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quarta-feira, 5 de agosto de 2026


pecado capital

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«dinheiro na mão é vendaval
é vendaval
na vida de um sonhador
de um sonhador»

paulinho da viola»

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em 2005, depois de me separar, aluguei uma casa na rua sturbelli e mobiliei-a com tudo, tudo o que eu tinha, quadros, discos e livros. eu tinha, também, na época, um fogão, um colchão e uma geladeira. armários e televisão eu não tinha. a vida era uma maravilha (ou devia). eu morava sozinho, trabalhava no cfc, gostava do que fazia, fazia o que queria e o salário, ó! dava e sobrava. enfim, tinha tudo pra dar certo, mas eu sou um «sonhador» e o «sonhador» é muito hábil em criar armadilhas para si mesmo. a armadilha era: fazer o que com o que sobrava?

a primeira coisa que fiz foi entrar num bar
tomei umas 5 ou 7
entrei numa revenda de automóveis...
e saí com um fiat 147

corria o ano de 2007
eu recém tinha completado 42
outro dia vi uma entrevista do chico buarqie
na qual ele dizia que não tava preocupado com a «crise dos 40»
normal
chico estava com 36
contudo
vendo-o falar
me lembrei de 2005
quando fiz 40
meu desejo era passar pela tal «crise» sem nenhum sobressalto
quanta ignorância de mim mesmo
dos 39 aos 43
minha vida virou de cabeça pra baixo
dos 39 aos 40 atingi meu auge
pousei no cume da montanha
olhei para o precipício
e me atirei
tentar tentei
mas voar
não voei
só de avião
rumo a são luís do maranhão
caí e levantei
mais de uma vez
aprendi a lição
muda
tudo muda
eu também mudei
caí
me casei
levantei
me separei
penei
sofri
chorei
quase caí
mas ainda estou aqui
ainda não sei o que quero
mas já sei o que não quero


pensando bem
não sei se era o que eu queria
mas eu podia ter sido tarso de castro
morrido como ele

pensando melhor
a pessoa é para o que nasce
tarso está lá
eu ainda estou aqui

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tarso de castro

[por tom cardoso]

na sua nova rotina de solteiro, tarso podia ser visto em dois lugares no rio de janeiro. o primeiro era o bar joia, pertinho da sua casa, lá mesmo no jardim botânico. para o outro reduto era preciso ir de carro, se é que se podia chamar de carro o velho dodge dart que o jornalista pilotava até o restaurante plataforma, no leblon.

tarso tinha um apreço todo especial pelo seu dodge dart. os amigos nem tanto. sérgio cabral jamais esqueceu do dia em que deixou o filho serginho dar uma voltinha no quarteirão com o «tio tarso». praticamente não saíram do lugar: a barra de direção soltou na primeira curva evitando um acidente mais grave. josé trajano não teve a mesma sorte, lembra ele:

um dia, em ipanema, saímos de um bar completamente bêbados. o tarso, dirigindo o dodge dart, entrou na visconde de pirajá a mais de 100 km/hora, como um alucinado. um cara passou no sinal vermelho e bateu na gente. entramos com meio carro dentro de uma loja. no meio do tumulto, passou por ali o [ator] stepan nercessian. ele viu que era a gente e se ofereceu para nos levar ao hospital miguel couto, só sei que algumas horas depois, às 10 da manhã, já estávamos os dois, cheios de curativos, bebendo na padaria com o stepan.

pilhas de multas chegavam todos os dias à casa do antigo dono do dodge dart, que jamais teve coragem de repassá-las ao novo proprietário. para tom jobim, passar a vida se responsabilizando pelas barbeiragens do jornalista não chegava a ser um sofrimento. o duro mesmo era evitar os tradicionais e temidos selinhos de tarso de castro.

«na boca, não» gritava o compositor toda vez que os dois se encontravam em algum bar ou restaurante do rio. apesar do apelo, raramente escapava do malho. tarso era apaixonado por tom. ao chegar ao rio, em 1962, um de seus orgulhos de juventude era ser confundido, no bar jirau, em copacabana, com o músico. com o tempo, tornaram-se íntimos. bebiam juntos, acompanhados de vinicius de moraes, na churrascaria carreta, em ipanema.

na mesa de jobim eram bem-vindos joão ubaldo ribeiro, chico buarque, antônio pedro, miguel farias, paulo mendes campos, sérgio cabral e, claro, tarso de castro. nos últimos tempos, tom se queixava a cabral que tarso adquirira outro hábito repugnante, ainda pior que a tradicional bitoquinha: «cabralzinho, ele agora deu de ficar apertando o meu pau. dói pra cacete». as tardes passaram a ser menos divertidas. no restaurante, tarso, debilitado por uma cirrose hepática, teria a primeira das oito hemorragias que o levariam à morte em menos de um ano.

