ostra feliz não faz pérola
[para luciano oxley]
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«não há razão nenhuma para sorrir para o ciclope, esse monstro de um só olho que é a câmera fotográfica. e, no entanto, nunca estamos tão desarmados quanto diante de uma lente. no início, achamos que podemos enganá-la, ou porque fechamos o semblante e endurecemos o olhar, ou porque simulamos a expressão que a memória do espelho nos garantiu ser a mais favorável. é aí que começa o combate entre a paciência do fotógrafo e a resistência de quem lhe faz frente. a paciência do fotógrafo é infinita, enquanto a resistência de quem está sendo fotografado acaba sempre por desmoronar. cada clique do obturador atinge um ponto vital das defesas, a muralha vai abaixo aos poucos, até que as verdades escondidas lá atrás começam a emergir. não todas as verdades, claro, mas alguns fragmentos delas, junto com o medo do fotografado de que o processo continue até o seu próprio esgotamento. por sorte, quase nunca se chega tão longe. piedoso, o fotógrafo para no último segundo, segura o fotografado quando ele já está prestes a cair no abismo, e tudo mais ou menos se ajeita. mais ou menos. mal refeito do susto, o fotografado suspira, julgando-se livre, enquanto o fotógrafo se afasta, pensando nos "bocadinhos de alma" que carrega dentro da caixa, como o pescador de linha que vai contando os peixes que roubou do cardume.»
josé saramago
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«é curioso, e cômico até, quando topamos na rua com um ‘personagem’ que filmamos. como o processo de montagem é muito longo, durando às vezes mais de um ano, conhecemos de cor seus gestos, seus olhos, suas palavras. assim, ao encontrá-lo por acaso na rua, não demoramos a reconhecê-lo que, surpreso, já quase não se recorda de nós».
patrício guzmán
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«domingo, sete horas da manhã. ainda não abri os jornais. vejo um dirigente do pt afirmar que «apoiar alexandre de moraes foi um erro». ele prossegue pedindo apoio às investigações. o dirigente, mais uma vez, segue o que dizem as pesquisas de opinião: o apoio a moraes, agora, tira voto. opt elevou o cinismo ao estado da arte. tudo é negociável. tudo é esperteza. tudo é cálculo. não há princípios a defender. dos bolsonaro, não preciso falar. são bandidos perigosos. imprensado no meio disso está o brasil.»
cesar benjamim
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terça-feira, 15 de setembro às 20:37o trabalho me impediu de ver o que aconteceu hoje no st. não tenho lado político-eleitoral nessa questão. defendo a ética e a lei, com a preservação da instituição.na minha contagem pessoal, acho que o placar está 6 para os “bandidos” e 4 para os “mocinhos”. ninguém precisa concordar comigo.dias toffoli: foi sócio de daniel vorcaro na propriedade do resort tayayá, usando dois irmãos como laranjas; há fortes indícios de que enviou para o paraíso fiscal das ilhas virgens, ilegalmente, cerca de r$ 35 milhões resultantes desse negócio.alexandre de moraes: por intermédio de sua esposa viviane de moraes, beneficiou-se de um contrato de cerca de r$ 130 milhões com daniel vorcaro. cerca de r$ 80 milhões foram pagos até hoje em prestações mensais. atuava como conselheiro informal do banqueiro.luiz fux: recebia, por intermédio do filho, mesada de r$ 500 mil do banco master.kassio nunes marques: também recebia mesada de r$ 500 mil do banco master por intermédio do filho. deixou uma conta de r$ 10 mil para vorcaro pagar por uma noite com uma garota de programa.andré mendonça: encontrou vorcaro em 2025, fora das dependências do stf, quando o banco master já era investigado por fraudes. criou o iter, instituto que firmou 68 contratos sem licitação com órgãos públicos, obtendo uma receita de r$ 11,5 milhões. usou a relatoria do caso master para fazer uma divulgação seletiva de informações, de modo a interferir no processo eleitoral.gilmar mendes: não há acusações contra ele no caso master, mas é considerado o principal articulador de contatos empresariais e relações espúrias na corte. no último fim de semana, em plena crise, descocou-se para a itália para participar da festa de casamento da filha de marcos molina, controlador da marfrig, gigante brasileira do ramo de carnes. é relator da are 1605630, que envolve benefícios tributários à mesma marfrig.até onde sei, edson facchin, carmen lúcia, flávio dino e cristiano zanin não são acusados de nada. ricardo lewandowski, que se vendeu barato (só r$ 250 mil por mês), já saiu do tribunal.ou seja, 6 x 4.do ponto de vista moral, não há mais quórum no stf. em qualquer país sério, por muito menos já estariam todos fora da suprema corte há muito tempo.eu posso ter perdido alguma informação, e novas revelações podem surgir. mas isso aí está de bom tamanho para avaliarmos o buraco em que nos metemos. em tese, esses são os nossos grandes juristas.chamem o ladrão.
(idem)
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há 7 horas
mariana schreiber
da bbc news brasil no stf em brasília
stf não decide e prolonga a crise: uma visão de dentro do plenárioa crise inédita do supremo tribunal federal persiste, sem qualquer sinal de solução à vista, a menos de três semanas das eleições nacionais.a sessão histórica realizada nesta terça-feira (15/9) para deliberar sobre a possível abertura de uma investigação sobre a relação do ministro alexandre de moraes e do banqueiro daniel vorcaro foi suspensa por pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) do ministro flávio dino, sem que a corte começasse a analisar a questão principal.os debates foram marcados por bate-bocas entre os ministros e a falta de definições.na visão do criminalista joão pedro pádua (uff), a suspensão do julgamento deixou a corte em situação ainda mais frágil.«ficar sem decisão me parece, institucionalmente, o pior dos mundos», disse.professora de direito constitucional da puc-sp, gabriela zancaner diz que o desfecho da sessão foi altamente prejudicial para o stf e para a nação.
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pra não dizer que eu não disse nada sobre o herói da «esquerda» e da «democracia» brasileira
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«a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.»
george orweel
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«de repente senti uma gratidão inesperada pelos meus professores medíocres. os bons professores, eu os acompanhava encantado. surfava nas suas ideias. mas os professores medíocres me irritavam tanto que eu me vi forçado a pensar minhas próprias ideias.»
rubem alves
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mamãe, não quero ser prefeito
pode ser que eu seja eleito
e alguém pode querer me assassinar
eu não preciso ler jornais
mentir sozinho eu sou capaz
não quero ir de encontro ao azar
papai, não quero provar nada
eu já servi à pátria amada
e todo mundo cobra a minha luz
oh, coitado, foi tão cedo
deus me livre, eu tenho medo
morrer dependurado numa cruz
eu não sou besta pra tirar onda de herói
sou vacinado, eu sou cowboy
cowboy fora da lei
(raul seixas, 1987)
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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas
