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«como fica forte uma pessoa, quando está segura de ser amada.»
freud
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«somos finos como papel. existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. e esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. e não há nada que se possa fazer sobre isso. você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. talvez pensemos demais. sinta mais, pense menos.»
bukowski
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«o que quer que eu fosse, fui desde o começo. não queria que ninguém mexesse com isso. e ainda não quero.»
(idem)
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«todos nós vamos morrer, que circo! só isso deveria fazer com que amássemos uns aos outros, mas não faz. somos aterrorizados e esmagados pelas trivialidades, somos devorados por nada.»
(idem)
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eu não vejo nada
tô atrás da porta
tô no chão do carro
tô num fundo falso
eu não sinto nada
tô desenchufado
tô perdendo o tato
tô alienado
eu não acredito
tô desencantado
tô sem compromisso
tô criando caso
eu não faço nada
tô sem movimento
tô virando estátua
tô embrutecendo
eu não quero nada
tô sem interesse
tô desapontado
tô sem endereço
eu não acredito
tô desencantado
tô sem compromisso
tô criando caso
eu não digo nada
tô silencioso
tô comendo grito
tô alimentado
eu não penso nada
tô no meu direito
tô virando bicho
tô desaprendendo
eu não acredito
tô desencantado
tô sem compromisso
tô criando caso
eu não acredito
https://www.youtube.com/watch?v=GW_gATQc7cE&list=RDGW_gATQc7cE&start_radio=1
desenchufado | vitor ramil (2004)
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«eu acho que eu nasci nesses últimos dois anos. na verdade, dizer que eu nasci é um certo exagero, porque pretendo seguir nascendo, mas aconteceu de eu me livrar de demoninhos que me atormentavam há muitos anos. deve ter sido a tal da crise dos quarenta. eu tinha chegado a pensar que a minha criatividade dependia dos meus estados de melancolia. hoje, no entanto, me sinto mais criativo do que nunca, estando feliz como nunca. eu não me sentia digno de um elogio, não relaxava, cada conquista era só um passo na direção de algo verdadeiramente bom que eu ainda iria fazer, eu não desfrutava nada. aceitar-me... acho que essa foi a chave para o meu "nascimento".»
(ramil, 2015 apud rubira, 2015, p. 214).
«gracias a la vida que me ha dado tanto...» gracias a la vida, a canção mais conhecida de violeta parra, foi uma espécie de epitáfio adiantado — uma canção tão intensa e contraditória como sua própria vida. pouco mais de cem dias após sua edição, la viola acabava voluntariamente com a própria vida. «por que o fez? violeta era uma mulher tão valente», perguntou sua mãe. pouco antes, violeta havia dito ao jornalista tito mundt: «me falta algo, não sei bem o que é. eu procuro e não encontro. com certeza nunca vou achar.»
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poesia não rima com linha reta poesia rima com estrada torta siga a seta force a porta não é porque a porta não abre que não é a porta certa às vezes a chave é certa a fechadura é que é torta grill
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«e de repente o resumo de tudo é uma chave. a chave de uma porta que não abre para o interior desabitado no solo que inexiste, mas a chave existe.» drummond
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e de repente
o resumo de tudo é uma palavra:
a chave de uma luz apagada.
a palavra certa,
na hora certa,
abre a porta.
grill
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crônica familiar
entretanto, a solidariedade, o respeito, o amor continuam florescendo entre as brechas do asfalto, como disse drummond em um dos seus mais belos poemas. recebi do meu amigo moeller excertos do livro de um enfermeiro americano com vários exemplos de solidariedade. o que mais me comoveu foi a história de um menino de seis anos cuja irmã, de dois, sofria de uma doença rara e quase sempre mortal. só poderia ser salva se ele, o irmão mais velho, doasse sangue para ela, pois tivera a mesma doença e se curara milagrosamente, adquirindo anticorpos. quando o médico lhe explicou que ele devia dar seu sangue para salvar a irmã, em princípio ele hesitou, mas acabou concordando: «se é para salvar a vida dela...» deitou-se numa cama ao lado da irmãzinha e viu quando as bochechas dela começaram a ficar coradas. sorriu, mas logo ficou triste novamente. perguntou ao médico: «doutor, é agora que eu vou começar a morrer?» todos choraram no quarto. o bravo menininho estava preparado para morrer. achara que morreria, pois teria de dar todo o seu sangue para salvar a irmãzinha.
fausto wolff
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cada um de nós compõe a sua história [e cada ser em si / carrega o dom de ser capaz / de ser feliz]
minha irmã nunca sofreu de doença rara nenhuma e, como podem ver na foto, está feliz da vida e plena de saúde. ademais, é solidária comigo e com todos os que dela de alguma forma precisam.
para quem não a conhece, minha irmã é daquelas pessoas raras, de que falava bertolt brecht: imprescindíveis, para quem pensa um mundo melhor, mais justo, mais humano, mais fraterno e mais solidário.
o que me fez postar o texto de fausto wolff, então, foi a minha identificação com o bravo menininho da história. eu também morreria pela minha irmãzinha, se preciso fosse. mas não é. ainda bem que não é. temos muita vida pra tocar em frente.
