ato de fé — cuba agoniza mas não morre
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«condene-me, não importa, a história me absolverá.»
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como creio quando cresce
quanto se sente e se sofre
ao olhar ao redor.
e fico feliz que o amanhã,
visto pela minha janela,
nunca seja igual a hoje.
creio em ti,
porque mesmo dando-me desgostos
o queriéndome mucho,
siempre vuelvo a ti.
creio em ti,
cheio de contradições,
pronto para soluções,
sempre creio em ti.
creio em ti,
porque nada é mais humano
do que prenderse de tu mano
e caminhar acreditando em ti.
creio em ti,
assim como creio em deus,
que és tu, que sou eu,
em ti, revolução.
[deus não existe]
por enilton grill
jornal o troco
dezembro de 2016
há quem diga que, para nós da esquerda, fidel é deus.
há quem diga que, para nós da esquerda, cuba é um paraíso.
nós dizemos que nada disso é verdade.
fidel não é deus porque deus não existe;
e cuba não é um paraíso porque no paraíso não há guerra.
fidel não é deus, mas sobreviveu a 637 atentados; cuba não é um paraíso, mas tem o melhor sistema de educação e de saúde pública da américa latina e do caribe, e um dos melhores do mundo.
tudo isso, no entanto, não foi de graça: «não precisamos que o império nos dê nenhum presente», disse fidel após a visita de obama a cuba.
de 1959 até hoje, foram mais de 50 anos de bloqueio e de guerra — de guerra contra um império. durante esses anos todos, cuba sobreviveu a dez presidentes dos estados unidos. e isso não foi obra de deus. fidel não é deus. deus não existe.
poderia passar o resto dos meus anos escrevendo sobre os ataques dos estados unidos a cuba e de como fidel e os cubanos os enfrentaram e os derrotaram. mas não é o caso. não é hora e não há espaço.
não posso deixar de dizer, porém, que em cuba os ianques não só organizaram bandos mercenários, como também introduziram armas e explosivos, treinaram homens, fizeram sabotagens, impulsionaram a contrarrevolução por todos os meios, realizaram ataques piratas contra os portos e contra os barcos; durante anos, organizaram expedições mercenárias e levaram a cabo invasões e bombardeios.
mas fidel resistiu; e, em meio ao fogo cruzado, ainda encontrou tempo para mostrar ao mundo talvez sua faceta mais bonita: a solidariedade.
o que teria sido de angola sem os 50 mil cubanos que a defenderam contra os racistas da áfrica do sul a troco de nada? o que teria sido da nicarágua sem os médicos, os professores e os técnicos que, a troco de nada, foram de cuba para lá? «em quantos países os cubanos foram os primeiros a chegar, a troco de nada, na hora de enfrentar uma peste, um furacão ou um terremoto?», pergunta galeano.
e o que seria do mais médicos, aqui no brasil, não fosse o apoio dos médicos cubanos?, pergunto eu.
a verdade é que todos nós devemos muito do que somos a fidel.
fidel foi aquele que apontou o caminho e mostrou como se faz para chegar. e isto não é pouco; pelo contrário, é muito.
é muito, mas não é tudo.
a revolução de fidel não foi a revolução das liberdades. quem sabe um dia façamos nós aquilo que fidel não fez. quem se habilita?
no entanto, é bom lembrar: com um gigante a acossá-lo, fidel fez o que podia fazer. e tem mais: se não fizesse como fez, não faria tudo o que fez.
em cuba não existe nenhum descalço, nenhum analfabeto, nenhum faminto. cuba é hoje o que é: uma nação solidária, com o melhor sistema de saúde pública, com a melhor educação do continente, sem uma criança sequer dormindo na rua porque fidel foi o que foi, e fidel foi o que tinha de ser. «o homem é o homem e sua circunstância», diria ortega y gasset.
fidel não é deus, deus não existe. fidel é fidel:
para os cubanos, mel; para os ianques, fel.
— acredito no deus de spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no deus que se interessa em premiar ou castigar os homens.
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não passou e vai sempre existir
flores nos lugares que pisou
e o caminho certo pra seguir
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«se cristo voltasse, apareceria um judas que o trairia, um pedro que o negaria três vezes, um tomé que colocaria os dedos em sua ferida após sua morte, um pilatos que lavaria as mãos e um barrabás que, sem nenhum mérito, seria preferido a ele pela chusma (1) que todos nós somos. uma chusma veleta (2), que mais uma vez gritaria para que ele fosse crucificado.»
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JESÚS QUINTERO: SE CRISTO VOLTASSE
(legendado en español)
1. conjunto o multitud de gente grosera o vulgar. la chusma.
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© real academia española, 2024.
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o passado e o presente definham .... já os enchi e esvaziei,
passo a encher minha própria dobra do futuro.
vocês que me escutam aí em cima! você aí ....
algum segredo para me contar?
me encare enquanto assopro o discreto poente,
seja sincero, ninguém está te ouvindo,
só vou ficar mais um minuto.
eu me contradigo?
tudo bem, então .... me contradigo;
sou vasto .... contenho multidões.
me concentro nos que estão perto .... espero na porta.
quem terminou o batente e vai jantar mais cedo?
quem quer passear comigo?
você vai falar antes que eu vá embora?
ou virá quando já for tarde demais?
o falcão pintado dá uma rasante sobre mim e me acusa ....
reclama de minha conversa fiada, minha preguiça.
também não sou facilmente amestrado ....
também não sou facilmente traduzível,
solto meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo.
a última nuvem do dia se demora por mim.
lança minha semelhança após o resto,
fiel como todas nos ermos sombrios,
me incita para o vapor e para o crepúsculo.
vou-me feito vento .... agito meus cabelos brancos
contra o sol fugitivo,
esparramo minha carne em redemoinhos
e a deixo flutuar em retalhos rendados.
me entrego à terra pra crescer da relva que amo,
se me quiser de novo me procure sob a sola de suas botas.
vai ser difícil você saber quem sou
ou o que estou querendo dizer,
mas mesmo assim vou dar saúde,
vou filtrar e dar fibra a seu sangue.
se não me encontrarem logo, paciência,
se eu não estiver num lugar, procurem-me outro,
em algum lugar, estarei à espera.
walt whitman
señor, señor, vamos desconectar estes cabos,
derrubar estas mesas.
este lugar já não tem nenhum sentido pra mim.
pode me dizer o que estamos esperando, señor?
não ao bloqueio




