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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 

ostra feliz não faz pérola
[para luciano oxley]

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«não há razão nenhuma para sorrir para o ciclope, esse monstro de um só olho que é a câmera fotográfica. e, no entanto, nunca estamos tão desarmados quanto diante de uma lente. no início, achamos que podemos enganá-la, ou porque fechamos o semblante e endurecemos o olhar, ou porque simulamos a expressão que a memória do espelho nos garantiu ser a mais favorável. é aí que começa o combate entre a paciência do fotógrafo e a resistência de quem lhe faz frente. a paciência do fotógrafo é infinita, enquanto a resistência de quem está sendo fotografado acaba sempre por desmoronar. cada clique do obturador atinge um ponto vital das defesas, a muralha vai abaixo aos poucos, até que as verdades escondidas lá atrás começam a emergir. não todas as verdades, claro, mas alguns fragmentos delas, junto com o medo do fotografado de que o processo continue até o seu próprio esgotamento. por sorte, quase nunca se chega tão longe. piedoso, o fotógrafo para no último segundo, segura o fotografado quando ele já está prestes a cair no abismo, e tudo mais ou menos se ajeita. mais ou menos. mal refeito do susto, o fotografado suspira, julgando-se livre, enquanto o fotógrafo se afasta, pensando nos "bocadinhos de alma" que carrega dentro da caixa, como o pescador de linha que vai contando os peixes que roubou do cardume.»
josé saramago

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«é curioso, e cômico até, quando topamos na rua com um ‘personagem’ que filmamos. como o processo de montagem é muito longo, durando às vezes mais de um ano, conhecemos de cor seus gestos, seus olhos, suas palavras. assim, ao encontrá-lo por acaso na rua, não demoramos a reconhecê-lo que, surpreso, já quase não se recorda de nós».
patrício guzmán

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«domingo, sete horas da manhã. ainda não abri os jornais. vejo um dirigente do pt afirmar que «apoiar alexandre de moraes foi um erro». ele prossegue pedindo apoio às investigações. o dirigente, mais uma vez, segue o que dizem as pesquisas de opinião: o apoio a moraes, agora, tira voto. opt elevou o cinismo ao estado da arte. tudo é negociável. tudo é esperteza. tudo é cálculo. não há princípios a defender. dos bolsonaro, não preciso falar. são bandidos perigosos. imprensado no meio disso está o brasil.»
cesar benjamim

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terça-feira, 15 de setembro às 20:37

o trabalho me impediu de ver o que aconteceu hoje no st. não tenho lado político-eleitoral nessa questão. defendo a ética e a lei, com a preservação da instituição.

na minha contagem pessoal, acho que o placar está 6 para os “bandidos” e 4 para os “mocinhos”. ninguém precisa concordar comigo.

dias toffoli: foi sócio de daniel vorcaro na propriedade do resort tayayá, usando dois irmãos como laranjas; há fortes indícios de que enviou para o paraíso fiscal das ilhas virgens, ilegalmente, cerca de r$ 35 milhões resultantes desse negócio.

alexandre de moraes: por intermédio de sua esposa viviane de moraes, beneficiou-se de um contrato de cerca de r$ 130 milhões com daniel vorcaro. cerca de r$ 80 milhões foram pagos até hoje em prestações mensais. atuava como conselheiro informal do banqueiro.

luiz fux: recebia, por intermédio do filho, mesada de r$ 500 mil do banco master.

kassio nunes marques: também recebia mesada de r$ 500 mil do banco master por intermédio do filho. deixou uma conta de r$ 10 mil para vorcaro pagar por uma noite com uma garota de programa.

andré mendonça: encontrou vorcaro em 2025, fora das dependências do stf, quando o banco master já era investigado por fraudes. criou o iter, instituto que firmou 68 contratos sem licitação com órgãos públicos, obtendo uma receita de r$ 11,5 milhões. usou a relatoria do caso master para fazer uma divulgação seletiva de informações, de modo a interferir no processo eleitoral.

gilmar mendes: não há acusações contra ele no caso master, mas é considerado o principal articulador de contatos empresariais e relações espúrias na corte. no último fim de semana, em plena crise, descocou-se para a itália para participar da festa de casamento da filha de marcos molina, controlador da marfrig, gigante brasileira do ramo de carnes. é relator da are 1605630, que envolve benefícios tributários à mesma marfrig.

