao léu
[de quando o bardo cruzou com o menestrel]

ó céu
ó céu
onde há fumaça
há fogaréu

ó céu
ó céu
a estrada é infinita
o horizonte é um véu

ó céu
ó céu
cego de tudo e de todos
eu vi remundo batendo nas porta do céu

grill

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naquela hora na porta do rancho
ela tamém viu a lua pur trais dos garrancho e no céu
pertô o caçulo contra o peito seu
o coração deu um pulo os peito istremeceu
soltô um gemido fundo as vista iscureceu
valei-me sinhô deus meu apois eu vi remundo
nas porta do céu, ai sôdade

[do álbum: na quadrada das águas perdidas]

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mãe, guarde minhas armas
minha camisa e meu chapéu
aquela enorme nuvem negra está descendo
acho que estou batendo na porta do céu

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knochin' on heaven's door | bob dylan | 1973
[from the hard to handle concert film.
bob dylan, backed by tom petty and the heartbreakers during their australian tour in 1986.]

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coplas do fim do mundo

ó mundo
ó mundo
quem teme o raso
jamais chegará ao fundo.

ó mundo
ó mundo
quanto mais eu cavo
mais o buraco fica fundo.

ó mundo
ó mundo
se as pessoas não compreendem o que é óbvio
o que dirá o que é profundo.

grill

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«só os míopes desprezam a utopia»

boaventura de sousa santos

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gracias, mestre
pensei que estava ficando cego.

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«sinta mais, pense menos»

bukowski

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amou daquela vez como se fosse a última
beijou sua mulher como se fosse a última
e cada filho seu como se fosse o único
e atravessou a rua com seu passo tímido
subiu a construção como se fosse máquina
ergueu no patamar quatro paredes sólidas
tijolo com tijolo num desenho mágico
seus olhos embotados de cimento e lágrima
sentou pra descansar como se fosse sábado
comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
dançou e gargalhou como se ouvisse música
e tropeçou no céu como se fosse um bêbado
e flutuou no ar como se fosse um pássaro
e se acabou no chão feito um pacote flácido
agonizou no meio do passeio público
morreu na contramão atrapalhando o tráfego

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[vídeo oficial]

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xadrez 

o vento 
no ar
o fio
esticado 
o lance
no vazio
a queda
do céu
o chão 
de giz
o beijo 
no asfalto 

grill

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eu desço dessa solidão
espalho coisas
sobre um chão de giz

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[clipe oficial]

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cinema 

a cortina 
que abre
a carta
que não veio
o chão
que abriu
o beijo
que não dei 

grill

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fue en ese cine, ¿te acuerdas?
en una mañana al este del edén
james dean tiraba piedras
a una casablanca, entonces, te besé

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[do álbum: auterretratos] 

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the end

o beijo 
no chão
a alma 
no ar 
o giz 
que não veio 
o amor 
que não dei 
e não vai ter 
happy  
no fim 

grill

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você fala que sim
que me compreende
você fala que não

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#salacheguevara 
#casadosaedos
#américas