el tiempo, el implacable, el que pasó
da pedra
a pedra, pelo menos,
tem a decência de ficar no chão
o dia não
o dia sobe nas costas
e ainda pergunta
por que eu ando empenada
tenho dívidas que não cabem em papel
cobranças sem cobrador
promessas que eu nunca fiz
e mesmo assim me seguem
que nem cachorro atrás de carteiro
tem uma conta antiga
morando no peito
não sei quem fez
não sei quando venceu
só sei que todo dia
acorda primeiro que eu
e eu pago
pago com insônia
pago com silêncio
pago com aquele pedaço de alegria
que eu estava guardando pra depois
afeto também pesa
quem ama, carrega
carrega o retrato de quem foi
o nome de quem ficou
a voz de quem não disse nada
o rosto de quem disse demais
carrega até o que queria esquecer
e por injustiça ou desatino
é justamente o que mais pesa
meu coração é um jumento teimoso
bota o mundo em cima
e ele vai
mais uma saudade
ele vai
mais uma dívida
mais uma decepção
mais uma esperança besta
e ele dá aquele passinho miúdo
na estrada quente
até que um dia para
fica ali
com a carga nas costas
o sol no lombo
a poeira subindo pelas canelas
a dívida vencida
a estrada comprida
e o mundo não tira nada de cima dele
ele para
levanta a cabeça
o céu não ajuda
mas está lá
ele olha pra cima
como se fosse reclamar
mas desiste
vai que deus
também está devendo.
simone bacelar
«ontem, passava pela galeria zaballeta e cruzei com um cara que não via há uns 33 anos. era um inimigo mortal que eu tinha no colégio. éramos iguais a cão e gato, bastava um encontro e a briga comia. claro, uma briga de merda, devíamos ter uns 9 ou 10 anos. acho que deve estar morando em outra cidade, mas o curioso de tudo, é que ele vinha com duas crianças pequenas e quando me enxergou fez uma cara de surpresa e espanto. demorei para conhecê-lo, mas por incrível que pareça, demos uma balançada de cabeça meio tímida e cada um seguiu seu caminho, talvez para nunca mais acontecer algum encontro ou conversa. conto isso, pois o tempo acaba dando entendimento para tudo. não sei o que ele passou nesse tempo, ele também não sabe o que passei, mas ambos talvez saibamos que a vida é dura, corrida, com perdas e ganhos. sabemos que o tempo é implacável, pessoas que amamos nascem, pessoas que amamos vão, e o mundo segue correndo não dando a mínima pra ti.»
luciano oxley
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juventud, divino tesoro,
¡ya te vas para no volver!
cuando quiero llorar, no lloro...
y a veces lloro sin querer.
en vano busqué a la princesa
que estaba triste de esperar.
la vida es dura. amarga y pesa.
¡ya no hay princesa que cantar!
a pesar del tiempo terco,
mi sed de amor no tiene fin;
cabello gris, así me acerco
a los rosales del jardín...
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médicos
dia desses, ao ler um texto meu, um amigo que não vejo (pessoalmente) há uns 43 anos, deu um telefonema para um amigo seu, o amigo deu um telefonema para não sei quem, não sei quem orientou um caminho, meu amigo falou comigo de novo, pediu que eu falasse com o amigo dele, eu falei, o amigo dele me indicou o caminho certo, esperei na fila como todo mundo espera, marquei uma hora, e agora vou resolver um problema que me incomoda — e muito — desde que voltei para a cidade. detalhe: a vida, tanto para o meu amigo quanto para o amigo dele, é pra lá de corrida. ambos são médicos e pessoas muito bem-sucedidas na profissão que exercem. nenhum deles é da minha família — que, por sinal, está cheia de médicos.
grill
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#américas
