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quarta-feira, 27 de junho de 2012


A POESIA AINDA CAI DO CÉU


De Lawrence Ferlighetti

Por Reuben da Cunha Rocha
poeta, ensaísta e tradutor

Contracapa da quarta edição da revista Pitomba


Poetas, saiam dos seus armários/ Abram suas janelas, abram suas portas/ Vocês já hibernaram tempo demais em seus mundinhos fechados./ As árvores ainda estão caindo/ e não iremos mais à floresta./ Não é hora de ficar ali sentado/ enquanto o homem incendeia a sua própria casa para assar um porco/ Nada de cantar Hare Krishna enquanto Roma pega fogo./ São Luís está em chamas/ A Moscou de Maiakovski queima/ o combustível-fóssil da vida./ A Noite & o Cavalo se aproximam/ para comer luz, calor & força/ e as nuvens estão de calças./ Não é hora para o artista se esconder/ no alto, além, atrás das cortinas/ apático, aparando as unhas/ refinando-se para fora da existência./ Não é hora para joguinhos literários/ Nós vimos as melhores mentes de nossa geração/ destruídas pelo tédio em recitais de poesia./ Palavras secretas & cânticos não dão mais em nada./ Chegou a hora de arder/ de arder & gozar/ sobre o fim vindouro da civilização industrial/ que é ruim para a terra & o Homem./ Vocês visionários de apartamento/ e agitpropagandistas de guarda-roupas/ Vocês aí poetas groucho-marxistas/ e Camaradas da Classe Ociosa/ que coçam o saco o dia todo/ e discutem o proletariado da classe operária/ Vocês aí anarquistas católicos da poesia/ Vocês professores de poesia cabeludos/ Vocês aí resenhistas da poesia/ bebendo o sangue do poeta/ Vocês aí da Polícia Poética – / A poesia ainda cai do céu/ em nossas ruas ainda abertas./ As barricadas ainda não estão armadas/ Levantem-se e cantem ao ar aberto/

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



revista pitomba
nº 3
dezembro de 2011


do editorial

depois da tempestade, a tempestade




da página central

o que a gente não pode explodirá
                                 gilberto gil




da contra-capa

/Além do mais, somos criminosos. Ali, fora da lei, dizemos a verdade.// Não estamos pondo as coisas em ordem (isso é função das empresas): estamos apenas facilitando processos para que qualquer coisa possa acontecer.// Fazendo o que não sabemos fazer. Sem técnica.// Inútil cantar canções de ninar para quem não consegue dormir.// Fazemos o que fazemos por pura contradição.// Se não há esperança, não há com o que se preocupar.// O que temos não seria pior se chamado por outro nome. Veblen o chamou de sistema do preço, Mills o chamou de elite do poder. Provavelmente não passam de umas noventa e nove pessoas envolvidas com o mercado financeiro. Curiosa forma de jogatina.// Nós insistimos no uso contínuo das faculdades estéticas.// Não aprendemos nada com o que já sabemos.// O que já fizemos conspira contra o que ainda é preciso fazer.// Plataforma presidencial: prometo, sendo eleito ou não, continuar meu trabalho sem me preocupar com você; acabar com as leis; oferecer crédito ilimitado à sociedade inteira independentemente de nacionalidade.// Observando as diferenças, lado a lado com os derrotados, aprendendo com o oprimido a viver fora da lei sem cometer crimes. Escravizar-se a todas as coisas. (Não há por que se tornar Rei)// Às vezes nós borramos a distinção entre arte e vida; às vezes tentamos esclarecê-la. Não nos apoiamos numa perna só. Apoiamo-nos em ambas.// Estamos dando os primeiros passos. Em breve conseguiremos andar.// Não temos ídolos: nós acreditamos no que fazemos./
do diário de john cage
tradução e montagem
reuben da cunha rocha