durante anos, amigos tentaram, inutilmente, convencer tarso a parar de beber. luiz carlos maciel o levou ao alcoólatras anônimos (aa). seu argumento para não frequentar as reuniões foi convincente: «prefiro a morte ao anonimato». uma namorada o aconselhou a passar um tempo em casa, sedado, para «limpar o organismo». «mas me diga uma coisa: e se o governo cair? se eu acordar e mudou o governo? aí, porra, vou ficar irritado com todo mundo durante anos! eu quero estar presente! é uma espécie de doença, mas paciência», confidenciou à revista playboy, em 1983. palmério dória pediu a ele que, pelo menos, deixasse de beber pela manhã. a resposta estava na ponta da língua: «prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira do que viver a vida inteira pela metade».

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passo a palavra para jaguar:

«tarso era um extremado em tudo: era capaz de virar a noite na redação, mas também de sumir num dia de fechamento do jornal. nunca vi uma resistência igual. saía de um cti e ia parar de novo no cti, para recomeçar tudo de novo.»

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voltamos a tom cardoso:

quando tarso, depois de uma nova hemorragia, deu entrada, em coma, na clínica são vicente, seu médico, o clínico-geral pedro henrique paiva, assinou o atestado de óbito e avisou a família: «podem comprar o caixão». não sabia com quem estava lidando. horas depois, enfermeiros foram surpreendidos por um grito vindo da uti: era o «morto» pronto para mais uma dose: «poooooooorra, me tirem daqui!». paulo césar peréio, impressionado com a resistência do «canalha», só aceitou levar tarso para a churrascaria se ele prometesse por escrito doar o superfígado depois de morto.

na oitava hemorragia de tarso, miguel kozma, velho companheiro desde os tempos de passo fundo no rio grande do sul, entrou em ação. conseguiu com o jornalista fernando morais, então secretário estadual de educação de são paulo, um quarto no hospital das clínicas, onde tarso seria tratado pelo médico silvano raia, o maior especialista em doenças do fígado do país. segundo raia, só havia uma saída para o paciente: o transplante de fígado, desde, claro, que ele decidisse parar de beber. levado de ambulância do rio para são paulo, a primeira providência de tarso foi se livrar dos tubos de soro grudados em seu braço.

miguel kozma conseguiu a proeza de convencer o amigo a parar de beber por algumas semanas. para um grupo de ciganos, conhecidos de tereza, mulher de miguel, o milagre não ocorreu por acaso. a história cheia de lances macabros e confirmada pelo próprio tarso, durante entrevista para o jô soares onze e meia, do sbt, começou no dia em que um dos ciganos, impressionado com o estado de saúde do jornalista, cismou que havia no rio um trabalho de magia negra contra ele. foram todos de carro até o méier, subúrbio da cidade, onde encontraram um boneco, um mini-tarso, com uma coroa de espinhos na cabeça e agulhas em todo corpo, com maior incidência na região do fígado. o vodu foi queimado lá mesmo e o cigano garantiu, de pés juntos, que a partir dali o doente estaria curado.

não era a primeira vez que o jornalista tinha o seu nome usado num ritual. vinte anos antes, ao sair completamente endividado de o pasquim, em 1971, uma namorada resolveu fazer despacho para o amado sair logo da crise financeira. levou ao terreiro um par de meias, o mesmo que tarso havia pedido emprestado para chico buarque durante uma festa na casa do compositor. conclusão: tarso continuou duro por um longo tempo e chico ganhou seu primeiro milhão ao fazer um tremendo sucesso com o disco construção.

com ou sem despacho, tarso voltou a beber. conseguiu convencer --- não se sabe como --- todas as enfermeiras do hospital das clínicas de que era importante ele ter duas garrafas de uísque debaixo da cama. só não conseguiu seduzir o diretor do instituto do fígado, jorge pagura, como lembra fernando morais: «o pagura, um escroto da pior linha, ligado a paulo maluf, me ligou dizendo: "se ele quer beber que faça isso num botequim e não num hospital. tira esse vagabundo daqui!"»

não precisou: no dia 20 de maio de 1991, vítima de cirrose hepática, tarso foi beber em paz com vinicius de moraes.

o desejo da família era que o corpo fosse enviado imediatamente para passo fundo, logo depois do velório na assembleia legislativa de são paulo. de novo, fernando morais ofereceu ajuda. ligou para luiz antônio fleury filho, que havia acabado de ser eleito governador de são paulo, apoiado por seu antecessor, orestes quércia, e fez o pedido:

governador, preciso que o senhor libere um jatinho para levar o corpo de um amigo com urgência até passo fundo.

— quem morreu?
— o jornalista tarso de castro.
— quem?
— o tarso.
— aquele que chamava o quércia de a «dama de ferro» todo dia no jornal?
— ele mesmo.
— você está louco? não posso fazer isso.
— governador, o quércia não precisa ficar sabendo.
— tudo bem. mas pelo amor de deus, se ele souber, eu sou enterrado junto com o tarso.

em passo fundo, logo que o corpo chegou ao saguão do aeroporto lauro kurtz, tarso recebeu a primeira «homenagem». ao saber que ali estava sendo transportado o corpo do polêmico jornalista, romeu tuma, então superintendente da polícia federal, não se conteve: «aquele subversivo boca-suja?». ser chamado de boca-suja por um ex-diretor do dops era um elogio e tanto. a segunda homenagem partiu do amigo otto lara resende, articulista da folha de s. paulo, em texto publicado dois dias após sua morte:

«tinha um pacto de felicidade com a vida. pouco importava que a vida não cumprisse a sua parte. eu interpelava os astros: de quem foge tarso de castro? que persegue tarso de castro? ele ria. e o riso apagava no rosto o vinco das noites boêmias. a vida jogada fora, num gesto de desdém e de rebeldia. mas onde está a vida dos que a depositaram na poupança? na vertigem com que vivia, no seu furor, havia, sim, um sinal de maldição. sua morte nos punge como um remorso. tantas imposturas, tantos vencedores! adeus, tarso!»

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ao vento

tava olhando aqui
quanto mais eu escrevo
menos leitores eu tenho
sinal que sigo no caminho certo
caminho que eu mesmo escolhi
quando saí da casa dos meus pais
e peguei a estrada

grill

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— seu pai falava muito de você.
— é?
— dizia que você não tinha ambição.
— tinha razão.
— é mesmo?
— minha única ambição é não ser nada, parece a coisa mais sensata.
— você é estranho.

bukovski

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«apenas somos
quando em nada nos tornamos.
é quando perdemos nossas pernas
que nos tornamos corredores.»

rumi

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«aos cavalos não foi dito que tinham que correr para vencer
os cavalos não correm para vencer
os cavalos correm para correr
assim sou eu também
não vivo para vencer
vivo para viver»

fausto wolff

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ao vento


eu sou da geração x
nasci em 1965
conforme li por aí
uma das características dos indivíduos dessa geração
é a ruptura com as gerações anteriores
outra é a autoconfiança
por outro lado
há quem diga que os nascidos na geração x são avessos às mudanças
nada mais distante de mim
nunca tive problema com mudanças
muito pelo contrário
o vento sou eu

grill

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o vento

espalha as sementes, conduz as nuvens, desafia os navegantes.
às vezes limpa o ar, e às vezes suja.
às vezes aproxima o que está distante, e às vezes afasta o que está perto.
é invisível e é intocável.
acaricia você, golpeia você.
dizem que ele diz:
— eu sopro onde quiser.

galeano

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lá vai uma vela aberta
se afastando pelo mar
branca visão que desperta
anseios de navegar

vela aberta | walter franco (1980)

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pouco antes de buda morrer alguém lhe perguntou: quando um buda morre, para onde ele vai – ele sobrevive ou simplesmente desaparece no nada?

dizem que buda respondeu: é exatamente como uma nuvem branca desaparecendo.

lembro de quando havia nuvens brancas no céu. agora, elas não estão mais lá. para onde foram? de onde vieram? como surgiram, e como se dissolveram novamente?

a nuvem branca é um mistério – o vir, o ir, o próprio ser dela.

uma nuvem branca existe sem nenhuma raiz. mas ainda assim existe.

a existência inteira é como uma nuvem branca – sem qualquer raiz, sem qualquer causalidade – ela existe. existe como um mistério.

uma nuvem branca não tem, na realidade, nenhum caminho próprio. vagueia. não tem onde chegar, não tem objetivo, não tem destino a ser cumprido. não tem fim.

você não pode deixar uma nuvem branca frustrada, porque onde quer que ela chegue, é a meta. se você tem uma meta, está destinado a ficar frustrado. quanto mais a mente é orientada para uma meta, mais angústia, mais ansiedade e mais frustração possui – porque quando você tem uma meta começa a se mover em direção a um objetivo fixo.

a existência inteira existe sem qualquer destino. o todo não está indo a lugar algum; não possui nenhuma meta, nenhuma finalidade.

uma nuvem branca deixa-se levar para onde quer que o vento a dirija – não resiste, não luta. o vento é o senhor do seu destino. uma nuvem branca não é um conquistador, e mesmo assim flutua acima de tudo. você não pode conquista-la, não pode vencê-la. ela não tem nenhuma mente para ser conquistada.

uma nuvem branca não tem para onde ir. movimenta-se, vai para todos os lugares. todas as dimensões lhe pertencem, todas as direções lhe pertencem. não rejeita nada. tudo é, existe, numa total aceitação.

por isso chamo meu caminho de «o caminho das nuvens brancas»

como cheguei a ele? lendo
lendo, lendo, lendo
lendo e escrevendo
que é o que vou seguir fazendo
vai vendo...