até onde sei, edson facchin, carmen lúcia, flávio dino e cristiano zanin não são acusados de nada. ricardo lewandowski, que se vendeu barato (só r$ 250 mil por mês), já saiu do tribunal.

ou seja, 6 x 4.

do ponto de vista moral, não há mais quórum no stf. em qualquer país sério, por muito menos já estariam todos fora da suprema corte há muito tempo.

eu posso ter perdido alguma informação, e novas revelações podem surgir. mas isso aí está de bom tamanho para avaliarmos o buraco em que nos metemos. em tese, esses são os nossos grandes juristas.

chamem o ladrão.
(idem)

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há 7 horas
mariana schreiber
da bbc news brasil no stf em brasília
stf não decide e prolonga a crise: uma visão de dentro do plenário

a crise inédita do supremo tribunal federal persiste, sem qualquer sinal de solução à vista, a menos de três semanas das eleições nacionais.

a sessão histórica realizada nesta terça-feira (15/9) para deliberar sobre a possível abertura de uma investigação sobre a relação do ministro alexandre de moraes e do banqueiro daniel vorcaro foi suspensa por pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) do ministro flávio dino, sem que a corte começasse a analisar a questão principal.

os debates foram marcados por bate-bocas entre os ministros e a falta de definições.

na visão do criminalista joão pedro pádua (uff), a suspensão do julgamento deixou a corte em situação ainda mais frágil.

«ficar sem decisão me parece, institucionalmente, o pior dos mundos», disse.

professora de direito constitucional da puc-sp, gabriela zancaner diz que o desfecho da sessão foi altamente prejudicial para o stf e para a nação.
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pra não dizer que eu não disse nada sobre o herói da «esquerda» e da «democracia» brasileira

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«a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.»

george orweel

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«de repente senti uma gratidão inesperada pelos meus professores medíocres. os bons professores, eu os acompanhava encantado. surfava nas suas ideias. mas os professores medíocres me irritavam tanto que eu me vi forçado a pensar minhas próprias ideias.»

rubem alves

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mamãe, não quero ser prefeito
pode ser que eu seja eleito
e alguém pode querer me assassinar

eu não preciso ler jornais
mentir sozinho eu sou capaz
não quero ir de encontro ao azar

papai, não quero provar nada
eu já servi à pátria amada
e todo mundo cobra a minha luz

oh, coitado, foi tão cedo
deus me livre, eu tenho medo
morrer dependurado numa cruz

eu não sou besta pra tirar onda de herói
sou vacinado, eu sou cowboy
cowboy fora da lei

(raul seixas, 1987)

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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas

terça-feira, 25 de agosto de 2026


levantado do chão

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terras raras

[por cesar benjamim] 

há pouco tempo, lula e trump encontraram-se pessoalmente durante três horas, acompanhados apenas pelo intérprete. lula disse que trataram de tarifas.

era mentira.

agora, falaram por telefone durante uma hora e meia. lula voltou a dizer que trataram de tarifas.

é mentira.

dado o volume e a composição do comércio bilateral entre brasil e estados unidos, não há tanto a tratar desse assunto por dois presidentes. é algo menor. as equipes técnicas existem para isso.

outro assunto é decisivo: o destino das terras raras brasileiras.

os estados unidos dependem da china para obter esses minerais estratégicos, sem os quais não se fabricam equipamentos eletrônicos de uso civil e militar. o brasil detém as segundas reservas do mundo, praticamente inexploradas.

lula quer nos fazer crer que os dois presidentes se encontram e se falam e não tratam disso.

está nos chamando de trouxas, parece que com razão. no século xxi, as terras raras têm a mesma importância que o petróleo teve no século xx.

* * *

flávio bolsonaro oferece aos estados unidos uma vassalagem total e explícita. se puder, transformará o brasil na 52a estrela da bandeira americana.

lula oferece uma vassalagem ambígua. tudo em lula é ambíguo, pois sempre há um abismo entre o que diz e o que faz.

o império prefere a primeira opção, mas pode se ajustar perfeitamente à segunda.

