as veias abertas da mão de deus
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a mão de deus
canção de rodrigo ‧ 2000
em um bairro pobre nasceu, foi vontade de deus
crescer e superar as dificuldades da vida humilde
enfrentar as adversidades
com o desejo de conquistar a vida a cada passo
em um campo (de várzea), ele forjou uma canhota imortal
com experiência e uma ambição insaciável de chegar lá
quando era criança, sonhava em jogar uma copa do mundo
e se consagrar na série a
talvez jogando ele pudesse
ajudar sua família
¡grande, diego!
¡ahí va!
para ser o maior do mundo, ahí
en una villa nació, fue deseo de Dios
crecer y sobrevivir a la humilde expresión
enfrentar la adversidad
con afán de ganarse a cada paso la vida
en un potrero forjó una zurda inmortal
con experiencia, sedienta ambición de llegar
de cebollita soñaba jugar un mundial
y consagrarse en primera
tal vez jugando pudiera
a su familia ayudar
a poco que debutó
«¡maradó, maradó!»
la 12 fue quien coreó
«¡maradó, maradó!»
su sueño tenía una estrella
llena de gol y gambetas
logo que estreou
«maradó, maradó!»
a 12 foi quem gritou
«maradó, maradó!»
seu sonho tinha uma estrela
cheia de gols e dribles
e todo o povo cantou
«maradó, maradó!»
nasceu a mão de deus
«maradó, maradó!»
ele trouxe alegria ao povo
regou de glória este solo
¡ahí va!
¡cuarteto, ay!
¡eso!, para el número uno del mundo
carrega uma cruz nos ombros por ser o melhor
por nunca se vender, enfrentou o poder
curiosa fraqueza: se jesus tropeçou
por que ele não haveria de tropeçar?
a fama lhe apresentou uma «branca mulher»
de sabor misterioso e prazer proibido
que o tornou viciado no desejo de usá-la novamente
envolvendo sua vida
e é uma partida que, um dia,
diego está prestes a vencer
¡olé, olé, olé, olé
diego, diego!
¡olé, olé, olé, olé
diego, diego!
¡olé, olé, olé, olé
diego, diego!
¡olé, olé, olé, olé
diego, diego!
¡te quiero, diego!
¡ahí va!
la mano de dios, ¡ahí va!
gracias
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poema para diego
não estás fisicamente aqui
mas continuas presente em cada lembrança
estás em cada pibe que veste a 10
em cada pai
que conta ao filho
quem foste
e em cada campo
onde ainda
cantam teu sobrenome
és o gol contra os ingleses
és a «mão de deus»
e o capitão
que fez chorar
de alegria
um país inteiro
és os abraços de 86
os gritos de nápoles
e o sorriso malicioso
de um povo
que se sente representado
e identificado
porque a maior jogada não foi um gol
foi ter dado ao povo uma bandeira
na qual acreditar
e por isso
o povo nunca te abandonou
obrigado
obrigado, obrigado, obrigado
obrigado por nos ensinar que a bola não se mancha
que a paixão não se negocia
e que ídolos como tu
não desaparecem
grill
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diego y las abuelas (ni olvido,ni perdón)
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mensajes del alma
[argentina: 24 de marzo de 1976]
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«se o mundo sobreviver, os professores de história explicarão o século xx através de seus símbolos: mostrarão a seus alunos a garrafa de coca cola, a bola de futebol, o televisor, o computador, a bomba de nêutron. e para explicar a dignidade, mostrarão o lenço branco das rondas da plaza de mayo.»
eduardo galeano
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«não há povo sem memória, o povo sem memória desaparece.»
adolfo pérez esquivel
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«o pior cego é aquele que não quer ver»
popular
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a memória
pior que não ver
é ver e dizer que não vê
pior que ver e dizer que não vê
é ver e dizer que o melhor é esquecer
grill
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os velhos amores que não estão
a ilusão dos que perderam
todas as promessas que se vão
e os que em qualquer guerra caíram
tudo está guardado na memória
sonho da vida e da história
o engano e a cumplicidade
dos genocidas que estão soltos
o indulto e o ponto final
para as bestas daquele inferno
tudo está guardado na memória
sonho da vida e da história
a memória desperta para ferir
aos povos dormidos
que não a deixam viver
livre como o vento
os desaparecidos que se buscam
com a cor dos seus nascimentos
a fome e a abundância que se juntam
os maltratos com sua má lembrança
tudo está gravado na memória
espinha da vida e da história
dois mil comeriam por um ano
com o que custa um minuto militar
quantos deixariam de ser escravos
pelo preço de uma bomba no mar
tudo está gravado na memória
espinha da vida e da história
a memória pincha até sangrar
aos povos que a amarram
e não a deixam andar
livre como o vento
todos os mortos da AMIA
e da embaixada de israel
o poder secreto das armas
a justiça que olha e não vê
tudo está escondido na memória
refúgio da vida e da história
foi quando se calaram as igrejas
quando o futebol escondeu tudo
que os padres palotinos e angelelli
deixaram seu sangue no lodo
tudo está escondido na memória
refúgio da vida e da história
a memória explode até vencer
aos povos que a esmagam
e não a deixam ser
livre como o vento
a bala a chico mendez no brasil
150. 000 guatemaltecos
os mineiros que enfrentam o fuzil
repressão estudantil no méxico
tudo está gravado na memória
arma da vida e da história
américa com almas destruídas
os jovens que o esquadrão mata
suplício de mujica pelas vilas
dignidade de rodolfo walsh
tudo está gravado na memória
arma da vida e da história
a memória aponta até matar
aos povos que a calam
e não a deixam
livre como o vento
livre como o vento
la memoria | león gieco / gustavo santaolalla (2001)
[león gieco y la banda sinfónica de ciegos]
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«a praça é das mães, e não dos covardes.»