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de volta ao começo

quando morava com meus pais, eles me diziam um guri sem ambição. e tinham razão. eu não me interessava por nada, só queria que as coisas fossem diferentes do que são.
foi então que saí
para ver se eram
pensei que eram
mas não são

grill

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o medo sem saber fui procurar
e conhecer duas quadras mais além
o ar era igual, as pessoas iguais
me deu na telha dizer pra um cara tchau
o cara me olhou, não entendeu.
ali dobrei duas quadras para lá
oi tudo bem dois guris da minha idade
um me disse tchê, queres fumar?
eu quase disse não, mas aceitei
e tossir, e sentir, e olhar, descobrir e voar
e voar, voar
a descobrir que pasa en la ciudad
e saber como são as pessoas mas alla de aca
como será, como será, como será
como será, mas como será?
e voar, voar, a descobrir que pasa en la ciudad
eu quero voar e voar e saber
como são as pessoas mas alla de aca
o pão que fui comprar e me olvidei
as ruas todas novas e não sei, não sei
querer querer voltar e não saber
os gritos de mamá sobre mi piel
o hálito de menta que inventei
a culpa de fumar e de escapar
mamá espera no pegues, quiero hablar
mamá espera no pegues quiero hablar
vos vas a ver cuando vuelva papá
vos vas a ver cuando vuelva papá
pero para mamá...
vos vas a ver...
vas a ver, vas a ver, vas a ver, vas a ver, vas a ver
quiero hablar, quiero hablar, quiero hablar, quiero hablar, quiero hablar
yo fui a volar, volar
a descubrir que pasa en la ciudad
yo quiero volar y volar y saber
como es la gente mas alla de aca
para la libertad, la libertad...
y volar, volar...

miedo niño | piero (1982)

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de volta ao futuro

tudo isso
foi no mês que vem
hoje ando a 10
para chegar aos 100

grill

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#américas

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

 

pra não dizer que não falei de luiz inácio

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«eu olho pra ver o pessoal que está me governando e ditando minhas regras -- eles não têm nenhum cabelo na cabeça.»

bob zimmerman

.

«lula sempre foi um grande conciliador. mas um conciliador perde o seu maior poder quando não há conflitos. e uma das raízes da nossa pasmaceira, desta letargia, é justamente a ausência de conflitos, de contrapontos. não tem nada para conciliar. mais do que conflitiva, a sociedade está anestesiada, quase em coma induzido. o que faz um pacificador quando não há o que pacificar?»

maria da conceição tavares 

.

«há quem diga que essa história de desobediência civil e revolução não tá com nada. isto é, já era. "não tá com nada", pode ser que sim; "já era", penso que não. por quê? porque aqui no brasil, salvo uma ou outra exceção — vide a balaiada no maranhão —, isso jamais aconteceu. portanto, não se pode dizer "já era" para uma coisa que nunca foi.»

autor desconhecido

.

«estou no brasil desde 1954 e jamais vi tamanho estado de letargia. na ditadura, havia protesto. hoje, mal se ouve um sussurro.»

maria da conceição tavares

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a pessoa é para o que nasce
[vai, carlos, ser gauche na vida]

por enilton grill

sou um injusto com lula, gostaria que ele fosse mais corajoso, mais insolente, que tivesse deixado os banqueiros à míngua, que tivesse encarado os empresários de frente, que tivesse dito não à rede globo de televisão, que tivesse feito a reforma agrária, que tivesse implantado o método paulo freire em todas as escolas públicas do país, que, ao invés do bolsa-família, tivesse instituído o fome zero, projeto idealizado por betinho, irmão do henfil, que tivesse ouvido mais as bases e menos os puxa-sacos, enfim, que lula fosse o que eu, na adolescência, pensei que ele era, um radical. mas lula não é, nem nunca foi, um radical. lula é um conciliador. e isso não é pecado, pecado é não ser feliz. e feliz acho que lula é. razões pra isso, pelo menos, não faltam. o povo brasileiro que o diga.

guardadas todas as proporções, é o mesmo meu caso. soy feliz, soy un hombre feliz. com uma pequena grande diferença: lula é feliz sendo conciliador e eu sou feliz sendo radical.