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«diga ao seu patrão que estão aqui umas pessoas que vêm saber o que é que ele faz, já caíram as primeiras águas, é tempo de semear, e tendo a criada ido saber a resposta ficamos na porta, que a nós não nos mandam entrar e nisto volta a criada, e diz, o patrão manda dizer que não têm nada com isso, a terra é dele, e se voltarem aqui ele vai chamar a polícia»

josé saramago | levantado do chão, p. 234

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chame o ladrão
chame o ladrão

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[do álbum: sinal fechado]

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falando em brasil

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antonio – o senhor mandou me chamar, doutor rocha?

dr. rocha – mandei, antonio. infelizmente, devido à crise do mercado, muito a contragosto, terei de demiti-lo.

antonio – doutor rocha, eu estou no meio de um trabalho. será que não poderíamos conversar sobre isso na hora do almoço?

dr. rocha – é claro que podemos, mas infelizmente nada do que você disser poderá modificar a situação.

(na hora do almoço, antonio estava novamente na frente do dr. rocha.)

antonio – doutor rocha, como trabalho aqui há mais de oito anos, tenho mais de 50...

dr. rocha – você não é o único, antonio, a situação está ruim para todos.

antonio – o senhor não entendeu, doutor rocha. quis dizer que pelos anos de dedicação à firma, achava que tinha direito a lhe fazer algumas perguntas.

dr. rocha – pois faça-as.

antonio – o senhor gosta de coisas singelas como flores, pássaros, o orvalho nas plantas, riso de crianças pequenas? 

(antes que o patrão pudesse responder, antonio continuou) 

gosta de fazer amor com uma bela mulher, de cavalos correndo no prado, de ver o nascer do sol, de olhar para as estrelas?

dr. rocha – claro que gosto, antonio, só não estou entendendo...

antonio – só mais uma pergunta.

dr. rocha – está bem, mas seja breve, pois tenho uma reunião de diretoria e ainda preciso examinar alguns papéis.

antonio – o senhor acredita em deus, doutor rocha?

dr. rocha – claro que acredito.

antonio – pois está na frente dele.

dr. rocha – você enlouqueceu, antonio?

antonio – não enlouqueci, não. até duas horas atrás eu não era deus. era apenas antonio pinto, contador, casado, mulher e quatro filhos, um deles autista, com dívidas para pagar e muito medo de perder o emprego, pois dificilmente encontraria outro depois dos 50 anos. aí, quando saí do seu escritório, fui até em casa, peguei este revólver e me transformei em deus. 

(neste momento, antonio tirou do bolso um smith&wesson calibre 38 e apontou-o para a testa do dr. rocha)

o senhor é um dos homens mais ricos de são paulo, tem mulher, amantes, viaja várias vezes ao ano à europa, uma vida muito boa. já a minha é triste e monótona. lembra-se daquela história de estrelas, nascer do sol, flores e pássaros? 

(o dr. rocha, mudo de terror, olha para o revólver)

será que vale a pena perder a sua vida para me desempregar? pense bem, se eu morrer, não perco nada. se o senhor morrer, perde tudo. e quem vai decidir isso sou eu, pois virei deus. 

(o doutor rocha ajoelha-se diante de antonio)

dr. rocha – não faça uma loucura dessas, seu antonio. diga o que o senhor quer que terei o maior prazer em atendê-lo, o que quiser. por favor, tenha piedade. diga o que quer!

antonio – gostaria de deixar de ser deus e voltar a ser o seu escravo. que tal? posso?

fausto wolff

(publicado no livro “a milésima segunda noite”, 2005)

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como na peça de ionesco, tornamo-nos uma nação de rinocerontes exatamente porque não temos coragem de nos reconhecer como rinocerontes. no brasil encenam uma realidade para encobrir a verdade, e a verdade está na nossa bandeira. o verde representa os que vivem com menos de dez reais por mês; o amarelo, os que vivem com menos de cem; o azul, os que vivem com menos de mil. e os pontos brancos são os tiranos que, sendo tão poucos, nos esmagam com tanta facilidade. 

o país tem solução? tem e precisa ser drástica. se não quisermos que, pela dor da fome, o povo desça e o resto dance. 

(idem)

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para todos e para ninguém

não ignoro bolsonaro e o «nazifascismo» — muito pelo contrário. lembro apenas que, para fiéis seguidores de lula, o nazifascismo muda de rosto a cada quatro anos. em 2002, por exemplo, era josé serra. naquele ano, lula fez um movimento semelhante ao da escolha de alckmin como vice: convidou para ser seu companheiro de chapa o megaempresário mineiro josé alencar (pl), que chegou a ser vaiado pela militância petista. a escolha do vice não foi o único movimento rumo ao centro político — ficou famosa a «carta ao povo brasileiro». em 2006, o «nazifascismo» atendia pelo nome de neoliberalismo, e o bolsonaro da vez era geraldo alckmin. em 2010, serra; e em 2014, aécio. e do final desse filme, tenho certeza de que todos nos lembramos. 

grill 

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a certeza já me corrói
levo bronca do patrão
mas, sonhei e fiz a fé no avestruz
que vai me dar uma luz...

