parece que já não há lugar para as revoluções, a não ser nas vitrines do museu arqueológico, não há lugar para a esquerda, exceto para a esquerda arrependida que aceita sentar-se à direita dos banqueiros. estamos todos convidados ao enterro mundial do socialismo. o cortejo fúnebre abarca, segundo dizem, a humanidade inteira.eu confesso que não creio nisso. estes funerais equivocaram-se de morto.
eduardo galeano | nós dizemos não, p. 88 - maio de 1990.
uma pessoa física reuniu, sob seu comando individual, sem controle coletivo algum, uma legião de 3 a 5 milhões de seguidores.conseguiu isso, em grande medida, exatamente porque havia milhões de pessoas querendo contribuir com a campanha e ele, habilmente, ofereceu um canal para isso.alguém que por sinal cometeu a estupidez de dizer que a campanha nas ruas não tinha a menor importância, para mais recentemente admitir de maneira torta (via a proposta de «panelaço») que é fundamental agir fora das redes.para piorar a situação, muita gente acha que o tal «exército» está submetido a algum tipo de controle democrático. pensam que fulano validou, que sicrano controla, que o autoproclamado «general» é o porta-voz informal de decisões coletivas.como a coordenação da campanha e a direção do partido pelo jeito preferiram lavar as mãos, o jeito é torcer para que dê certo ou, pelo menos, que não cause muito dano.
num mundo ideal, onde as instâncias coletivas funcionassem adequadamente, essas pessoas estariam engajadas numa iniciativa sob controle democrático delas mesmas. e não sob a direção de alguém que propõe explicitamente não pensar, obedecer, agir como robô.mas a experiência pretérita com este tipo de iniciativa, sem nenhum tipo de controle coletivo, é que, se ainda não deu errado, é porque ainda não terminou.santo leminski, orai por nós.
e se o general janones determinasse que cantassem hinos para pneus...e se o general janones mandasse que se pendurassem no para-brisa de um caminhão...e se o general janones ordenasse que se ajoelhassem e rezassem em frente a quartéis...e se o general janones prescrevesse que ateassem fogo em si próprios...e se...quem, em meio à multidão, teria coragem de dizer não?
pois é. não falei do «exército» de janones durante a campanha, pois penso que o silêncio em determinados momentos é mais eficaz que as palavras, sobretudo aquelas que na maioria das vezes são mal-entendidas e mal-interpretadas. quanto à camiseta amarela, olhei, gostei e fiz. fiz porque quis. simples assim.
outra coisa que fiz, e fiz porque quis, foi um américas na rádiocom. costurei depoimentos de companheiros e camaradas enaltecendo as qualidades de lula — um esforço solitário que me custou três dias e três noites de trabalho sem dormir, com a coluna reclamando, queimando, latejando. ontem fui informado de que o programa atingiu «inacreditáveis» vinte visualizações. vinte. provando que, infelizmente, apesar do meu sacrifício até físico, minha contribuição real para a vitória foi zero.
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los cantores de radio pueden desaparecer
los que están en los diarios pueden desaparecer
la persona que amas puede desaparecer.
los que están en el aire pueden desaparecer en el aire
los que están en la calle pueden desaparecer en la calle.
los amigos del barrio pueden desaparecer,
pero los dinosaurios van a desaparecer.







