a democracia é uma ilusão
(chomsky que o diga)
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le monde diplomatique — toda vez que perguntamos a uma estrela do jornalismo ou a um apresentador de grande jornal da televisão se ele sofre pressões ou é censurado, a resposta é invariavelmente «não». o jornalista diz que é totalmente livre, que somente expressa suas próprias convicções. conhecemos bem os mecanismos de dominação ideológica das ditaduras. mas como funciona o controle do pensamento em uma sociedade democrática?
chomsky — quando os jornalistas são questionados, eles respondem de fato: «nenhuma pressão é feita sobre mim, escrevo o que quero». e isso é verdade. apenas deveríamos acrescentar que, se eles assumissem posições contrárias à norma dominante, não escreveriam mais seus editoriais. não se trata de uma regra absoluta, é claro. eu mesmo sou publicado pela mídia norte-americana. os estados unidos não são um país totalitário. mas ninguém que não satisfaça exigências mínimas terá chance de chegar à posição de comentarista respeitável. essa é, aliás, uma das grandes diferenças entre o sistema de propaganda de um estado totalitário e a maneira de agir das sociedades democráticas. com certo exagero, nos países totalitários, o estado decide a linha a ser seguida e todos devem se conformar. as sociedades democráticas funcionam de outra forma: a linha jamais é anunciada como tal; ela é subliminar. realizamos, de certa forma, uma «lavagem cerebral em liberdade». na grande mídia, mesmo os debates apaixonados se situam na esfera dos parâmetros implicitamente consentidos – o que mantém na marginalidade muitos pontos de vista contrários.
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de chomsky a althusser
«o caráter politicamente sombrio da teoria de althusser é evidente em sua própria concepção de como o sujeito emerge no ser. ser "sujeitificado" é ser "sujeitado": tornamo-nos sujeitos humanos "livres", "autônomos", justamente submetendo-nos obedientemente ao sujeito, ou lei. assim que "internalizamos" essa lei, começamos a agir espontânea e inquestionavelmente. vamos para o trabalho "por nossa conta", e é essa lamentável condição que reconhecemos erroneamente como liberdade.»
de althusser a espinosa
«nas palavras do filósofo que se encontra por trás de toda a obra de althusser – baruch espinosa – homens e mulheres "lutam por sua escravidão como se estivessem lutando por sua liberdade".»
de espinosa a freud
«o modelo por trás desse argumento é a sujeição do ego freudiano ao superego, fonte de toda a consciência e autoridade. a liberdade e a autonomia, então, parecem ser meras ilusões: significam simplesmente que a lei está tão profundamente inscrita em nós, tão intimamente de acordo com nosso desejo, que a consideramos erradamente como nossa própria livre iniciativa. mas esse é apenas um lado da narrativa freudiana. para freud, como veremos depois, o ego se rebelará contra seu senhor autoritário se suas exigências tornarem-se insuportáveis; e o equivalente político desse momento seria a insurreição ou a revolução. a liberdade, em resumo, pode transgredir a própria lei da qual é efeito.»
de volta a althusser
«mas althusser sustenta um silêncio sintomático a respeito desse corolário mais esperançoso de seu argumento. para ele, a própria subjetividade parece ser apenas uma forma de autoencarceramento, e a questão quanto à origem da resistência política deve, assim, permanecer obscura.»
eagleton, terry. ideologia: uma introdução: são paulo: boitempo, 2019, pp. 161-2
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resumindo: «ninguém é livre, até os pássaros estão presos ao céu.»
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você pode ser rei no país do futebol
pode ser viciado em bingo e nunca ver a luz do sol
você pode ser um mago e vender livros de montão
pode ser uma socialite, enriquecer vendendo pão
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
pode ser incendiário e fazer um índio arder
você pode ser o índio vendo a chama acender
pode ser um bom ladrão, pode ser um mau juiz
pode ter um passado limpo, pode ter uma cicatriz
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
você pode estar na mídia sem saber porque
você pode ser dono de uma rede de tv
você pode dar o fora tendo tudo pra ficar
adotar um nome diferente, você pode mesmo se isolar
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
você pode trabalhar na construção civil
pode estar desempregado, com a vida por um fio
você pode ter poder, fazer coisas que ninguém fizer
pode ter mulheres numa jaula, pode ter as drogas que quiser
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
você pode desejar a cura com lacan
você pode procurar os serviços de um xamã
você pode ser um pregador, chutar os santos do altar
você pode ter um bom discurso, você pode nem saber falar
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
você pode ser demente, pode ser doutor
você pode ser sincero, pode ter rancor
você pode ser um crente, você pode ser ateu
pode ser um leitor vaidoso ou uma miss que nunca leu
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
você pode ser turco, pode ser nissei
pode estar ali na esquina, estar onde jamais pensei
você pode me adular, você pode me esquecer
você pode estar me ouvindo agora, você pode mesmo nem saber
mas um dia vai servir a alguém, é
um dia vai servir a alguém
seja ao diabo
ou seja a deus
um dia você vai servir a alguém
gotta serve somebody | bob dylan, 1979
.
versão vitor ramil [part: lenine]
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antes do fim
avançar em relação aos sistema atual,
colocar isso como perspectiva,
me parece ser condição fundamental
para o que quer que se faça
ou se imagine fazer
grill
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mais uma xícara de café para seguir caminho
mais uma xícara de café antes de ir
para o vale profundo
one more cup of coffe (valley bellow) | bob dylan, 1975
[legendado em português]
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chove em satolep
bom domingo