antes, porém, que alguém diga, que é fácil ser radical atrás de um computador e escrevendo no facebook, digo que fácil não é. mas alguns são, outros não. eu sou. se você não é, não posso fazer nada. fazer o quê? ninguém tem culpa de ser o que é. aliás, pelo contrário, torna-te quem que tu és, diria um poeta e filósofo alemão.

e foi o que luiz inácio e eu fizemos: tornamo-nos quem somos. enquanto lula lutou contra todas e as maiores dificuldades, para tornar-se o que é, eu abandonei todas as facilidades, para tornar-me o que sou, enquanto lula tornou-se um gigante, eu tornei-me um zé-ninguém.

aliás, lula é mesmo um gigante, já foi presidente por três vezes e elegeu dilma rousseff outras duas.

em 2018, impedido de se candidatar, lula pegou fernando haddad pela mão, e saiu em caravana pelo brasil. resultado: fernando haddad, um homem digno e honrado, mas totalmente desconhecido para a grande maioria dos brasileiros, fez mais de 47 milhões de votos e, com dez milhões de votos a mais, teria sido eleito presidente do brasil.

enfim, eu acredito na rapazida. se eu fosse lula, em 2026 daria carona para renato freitas. mas não sou. lula é lula. eu sou um zé ninguém.

e é assim que as coisas são: a pessoa é para o que nasce.
eu, pra desafinar o coro dos contentes, e lula pra ser presidente.

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quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes

let's play that | jards macalé/torquato neto, 1983

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antes de seguir falando de luiz inácio
permitam-me que eu relembre uma autocrítica

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facebook, 2019

tem quem defenda o diálogo olho no olho para dissuadir antipetistas bolsonaristas de seu aparente estado de catatonia. eu também. por isso fui a campo — o que, aliás, já havia feito antes.

depois de 100 dias de (des)governo bolsonaro, será que algum antipetista bolsonarista mudou de ideia ou de opinião? quer dizer: será que os 100 dias de um idiota no poder foram suficientes para que chegassem à conclusão de que, se era ruim com o pt, ficou pior sem ele? não sei, mas acho que não.

aqui onde moro --- ponte cordeiro de farias, 5º distrito de pelotas --- o que mais tem é antipetista bolsonarista. eles até concordam que o brasil vai de mal a pior. mas quando pergunto o porquê, todos, sem exceção, dizem que a culpa é do pt.

então eu insisto. procuro mostrar como as coisas eram e como estão, mas não adianta: não há o que eu diga que os faça mudar de opinião.

chego à conclusão, então, de que a culpa é minha — tenho muita vontade, mas me falta poder de persuasão.

(republicação de 2019)

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a verdade é pra ser dita
já dizia a minha vó

«há muita dor, mas existe a raiva. e a raiva é energia para lutar.»

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«nós não somos da elite dominante, meus filhos. sei que alguns de vocês até tem a pretensão de ser. eu não tenho, então não ofereço chá e simpatia. isto é um curso rebelde.

nós perdemos! nós somos os derrotados. e se vocês não fossem derrotados não estariam nem nesta universidade, mas na usp, na puc ou em outra qualquer...

estamos lutando por hegemonia? imagine! estamos lutando para não enlouquecer. para não falar besteira demais, para não contribuir com uma gota de fel para o veneno alheio. tomemos nossa cicuta com tranquilidade.»

«estamos lutando para não enlouquecer...»

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me declaro culpado

em homenagem a maria da conceição tavares, de quem sou e sempre fui profundo admirador, aproveito o final de sua fala — ali onde ela diz «para não falar besteira demais, para não contribuir com uma gota de fel para o veneno alheio, tomemos nossa cicuta com tranquilidade» — para esclarecer algumas coisas a meu respeito.

para que não fiquem dúvidas, o farei no bom e velho português.

os motivos que me afastaram do pt não são os mesmos que fazem alguns odiarem o pt. os meus estão mais à esquerda; os deles, mais à direita. antipetistas sentem raiva, ódio, rancor, eu sinto tristeza, desapontamento, dissabor. há um abismo entre nós. só não vê quem não sabe, não pode ou não quer.

não nutro ódio por nada nem por ninguém. tampouco participo dessa seita chamada antipetismo, que move a direita raivosa. minhas posições são claras — e me orgulho delas. sou e sempre serei um homem de esquerda.

sonhador? com certeza. recuso-me a aceitar que a condição humana esteja condenada ao egoísmo, ao consumismo e ao individualismo, sinônimos do capitalismo. ou à arrogância e à prepotência, sinônimos do imperialismo. continuo acreditando — e cada vez mais — no socialismo como sinônimo de solidariedade e liberdade.

