hoje tem
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«brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
brasil está vazio na tarde de domingo, né?
0lha o sambão, aqui é o país do futebol»
wilson simonal
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«a palavra "entusiasmo” vem de uma palavra grega que significa “ter os deuses dentro”. toda vez que vejo que os deuses estão dentro das pessoas, das coisas ou da natureza digo: isso é o que falta para me convencer de que vale a pena viver. viver está muito além das mesquinharias da realidade onde só se pode “ganhar” ou “perder”.»
eduardo galeano
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«se, depois de tantos anos, as pessoas ainda lembram desse time (seleção brasileira de 82), é porque era muito bom. não sei se alguns campeões são lembrados tanto quanto esse time. uma equipe é boa quando 20,30, 40 anos se passam, e ainda se fala sobre isso»
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«apesar de tudo, isso faz você pensar que não está recebendo propostas por ser um bom treinador, mas por ter conquistado vários títulos. ganhamos muita coisa e, por isso, agora me querem um pouco mais do que na época em que comecei, quando apenas três ou quatro pessoas no barcelona acreditavam em mim. os outros pensavam diferentemente»
pepe guardiola | ex-treinador do barcelona
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«vivemos num mundo infame, um mundo “ao contrário”, mas não é o único mundo possível. existe um outro mundo na barriga deste, sendo gerado. é um mundo diferente, melhor do que este e de parto complicado. e são os jovens que nos levam para frente.»
eduardo galeano | barcelona maio de 2011
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«em 86, falcão terá 32 anos, jogará um outro futebol, talvez de líbero. mas não será o mesmo que encantou o mundo em cinco jogos de sevilla e barcelona.»
ruy carlos ostermann | barcelona 7 de julho de 1982
itinerário da derrota, porto alegre: artes e ofícios, 1992 - pg 91
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ao vento
em 1990
poucos meses depois da queda do muro de berlim
a era dunga sepultava o futebol-arte
antes disso
em 1982
a seleção brasileira revolucionava o futebol e encantava o jovem guardiola
o ex-volante e ex-treinador do barcelona
o agora ex-técnico do manchester city
é reconhecido hoje como um gênio
não me espanta
que a seleção o tenha tenha encantado
a seleção de 82 é da mesma estirpe das seleções de 58 e 70, um futebol alegre, envolvente, cheio de craques, de belas jogadas, um técnico que tinha prazer em jogar pra frente, em buscar sempre o gol.
infelizmente ele foi um divisor de águas entre o que havia de melhor e o que haveria de pior.
de todas as seleções brasileiras que eu vi jogar
a de 82 foi a única que me encantou e me fez chorar
em 86
sócrates zico júnior e falcão
já não eram mais os mesmos
e em 90
quando a «era dunga» começou
o futebol do brasil mudou
mas mudou tanto
tanto mesmo
que perdeu a identidade e nunca mais a reencontrou
nem vai encontrar
a seleção brasileira vendeu a alma para ganhar
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«recordar: do latim recordis, voltar a passar pelo coração.»
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era julho de 1977. a seleção era tratada como coisa à parte, como se não pertencesse àquele divertido e leviano futebol brasileiro. quando se falava em seleção, havia quem aumentasse a voz, fizesse impostação nas vogais e se tornasse sonoro. alguns chegavam mesmo a se tornar cívicos — o que, como se sabe, é uma exaltação da personalidade, uma espécie de solenidade do indivíduo.
pois bem, neste ambiente de solenidades e protocolos havia um repórter, um jovem fazendo sua primeira cobertura de seleção. ele aguardava a entrada de rivelino, reinaldo, zico e falcão no túnel do maracanã. o jovem era um garoto que trazia hermann hesse na mochila, portava uma barba à la che guevara um pouco irregular no queixo, usava sandália, calça de brim e uma camiseta esverdeada, sem brilho, bem amassada; e dormia espichado de tanta espera.
de repente, levantaram-se muitos, apanharam as máquinas fotográficas, as folhas de papel. foi quando um velho fotógrafo deu um grito com o jovem repórter:
— levanta daí, moleque, chegou a seleção.
— levanta daí, moleque, chegou a seleção.
podia ser brincadeira, mas não era. o velho profissional foi categórico na segunda frase:
— seleção é coisa importante, seu!
e saiu resmungando pelo túnel.
— seleção é coisa importante, seu!
e saiu resmungando pelo túnel.
o jovem abriu bem os olhos, fez «uff», e também seguiu pelo mesmo túnel em que seguiam todos. ruy carlos ostermann — autor da história — e outro jornalista sorriam. os demais estavam diante da seleção como uma condecoração no peito. o garoto é que fazia mais: ele suspirava.
em 1977, eu tinha 12 anos, e, como o jovem (jornalista) da história acima, ainda suspirava pela seleção. suspiros cada vez mais distantes. a culpa é do schlee. nada será como antes.
grill
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num domingo qualquer, qualquer hora
ventania em qualquer direção
sei que nada será como antes, amanhã
que notícias me dão dos amigos?
que notícias me dão de você?
sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
resistindo na boca da noite um gosto de sol
nada será como antes | milton nascimento - beto guedes (1972)
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a culpa é do schlee
antes de se tornar um dos maiores símbolos do futebol brasileiro, a camisa amarela da seleção nasceu da criatividade de um jovem de jaguarão. em 1953, aldyr garcia schlee venceu o concurso que definiu o uniforme da equipe nacional e criou o desenho que atravessou gerações.
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📸 o autor e aldyr garcia schlee, 2014 (arquivo pessoal)
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