se lembra do futuro
que a gente combinou
eu era tão criança e ainda sou
grill
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é preciso amor
pra poder pulsar
é preciso paz pra poder sorrir
é preciso a chuva para florir
penso que cumprir a vida
seja simplesmente
compreender a marcha
e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada
eu vou tocando os dias
pela longa estrada, eu vou
estrada eu sou
https://www.youtube.com/watch?v=qDSttqXpxqY&list=RDqDSttqXpxqY&start_radio=1
tocando em frente | almir sater / renato teixeira (1990)
apresentação: lima duarte
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por falar em irmã
minha irmã de alma, carla gastal, me enviou anos atrás uma foto de meu avô joão carlos gastal onde ele aparece ao lado do então governador do rio grande do sul, leonel brizola, com representantes do ptb em pedro osório.
eles buscavam melhorias para a região: a construção de 27 escolas, rede elétrica para candiota, além de escola de formação de professores para a zona rural.
na época dessa foto, eu ainda não havia nascido; mas tenho muitas e grandes lembranças de meu avô. lembro, por exemplo, de ele ser chamado para intervir a favor dos estudantes, na praça da faculdade de direito, em pelotas, contra a repressão policial, em plena ditadura militar (foto).
isso, por si só, já seria motivo mais que suficiente para sentir orgulho de meu avô. mas tem mais. um dia eu conto.
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o parâmetro humano
luís fernando veríssimo
o ser humano é a medida de todas as coisas. pelo tamanho do ser humano se mede a vastidão do universo, assim como pelo palmo e a braça se começou a medir a terra. todo o conhecimento do mundo se faz de uma perspectiva humana, todo o julgamento das coisas do mundo se faz por um parâmetro humano.
já tentaram rebaixar o homem a mero servo de uma ordem divina, a autômato descartável de engrenagens industriais, a estatística sem identidade de regimes totalitários, e agora a uma comodidade entre outras comodidades, com nenhuma liberdade para escolher seu destino individual e o mundo em que quer viver.
mas o indivíduo só é realmente um indivíduo numa sociedade igualitária, como só existirá liberdade real onde os valores neoliberais não prevalecerem.
da ciranda da informação independente
i fórum social mundial
porto alegre, 2001
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e o rádio?
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santa vitória do palmar, 1973
quando guri, eu morava em santa vitória e o brinquedo de todo guri de santa vitória era o brinquedo de todo guri do interior: jogar bola, bolinha de gude e subir em árvore. um dia caí de uma delas e quebrei a bacia. tive que ficar dois meses imóvel em cima de uma cama.
em santa vitória, naquela época, não havia sinal de tevê (a tevê não pegava). meu avô, sabendo disso e penalizado com minha situação, me mandou de presente um transglobe.
o transglobe era um super-rádio — e o meu, maior ainda — de tão grande que era, parecia que tinha o mundo dentro... santa vitória, pelotas, porto alegre, são paulo, rio de janeiro, montevidéu, buenos aires...
talvez isso explique um pouco eu ser como sou. fui criado ouvindo rádio, e o mundo que sai de dentro do rádio não sai pronto e desenhado — antes de visualizá-lo, é preciso imaginá-lo. e, quando criança, a gente imagina o mundo como quer: ou seja, como ele poderia ser, ou como gostaria que fosse, e não como ele é.
o transglobe, por exemplo, eu o imaginava muito maior do que ele é.
e o tempo? o tempo, não. o tempo parece menor do que ele é.
ontem parece que foi no mês que vem.
contudo, me olho no espelho e vejo que não.
enfim, acho que tudo se mede, menos o coração.
grill
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mi abuelo me dijo la otra vez
me dijo mi abuelo que tal vez
su abuelo le sepa responder
si el tiempo es mas largo cada vez
https://www.youtube.com/watch?v=EnTofiYehXY&list=RDEnTofiYehXY&start_radio=1
la casa de al lado | fernando cabrera, 1993
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talvez tenha algo de ficção no meio disso tudo. sempre tem. lembrança mais que tudo é imaginação.
vitor que o diga.
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e tudo isso
foi no mês que vem
foi quando eu chegar
foi na hora em que eu te vi
e mais que tudo
foi no mês que vem
foi quando eu chegar
na hora em que eu te quis
https://www.youtube.com/watch?v=7oXDLqhFKwc&list=RD7oXDLqhFKwc&start_radio=1
foi no mês que vem | vitor ramil (1995)
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«beijos, estou de saída
vou reinventar minha vida
vida, vida
eu preciso viver
hei, querida
pra que disfarçar nossa solidão?»
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estrela, estrela
como ser assim
tão só, tão só
e nunca sofrer
brilhar, brilhar
quase sem querer
deixar, deixar
ser o que se é
https://www.youtube.com/watch?v=9u4SRY6RS_E&list=RD9u4SRY6RS_E&start_radio=1
estrela, estrela | vitor ramil (1981)
do álbum: foi no mês que vem (2013)
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«após estrela, estrela era hora de se retirar e iniciar uma senda própria na música em busca de "ser o que se é". nos territórios interiores de vitor ramil, muitas coisas já pediam passagem, entre elas a canção satolep.
(luis rubira, em vitor ramil — nascer leva tempo, p. 47)
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«sinto hoje em satolep
o que há muito não sentia
o limiar da verdade
roçando na face nua»
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#américas