se não há nem nunca houve liberdade nos países que se diziam ou se dizem socialistas, problema deles, não do socialismo. o socialismo em que acredito simplesmente ainda não aconteceu. talvez seja uma utopia. se for, que seja. «se as coisas são inatingíveis... ora! não é motivo para não querê-las... que tristes os caminhos, não fora a presença longínqua das estrelas.»

eu não sou petista
eu não sou socialista
eu não sou comunista.
eu sou antes de tudo anticapitalista
e mais que nada contra a propriedade privada
eu sou anarquista

noutras palavras: 

eu sou de esquerda e a esquerda não tem nada a ver com o governo lula e me arrisco a dizer com governo algum em lugar algum até porque a esquerda não tem nada a ver com governo porque governo tem a ver com poder e poder com hierarquia e hierarquia com submissão

e assim andamos... uns a caminho do sol; outros com uma estrela no coração; outros com a foice e o martelo na mão. cada um ao seu jeito. eu, com a bandeira preta no ar e a letra A no peito.

eis a minha confissão. com ela morro abraçado e dela me declaro culpado.

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y que la pena por mí no tenga pena
por cada explicación que me castiguen
porque el pueblo en mi patria fue inocencia
algún exilio y otras consecuencias

me declaro culpable | piero (1984)

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os tempos mudaram e eu não vi 

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«"quando ele abrirá os olhos?"
"quem é ele? você não sabe? ele é um louco,
nunca abre os olhos."
"mas com certeza vai sentir falta do mundo lá fora."
"não! ele vive no próprio mundo."
"nossa, então ele deve ser mesmo um louco."
"é, ele é um louco."

e assim, em ruas cintilantes
e estradas rurais,
ouço sinos de trenó
tilintarem,
garotas virgens cantarem e rirem
ao longe, no campo, com vozes trêmulas que se apagam suavemente.eu paro, sorrio e descanso um pouco, observando as velas do pôr do sol se apagarem despercebidas , pois meus olhos estão fechados.»

dos 11 epitáfios esboçados por bob dylan

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well, estive em londres e na alegre paris
segui o rio até chegar ao mar
fui ao fim de um mundo cheio de mentiras
não procuro nada nos olhos de ninguém
às vezes meu fardo é maior do que posso suportar
não escureceu ainda, mas não vai demorar

https://www.youtube.com/watch?v=fwnS693y1HE&list=RDfwnS693y1HE&start_radio=1
not dark yet | bob dylan (1997)
vídeo oficial
(legendado em português)

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das dores do mundo

a mais eficaz consolação em toda a desgraça, em todo o sofrimento, é voltar os olhos para aqueles que são ainda mais desgraçados do que nós: este remédio encontra-se ao alcance de todos. mas que resulta daí para o conjunto? semelhantes aos carneiros que saltam no prado, não sabemos, nos nossos dias felizes, que desastre o destino nos prepara precisamente a essa hora, – doença, perseguição, ruína, mutilação, cegueira, loucura, etc. tudo o que procuramos colher resiste-nos; tudo tem uma vontade hostil que é preciso vencer. na vida dos povos, a história só nos aponta guerras e sedições: os anos de paz não passam de curtos intervalos de entreatos, uma vez por acaso. e da mesma maneira a vida do homem é um combate perpétuo, não só contra males abstratos, a miséria ou o aborrecimento, mas também contra os outros homens. em toda a parte se encontra um adversário: a vida é uma guerra sem tréguas, e morre-se com as armas na mão.

arthur schopenhauer

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mãe, ponha minhas armas no chão
não vou mais dispará-las
aquela enorme nuvem negra está descendo
acho que estou batendo na porta do céu

https://www.youtube.com/watch?v=YrYBuhB2FkM&list=RDYrYBuhB2FkM&start_radio=1
knockin' on heaven's door | bob dylan (1973)
[vietnam's war videoclip/short film for the amazing cover conner]
gracias a airsoft bizkaia y al ayuntamiento de belorado (burgos) por hacer el videoclip posible. gracias también a luis jorge del barco, juan pedro ramos (padre e hijo) y a jose antonio tudanca.
una producción de eleria films

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#américas 

domingo, 10 de novembro de 2013



AMÉRICA ES ASÍ


POR PIERO

Que el pueblo se pare y se despierte
Con el brazo dibujo una bandera
Que nadie me dude de la vida
Que el dolor fatal desaparezca

Los niños desnudos son los hijos
Del amor que parió y está pariendo
En este sur, extraño continente
Tan salvaje y áspera tu suerte

América es así, loca y terrible
En cada historia la traición existe
Nada es casual, tampoco simple
Para explicar lo bueno y lo increíble

El mar es mar y el agua es río
Por las orillas se escapan bandidos
Sabemos bien sus nombres y apellidos
Los que manejan esto se han dormido

Queridos gobiernos democráticos
Según dicen democracia es pueblo
El hambre no se arregla con palabras
Ni con gestos repletos de pretextos

Que el amor se vista de soldado
Que la ternura vigile nuestros sueños
El barro es como piel de la miseria
Y el cielo es un sol lleno de estrellas

América es así, loca y terrible
En cada historia la traición existe
Nada es casual, tampoco simple
Para explicar lo bueno y lo increíble

El mar es mar y el agua es río
Por las orillas se escapan bandidos
Sabemos bien sus nombres y apellidos
Los que manejan esto se han dormido

La vida hermano se defiende con la vida
De nada valen todas las disculpas nuestras
Aunque vengan con misiles y volcanes
Aunque la sangre sea el pan de los trigales
                               Piero / José



AMÉRICA ES ASÍ
PIERO / JOSÉ
LAS GALAXIAS NOS MIRAN
1986


MIS HERMANOS LOS DE ABAJO


POR PIERO


Mis hermanos los de abajo
Nada dicen por decir
No conocen la palabra
Saben poco de escribir
Mis hermanos los de abajo
Toman mate de prestado
Tienen hijo con María
O con Rosa la de al lado

Mis hermanos los de abajo
Ya no tienen pa' comer
Al água le dicen sopa
Y al barro hueso con piel
La ropa calzón al aire
Como al aire van los pies
Mis hermanos los de abajo
Ya no saben como hacer

La bronca no viene sola
Ni es cosa de la maldad
Es como un niño dormido
Cuando se pone a gritar
Mis hermanos los de abajo
Están cansados de esperar
Y de andar metiendo el plato
Por la olla popular

Se acuerdan de mis hermanos
Cuando tienen que votar
Y le hablan de diez milagros
Y uno más pa' el carnaval
Mis hermanos los de abajo
No se dejan engañar
Con discursos que hoy prometen
Para después olvidar

Que se paren mis hermanos
Que el bailongo va a empezar
Pa' que escuchen los de arriba
Lo que pasa y va a pasar
Acá nadie se chupa el dedo
Ni es chupete pa' jugar
No queremos que nos usen
Como vela en funeral
             Piero / José



MIS HERMANOS LOS DE ABAJO
PIERO / JOSÉ
CANCIONES BLINDADAS
2001


OTRA VEZ CAMBIO DE CASA


POR PIERO


Otra vez cambio de casa
De nuevo cambiarán las cosas
Otra vez cambio de luna y de barrio
Como cambia el horizonte
El tiempo el modo de mirarlo
Abandono y piso excusas
Pero aquí no encuentro a nadie como yo.

Mandaré a lavar la ropa
Que he gastado en el amor
Esta noche cambio humor
Y cambio amante
Esta noche quiero irme lejos
Encontrar con quién hablar
Divertirme, divagarme
Esta noche cambio amor y se acabó.

Pero tener claro dónde ir
Es tener claro qué decir
Y es tener claro dónde hay
Que meter las manos
Yo no sé siquiera si he entendido
Dónde nos perdimos
Cuando todo ha florecido
Aquí en la casa hace frío y afuera no.

Vendo - cambio casa por un motor
Esta solución es la mejor 
Un motor seguramente irá tirando
De mi fantasía un poco dañada,
Hace rato estacionada
Tengo que cambiar de casa
Como cambian hoy las cosas porque sí.

Y gira gira gira gira 
Que siempre vuelve primavera
Y descubro que no he comprendido nada
Porque sólo he conocido gente 
Intentando amar inútilmente
Y así no puedo ir adelante 
Diciendo que ninguno es como yo.

Y gira gira gira gira 
Que siempre llega primavera
Y comprendo que no he terminado nada
Mandaré a lavar la ropa 
Que he gastado en el amor
Cambio cama y cambio humor 
Cambio número y esquina
En tanto que ninguno 
Es como yo...
                      Fossati
               V. C.: Piero



OTRA VEZ CAMBIO DE CASA
FOSSATI/ PIERO
UN HOMBRE COMÚN
1983


GUAJIRA DE LA UNIDAD


POR PIERO


Desde México hasta Cuba,
Desde Cuba hasta Uruguay
De Paraguay a Colombia
El problema es casi igual
En Perú la plata es pobre
Y el hambre es muy popular

En Argentina las vacas
Tienen pasto pa' tirar;
En Brasil los bananeros
Sólo son una postal;
En Venezuela el petróleo
Es misterio nacional

Algo habrá que hacer...
Algo habrá que hacer, hermano,
Para poder ser un latinoamericano

Al Salvador quién lo salva;
Santo Domingo está igual;
Panamá está preguntando
¿Y Torrijos dónde está?
En Nicaragua la sangre
Es la olla popular

Vamos a juntar...
Vamos a juntar las manos
Para poder ser verdaderamente hermanos

Bolivia y Chile se juntan
Pero el cobre no aparece, che;
En Ecuador el asunto
Cada día está peor;
En Honduras se lamentan
Hasta cuándo mi Señor

Vamos a juntar...
Vamos a juntar las manos
Para poder ser verdaderamente hermanos

Con poxipol no se pega
El cuerpo del que murió
Costa Rica es Costa Pobre
Guatemala es Guatepeor
Y a los yanquis y a los rusos
No sé quién los eligió

Vamos a juntar...
Vamos a juntar las manos
Para poder ser verdaderamente hermanos

Latinoamérica unida
Tiene fuerza natural;
La alegría no es delito
Ni la paz calamidad
Queremos sentirnos juntos
Y cuidar la Libertad

Vamos a juntar...
Vamos a juntar las manos
Para poder ser verdaderamente hermanos

Y la esperanza nuestra
Ya viene y ya está
Y se viene a quedar

Y la paloma blanca
Ya viene y ya está
Y se viene a quedar

Vamos a juntar...
Vamos a juntar las manos
Para poder ser verdaderamente hermanos
                          Piero / José



GUAJIRA DE LA UNIDAD
PIERO / JOSÉ
QUE GENEROSA SOS MI TIERRA
1984

domingo, 7 de julho de 2013

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O SONHO DE CERVANTES
(E OUTROS DELÍRIOS)


POEMA 
X


(Que trata da confusão existente na mente de um tal Miguel de Cervantes, malgrado sua genial criação, e de como nosso inolvidável cavaleiro D. Quixote de La Mancha voltou a ser um mero e obscuro Alonso Quijano, para dessa forma nascer como um ser humano qualquer)


A SEGUNDA MORTE DE DON QUIXOTE

Enfim termina o sonho, voltaste a ser Quijano
E a morte que te ronda é a de cada ser humano
E a sorte que te espera é a de todos os mortais

Enfim tudo se acaba... e assim também a aventura
Daquele heróico cavaleiro nem recordas a figura
Aqueles dias memoráveis não regressarão jamais

E, no entanto, o que importa a tua tardia lucidez
Se o mundo sempre vai lembrar a altiva insensatez
De um louco que sonhou ser um sonho a realidade

Teu nome - Dom Alonso - será apagado pelo vento
Mas Dom Quixote viverá muito além do nosso tempo
Além de ti, além de mim... enquanto houver humanidade!!!

                                          Martim César



VOLVERÁN LAS OSCURAS GOLONDRINAS
«Volverán las oscuras golondrinas
Pero aquellas que su vuelo refrenaban
Aquellas que aprendieron nuestros nombres
Ésas...¡no volverán!»
GUSTAVO ADOLFO BÉCQUER/PACO IBÁÑEZ
POR UNA CANCIÓN
1990



PARA SER HUMANO
«Para ser humano estoy aqui
Muero cada día por vivir
Vivo de creer en lo que invento»
PIERO/JOSÉ
UN HOMBRE COMÚN
1983

domingo, 30 de junho de 2013



QUE SE VAYAN ELLOS


_por Piero


Hoy tengo nublanda la sonrisa
País de cielo, País de tiza
Piden las paredes libertades
La calle espera, la gente sabe

Es que hay un juramento y hay silencio
Y hay un hombre amor que resucita
Somos territorio de violencia
Mi pueblo habla, mi pueblo grita

Basta de muerte, basta!
Basta de morir, morir, morir

Que se vayan ellos
Los que no dejaron
Nacer y vivir

Que se vayan ellos
Los que encarcelaron
Los que torturaron
Los que te mataron

Que se vayan ellos
Los que te proibieron
Gritar libertad!

América es volcán y sufimiento
Hombre y ciudad, locura y viento
La tierra va sudando campesinos
La historia elige nuevos caminos

Es que hay un juramento y hay silencio
Y hay un hombre amor que resucita
Somos territorio de violencia
Mi pueblo habla, mi pueblo grita

Basta de muerte, basta!
Basta de morir, morir, morir

Que se vayan ellos
Los que no dejaron
Nacer y vivir

Que se vayan ellos
Los que encarcelaron
Los que torturaron
Los que te mataron

Que se vayan ellos
Los que te proibieron
Gritar libertad!

Que se vayan ellos
Que se vayan ellos
Que se vayan ellos
Cuando quieran y cuánto antes
Que se vayan ellos
Que se vayan ellos
Que se vayan ellos!
       Piero / José



Que Se Vayan Ellos
Piero / José
Un Hombre Común
En Vivo
Estádio Obras Sanitárias
Buenos Aires
1983