voz popular
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em novembro de 2002, a icônica líder argentina hebe de bonafini concedeu uma entrevista à revista caros amigos, refletindo sobre os 25 anos de resistência das mães da praça de maio.
mesmo sob o peso da ditadura e do descaso político que se seguiu, a força dessas mulheres redefiniu a história da américa latina.
eis um trecho impactante dessa conversa que ecoa até hoje:
— como a senhora avalia a evolução do movimento das mães da praça de maio nestes 25 anos?
— o movimento passou por várias fases. a primeira coisa e a mais importante foi não ter abandonado a praça todos estes anos.
— e enquanto isso como evoluía a situação da argentina?
— cada vez pior, mais repressão, mais trabalhadores sem emprego. e os políticos só estavam preocupados com as eleições. a ditadura militar terminou em 1983, mas desde 1982 os políticos só se preocupavam com as eleições. e fomos a eles e dissemos: senhores, se os senhores não insistirem com os juízes que julguem e condenem os militares responsáveis, não há democracia possível, pois há os desaparecidos, as mães, os pais, os filhos dos desaparecidos, e a política segue como sempre?
— e como eram as relações com a sociedade em geral? no início, as senhoras eram chamadas de loucas...
— somos loucas. totalmente loucas. loucas e ilegais. mas a sociedade foi se convencendo de que as loucas da praça de maio tinham vindo para ficar. quando chegou a época dos governos constitucionais, nos diziam para respeitar alfonsín e dizíamos que todos os juízes são corruptos. foi um escândalo: «como dizem que todos os juízes são corruptos?» hoje, todos dizem que os juízes são corruptos.
— como a senhora lidou com o medo, na época da ditadura?
— não tínhamos medo.
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trecho extraído da revista caros amigos (ano 6, nº 68, novembro de 2002).
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eu só peço a deus
que a dor não me seja indiferente
que a morte não me encontre um dia
solitário sem ter feito o que eu queria
eu só peço a deus
que a injustiça não me seja indiferente
pois não posso dar a outra face
se já fui machucado brutalmente
eu só peço a deus
que a guerra não me seja indiferente
é um monstro grande e pisa forte
toda pobre inocência dessa gente
eu só peço a deus
que a mentira não me seja indiferente
se um só traidor tem mais poder que um povo
que este povo não o esqueça facilmente
eu só peço a deus
que o futuro não me seja indiferente
sem ter que fugir desenganando
pra viver uma cultura diferente
sólo le pido a dios | león gieco (1978)
cantam: mercedes sosa e león gieco
teatro ópera 1982
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de volta a 1986
[no princípio era D10S]
um dos jogos mais emblemáticos da história da copa do mundo é inglaterra x argentina na copa de 1986, que ficou marcado por muita rivalidade e dois gols históricos de maradona: um deles de mão (a famosa «mano de díos») e outro uma pintura, driblando metade do time inglês.
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quarenta anos depois, o gol da «mão de deus» de maradona ainda é celebrado. mas deveria?
publicado: 24 junho 2026
tradução por ana carolina guimarães nogueira
este artigo foi originalmente publicado em inglês
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a guerra das malvinas e os dois gols: o jogo de 1986 foi o primeiro entre as duas seleções após o conflito bélico de 1982, e galeano pontuou a importância política do triunfo argentino. maradona foi visto por ele não apenas como o herói do esporte, mas como um vingador da derrota nacional.
o autor descreveu os gols contra a inglaterra de forma poética: o primeiro, marcado com a «mão de deus», foi a vitória da malandragem argentina. o segundo, o «gol do século», foi definido como uma obra-prima onde maradona driblou quase o time inglês inteiro por puro gozo da liberdade corporal.
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maradona por eduardo galeano
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a reflexão sobre o ídolo: galeano via maradona como o mais «humano dos deuses». em seus textos, o autor também não ignorava o lado trágico do craque. ele reconhecia que diego jogava melhor do que ninguém, mas pagava um preço altíssimo por carregar nos ombros a pesada responsabilidade e a expectativa de um país inteiro.
uma análise poética de eduardo galeano sobre o antológico gol de maradona contra a inglaterra na copa de 1986:
inolvidable historia de eduardo galeano sobre el gol de maradona a inglaterra en mexico '86
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de volta a «la mano de dios»
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«roubei a carteira deles»
maradona
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quarenta anos depois, o gol da «mão de deus» de maradona ainda é celebrado. mas deveria?
com a palavra, D10S
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antes do fim
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a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida»
vinicius de moraes
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encuentro diego y silvio
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📷mercedes sosa e eu: antonio soler
cantamérica, porto alegre, 1996
📷león gieco e eu: antonio soler
cantamérica, porto alegre, 1996
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#américas