ogodô ano 2000
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grandes horizontes
na escola da ponte não há programas. isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor dos desejos das crianças. imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples: polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. imagine que ele venha à cidade e seja levado por um amigo a um restaurante. «que é que o senhor deseja?», lhe perguntaria o garçom. ele certamente responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório de pratos. aí, o amigo lhe diria: «quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.» assim acontece na relação entre professores e alunos. os professores sabem mais. é por isso que são professores. e uma de suas tarefas é «seduzir» as crianças para coisas que elas ainda não experimentaram. eles lhes apontam coisas que nunca viram e as introduzem num mundo desconhecido de arte, literatura, música, natureza, lugares, história, costumes, ciências, matemática. «a primeira tarefa da educação é ensinar a ver», dizia o filósofo nietzsche. não é obrigatório que elas gostem do que vêem. mas é importante que seus horizontes se alarguem.
rubem alves
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eu já fui rebelde. mas eu aprendi. então, por favor, cresça!»
lula
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1992
o sistema é cruel, injusto e desumano
para que uns poucos se deem bem
a imensa maioria tem que se dar mal
quem vê de fora
não entende como isso se dá
talvez seja difícil de entender
mas é fácil de explicar
junte a ganância de uns
com a ignorância de outros
e misture bem
o sistema é cruel, injusto e desumano
para que uns poucos se deem bem
a imensa maioria tem que se dar mal
quem vê de fora
não entende como isso se dá
talvez seja difícil de entender
mas é fácil de explicar
junte a ganância de uns
com a ignorância de outros
e misture bem
até crescer
quando a massa estiver
veja bem
com a aparência de uma manada pastando conformada
leve ao forno a uma temperatura tropical e deixe assando por 500 anos
no final
terá um país rico por fora
e pobre por dentro
quando a massa estiver
veja bem
com a aparência de uma manada pastando conformada
leve ao forno a uma temperatura tropical e deixe assando por 500 anos
no final
terá um país rico por fora
e pobre por dentro
grill
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eram só três caravelas
e valeram mais que um mar
quanto aos índios que mataram
ah! ninguém pôde contar
quando esses homens fizeram
o mundo novo e bem maior
por onde andavam nossos deuses
com seus andes, seu condor?
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(belchior, 1993)
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«no crezca mi niño, no crezca jamás
los grandes al mundo le hacen mucho mal
el hombre ambiciona cada día más
y pierde el camino por querer volar»
facundo cabral
los grandes al mundo le hacen mucho mal
el hombre ambiciona cada día más
y pierde el camino por querer volar»
facundo cabral
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anos 90
por eduardo galeano
a injustiça, motor de todas as rebeliões que ocorreram na história, não só não diminuiu no século 20, como multiplicou-se até extremos que nos pareceriam incríveis se não estivéssemos adestrados para aceitá-la como costume e obedecê-la como destino. mas o poder não ignora que a injustiça está se tornando cada vez mais injusta e que o perigo está se tornando cada vez mais perigoso.
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e então? vencemos o crime?
já ninguém mais nos oprime
pastores, pais, lei e algoz?
que bom voltar pra família!
viver a vidinha à pilha!
yuppies sabor baunilha
era uma vez todos nós!
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(elogio da loucura, 1988)
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passaram-se os anos, o século vinte está morrendo. que mundo ele nos deixa? um mundo sem alma, desalmado, que pratica a superstição das máquinas e a idolatria das armas: um mundo ao avesso, com a esquerda à direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés.
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nos anos da guerra fria, cada metade do mundo podia encontrar na outra metade as justificativas de seus crimes e de seus horrores cada um dizia ser melhor, porque a outra era pior. hoje (final dos 90), subitamente órfão do inimigo, o capitalismo celebra sua hegemonia e dela usa e abusa sem limites. mas certos sinais indicam que começa a se assustar de seus próprios atos. descobre, então, a dimensão social da economia, como um exorcismo contra os demônios da ira popular. o capitalismo tinha resolvido chamar-se economia de mercado, mas agora tornou mais abrangene o apelido e viaja aos países pobres com um passaporte onde figura seu novo nome completo: economia social de mercado.
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ôôô
ogodô
ogodô ogodô, ogodô ogodô
ôôô ogodô
ogodô ogodô ogodô ogodô
ttalac-tac-tac-tac tamborim
teleco-teco-teco-teco violão
toloc-toc-toc-toc agogô
tô-lôc-tô twenty 00, twenty 00
a ciência excitada
fará o sinal da cruz
e acenderemos fogueiras
para apreciar a lâmpada elétrica.
the science in her trance
will make the sign of cross
and we will light bonfires
to appreciate the eletric bulb.
talac-tac…
ogodô…
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(the hips of tradition, 1992)
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o pirulito da ciência
por enilton grill
a «economia social de mercado» à brasileira é uma obra de arte da conciliação: o mercado fica com o lucro, o social fica com a contaminação, e a ciência fica chupando o pirulito.a receita é simples e foi votada no congresso nacional. o presidente lula (pt) até tentou colocar um verniz de bom comportamento com 14 vetos à flexibilização dos agrotóxicos. mas no teatro da governabilidade, a bancada ruralista deu o veredito e derrubou tudo. o «rei da soja» passou a coroa para o ministério da agricultura, que agora é quem manda no balanço das substâncias. anvisa e ibama, coitados, foram rebaixados a meros espectadores de bula.é o «capitalismo humanizado» em sua potência máxima: as exportações batem recordes na faria lima, o plano safra injeta bilhões no latifúndio, e o povo ganha o direito constitucional de consumir, em média, algumas gramas de glifosato por refeição. tudo estritamente regulado pelas forças da oferta e da demanda de oxigênio.diante do absurdo de ver substâncias cancerígenas proibidas no exterior virarem tempero nacional, os pesquisadores da fiocruz — que ainda insistem na mania de estudar dados — soltaram a pergunta definitiva, aquela que deveria estar em um refrão de tom zé:«a ciência está errada e o agro está certo?»
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falando em tom zé
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✍️ texto de guto ruocco
(via #repost @tomzeoficial)
tom zé mal começou o show e já estava saudando a saga do reitor edgar santos da universidade federal da bahia que deu ao alemão koellreutter plenos poderes para organizar a renomada escola de música da ufba, que o formou, além de toda uma geração de artistas contemporâneos da melhor música brasileira. depois citou paulo freire e a triste confusão do oprimido que conquista direitos e se torna opressor quando a educação não é transformadora antes de interpretar «esquerda, grana e direita».
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quando um trabalhador cresce na sociedade
e tem oportunidade de ser protagonista da história
ele pratica o método do opressor
porque foi o único método que aprendeu
então ele só sabe agir como o opressor
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(vira lata na via láctea, 2014)
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depois, emendou seus clássicos, alguns urrados por uma plateia ávida de canção inteligente e coragem artística. terminou o show saculejando o decadente teatro municipal «caindo aos pedaços» de mococa para forrozear ao som de xique-xique e com a plateia hipnotizada pelo amor e pela generosidade de tom zé. o artista de irará mostrou aos 82 anos que continua com vitalidade do menino tropicalista que mantém a sua mensagem política-libertária nos cascos. obrigado, te amo.
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eu vi o cego dando nó cego na cobra
vi cego preso na gaiola da visão
pássaro preto voando pra muito longe
e a cabra cega enxergando a escuridão
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(com defeito de fabricação, 1998)
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#lula2026