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[moleque gonzaguinha]

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falando em avestruz

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falam muito mal das avestruzes, injustamente. seus detratores, movidos por motivos inconfessáveis, declaram que aquelas aves são de estupidez sem paralelo. dizem que elas, ao se defrontar com um leão, enterram suas cabeças na areia. se assim elas se comportam, é porque devem ser adeptas de uma antiga filosofia que afirmava que «ser é perceber». raciocinam as avestruzes: se não percebo o perigo, o perigo não existe para mim. (traduzido popularmente: «aquilo que os olhos não veem o coração não sente».) continua o pensamento das avestruzes: «posso, assim, me comportar como se ele não existisse, desde que continue com a cabeça enterrada na areia». tudo estaria bem se o leão não fosse de verdade. e o resultado é que a avestruz acaba na barriga do leão... mas, como disse antes, eu não acredito que as avestruzes sejam assim tão estúpidas. estupidez igual somente encontrei em exemplares da espécie homo sapiens, a que pertencemos. acham que, não percebendo, a coisa não existe. o leão existe mesmo quando fechamos os olhos...

rubem alves | ostra feliz não faz pérola, p. 54

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falando em fechar os olhos

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quem não tem colírio
usa óculos escuros
a formiga só trabalha
porque não sabe cantar

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[com letra e ilustração]

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lançada em 1974, «como vovó já dizia» foi a primeira canção de raul a incomodar a censura --- teve dois versos considerados subversivos substituídos: «quem não tem papel dá recado pelo muro» e «quem não tem presente se conforma com o futuro», trocados por «quem não tem filé come pão com osso duro» e «quem não tem visão bate a cara contra o muro».

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falando em muro...

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paulo césar pinheiro, um dos maiores letristas da música popular brasileira — infelizmente, um ilustre desconhecido dos brasileiros em geral —, propôs a maurício tapajós que compusessem uma canção sem rodeios e metáforas. foi assim que nasceu «pesadelo». 

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quando o muro separa, uma ponte une
se a vingança encara, o remorso pune
você vem me agarra, alguém vem me solta
você vai na marra, ela um dia volta

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do álbum: «o importante é que nossa emoção sobreviva nº 2»
márcia, eduardo gudim e paulo césar pinheiro
gravado ao vivo no teatro ginástico - rio de janeiro, em fevereiro de 1976

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antes do fim

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é preciso que a justiça e a igualdade
sejam mais que palavras de ocasião
é preciso um novo tempo
em que não seja só promessa repartir a terra e o pão

link

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poema: martim césar 
música: pedro munhoz
do cd 1º festival nacional da reforma agrária

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enfim, há quem passe o dia na internet e faça dos blogs pessoais e das redes sociais trincheira contra tudo e contra todos, e por causa disso seja criticado, desvalorizado e menosprezado. não é o meu caso. eu, particularmente, não critico nada nem ninguém — muito pelo contrário: as armas são muitas e cada um escolhe e utiliza aquelas com as quais pensa obter melhores resultados. já participei de reuniões presenciais e de manifestações de rua; hoje em dia escrevo só para os raros, só para os loucos, e não vejo diferença nenhuma entre uma arma e outra... com qualquer delas me sinto desarmado e derrotado. 

trocando em miúdos: nosso discurso é velho e ultrapassado; nossa forma de atuar e de lutar não diz mais nada, nem a nós nem a ninguém. na minha opinião, é preciso passar o bastão — estamos desgastados e desacreditados. o problema é passá-lo para quem... não vejo nada nem ninguém. 

não nego
posso estar enganado
meu tempo passou
estou velho e superado
mas vou assim
até o fim
quanto mais velho
mais cego

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é a ceguêra de dexá
um dia de sê pião
num dançá mais amarrado 
pru pescoço cum cordão

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canta: dércio marques
[«pinhão» é uma variante dialetal e regional para a palavra «peão»]

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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas