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domingo, 30 de agosto de 2026


só para os raros, só para os loucos
[para meu irmão]

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antes do fim

recentemente, por ocasião do aniversário da minha mãe, ela e eu conversávamos sobre a minha rotina e os motivos que me levavam a escrever. falei que o meu dia a dia era pesado, de trabalho duro no repecho, e que, quando me sentava diante do computador, cansado de falar sobre a vida dos outros, descansava falando sobre a minha.

enfim,
assim tem sido
e assim será
até o fim.

grill

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«são muito poucos os que ainda querem ser rebeldes»

celso borges

♦

«não estou minimamente interessado em salvar quem quer que seja. ninguém precisa ser salvo. a única coisa que posso fazer é falar de quem sou e do que me sucedeu. eu não carrego pesos, não levo às costas os males do mundo [...] apenas gosto de partilhar a minha experiência, e essa partilha traz-me uma grande alegria.»

osho

♦

ao vento 

já disse isso aqui
e volto a repetir
quanto mais escrevo
menos leitores tenho
quanto menos leitores tenho
mais escrevo
mas escrevo para quem, então?
só para os raros, só para os loucos
ambos cada vez mais raros
cada vez mais loucos
e antes que alguém me acuse de «vitimização» e «coitadismo»
não estou advogando em causa própria
nem poderia
não sou advogado
aliás
diga-se de passagem
não sou advogado
não sou jornalista
não sou agricultor
não sou professor
não sou poeta 
não sou escritor
não sou autor
o melhor que faço
modéstia à parte
é falar de mim
da minha vida
sou um contador de histórias
histórias de mim mesmo
por quê? porque eu quero
será arte? não sei
aliás, falando em arte
não confunda arte com comercial de margarina
arte é sina
digo isso
pois há quem confunda o narrador com o autor
não é o meu caso
eu preferiria ser um condor
do que um artista ou escritor
sim
eu preferiria
se eu pudesse

grill

♦

para longe, prefiro navegar para longe
como um cisne que passa e já se foi
um homem que fica preso ao chão
ele dá ao mundo
sua canção mais triste
sua canção mais triste

👇

simon & garfunkel
(com cenas em machu pichu)

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«o que é um artista? é alguém que tem antenas, que sabe se ligar às correntes que estão na atmosfera, no cosmos; ele apenas tem facilidade para fisgar, por assim dizer. quem é original? tudo que fazemos, tudo que pensamos, já existe, e somos apenas os intermediários que usamos o que está no ar, só isso.»

henry miller

♦

sobre o ouvir

o ato de ouvir exige humildade de quem ouve. saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos.

para sair do círculo fechado de nós mesmos, é preciso que nos coloquemos fora de nós mesmos. para se ouvir de verdade, é preciso colocar entre parênteses, ainda que provisoriamente, as nossas opiniões.

é norma de boa educação ficar em silêncio enquanto o outro fala. mas esse silêncio não é verdadeiro. é apenas um tempo de espera: estou esperando que ele termine de falar para que eu, então, diga a verdade.

rubem alves

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«descendo das montanhas onde passara dez anos de solidão, zaratustra se encontra com um eremita que vivia numa floresta. passara por ele dez anos antes, quando subia. o eremita se espanta: "sim, reconheço zaratustra", ele diz. "seus olhos são puros, em sua boca não se esconde nenhum desgosto. e não anda ele como um dançarino?»

nietzsche

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yo era el rey de este lugar
tenía cien capas de seda fina 
y estoy desnudo 
si quieren verme bailando 
a través de las colinas

charly garcía

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sui generis 
[con letra]

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[en el ch75 de hoy conocimos el detrás de escena de la canción de sui generis que está inspirada en la revolución francesa]

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charly garcia 
en vivo 
2005

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[videoclip oficial] 
por ia

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«e aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música»

nietzsche

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perdoname amor por tanto hablar
es que quiero ayudar al mundo a cambiar
que loco
si realmente se pudiera
y todo el mundo se pusiera alguna vez
a realizar

david lebón

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david lebon
(official video) ft. Fito Paez

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david lebón en vivo en el cck
con hilda lizarazu 

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mercedes sosa . ft. oveja negra

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ao vento

nunca foi meu dever reconstruir o mundo todo
nem é minha intenção tocar um chamado à guerra 
sou vendedor de canções e arqueiro na fronteira do nada

autor desconhecido

♦

«será que a loucura pode ser provocada por excesso de lucidez?»

♦

ao vento 

acreditem ou não
no mundo como ele é 
é muito boa a sensação de 
lançar palavras ao vento 
e tão poucos voarem com elas 
é a comprovação 
de que a roda gira para um lado 
e nós para o outro

grill

♦

«yo sigo siendo tan inocente que, me sigue alumbrando la bendita esperanza de que un día, los poetas gobernarán el mundo.»

♦

la realidad duerme sola en un entierro
y camina triste por el sueño del más bueno.
la realidad baila sola en la mentira
y en un bolsillo tiene amor y alegrías,
un dios de fantasías,
la guerra y la poesía.

león gieco

👇

[legendado]

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porsuigieco . remasterizado

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mercedes sosa / león gieco / nito mestre 
 en vivo

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charly garcía & león gieco
video registrado durante los festejos de los 400 años de la universidad nacional de cordoba. 
(derechos reservados)

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leon gieco y nito mestre 
 acusticazo b.a.rock 
8 de junho de 2017

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- quem estará nas trincheiras...
- e isso importa?
- mais do que a própria guerra.

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fotos

1. eu, meu pai (ao fundo) e meu irmão
são luís, 1984
2. león gieco y charly garcía 
(do álbum: porsuigieco)
3. eu
4. meu irmão 

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bom domingo

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

el tiempo, el implacable, el que pasó 

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o peso dos dias não é o mesmo peso
da pedra

a pedra, pelo menos,
tem a decência de ficar no chão

o dia não
o dia sobe nas costas
e ainda pergunta
por que eu ando empenada

tenho dívidas que não cabem em papel
cobranças sem cobrador
promessas que eu nunca fiz
e mesmo assim me seguem
que nem cachorro atrás de carteiro

tem uma conta antiga
morando no peito

não sei quem fez
não sei quando venceu
só sei que todo dia
acorda primeiro que eu

e eu pago

pago com insônia
pago com silêncio
pago com aquele pedaço de alegria
que eu estava guardando pra depois

afeto também pesa

quem ama, carrega

carrega o retrato de quem foi
o nome de quem ficou
a voz de quem não disse nada
o rosto de quem disse demais

carrega até o que queria esquecer
e por injustiça ou desatino
é justamente o que mais pesa

meu coração é um jumento teimoso

bota o mundo em cima
e ele vai

mais uma saudade
ele vai

mais uma dívida
mais uma decepção
mais uma esperança besta
e ele dá aquele passinho miúdo
na estrada quente

até que um dia para

fica ali
com a carga nas costas
o sol no lombo
a poeira subindo pelas canelas

a dívida vencida
a estrada comprida
e o mundo não tira nada de cima dele

ele para
levanta a cabeça
o céu não ajuda
mas está lá

ele olha pra cima
como se fosse reclamar

mas desiste

vai que deus
também está devendo.

simone bacelar

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juventud, divino tesoro
decía mi viejo
y uno pensaba que los años 
no iban a pasar

grill

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«ontem, passava pela galeria zaballeta e cruzei com um cara que não via há uns 33 anos. era um inimigo mortal que eu tinha no colégio. éramos iguais a cão e gato, bastava um encontro e a briga comia. claro, uma briga de merda, devíamos ter uns 9 ou 10 anos. acho que deve estar morando em outra cidade, mas o curioso de tudo, é que ele vinha com duas crianças pequenas e quando me enxergou fez uma cara de surpresa e espanto. demorei para conhecê-lo, mas por incrível que pareça, demos uma balançada de cabeça meio tímida e cada um seguiu seu caminho, talvez para nunca mais acontecer algum encontro ou conversa. conto isso, pois o tempo acaba dando entendimento para tudo. não sei o que ele passou nesse tempo, ele também não sabe o que passei, mas ambos talvez saibamos que a vida é dura, corrida, com perdas e ganhos. sabemos que o tempo é implacável, pessoas que amamos nascem, pessoas que amamos vão, e o mundo segue correndo não dando a mínima pra ti.»

luciano oxley

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juventud, divino tesoro,
¡ya te vas para no volver!
cuando quiero llorar, no lloro...
y a veces lloro sin querer.

en vano busqué a la princesa
que estaba triste de esperar.
la vida es dura. amarga y pesa.
¡ya no hay princesa que cantar!

a pesar del tiempo terco,
mi sed de amor no tiene fin;
cabello gris, así me acerco
a los rosales del jardín...

link

👇

canta: paco ibáñez

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médicos

dia desses, ao ler um texto meu, um amigo que não vejo (pessoalmente) há uns 43 anos, deu um telefonema para um amigo seu, o amigo deu um telefonema para não sei quem, não sei quem orientou um caminho, meu amigo falou comigo de novo, pediu que eu falasse com o amigo dele, eu falei, o amigo dele me indicou o caminho certo, esperei na fila como todo mundo espera, marquei uma hora, e agora vou resolver um problema que me incomoda — e muito — desde que voltei para a cidade. detalhe: a vida, tanto para o meu amigo quanto para o amigo dele, é pra lá de corrida. ambos são médicos e pessoas muito bem-sucedidas na profissão que exercem. nenhum deles é da minha família — que, por sinal, está cheia de médicos.

grill

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en este breve ciclo en que pasamos
cada paso se da porque se siente.
al hacer un recuento ya nos vamos
y la vida pasó sin darnos cuenta.

cada paso anterior deja una huella
que lejos de borrarse se incorpora
a tu saco tan lleno de recuerdos
que cuando menos se imagina afloran.

link

👇

canta: mercedes sosa

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foto: mercedes sosa e eu
autor: antonio soler
cantamérica
porto alegre
1996

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#américas 

quarta-feira, 4 de junho de 2014



Corazón americano


Por Enilton Grill


O ano é 1984. O continente vivia a euforia da volta à democracia. No início do ano, Mercedes Sosa lançava um álbum e uma indagação: ¿Será Posible el Sur?. O disco foi uma mistura de cantos de esperança, ritmos folclóricos e canto latino-americano. Só este álbum já seria suficiente. Mas o ano termina com um concerto, gravado ao vivo, no Estádio Obras, Corazón Americano. O evento, que levou uma multidão de pessoas ao estádio, marcou o encontro de três grandes nomes da música latino-americana: Mercedes Sosa, Milton Nascimento e León Gieco.



CORAZÓN AMERICANO
MERCEDES SOSA/MILTON NASCIMENTO/LEÓN GIECO
GRABADO EN VIVO
ESTÁDIO VÉLEZ SARSFIELD
BUENOS AIRES
ARGENTINA
1984

sábado, 24 de dezembro de 2011



 NOITE DE NATAL


POR EDUARDO GALEANO


Fernando Silva dirige o hospital de crianças, em Manágua. Na véspera do Natal, ficou trabalhando até muito tarde. Os foguetes espocavam e os fogos de artifício começavam a iluminar o céu quando Fernando decidiu ir embora. Em casa, esperavam por ele para festejar.

Fez um último percorrido pelas salas, vendo se tudo ficava em ordem, e estava nessa quando sentiu que passos o seguiam. Passos de algodão: virou e descobriu que um dos doentinhos andava atrás dele. Na penumbra, reconheceu-o. Era um menino que estava sozinho. Fernando reconheceu sua cara marcada pela morte e aqueles olhos que pediam desculpas ou talvez pedissem licença.

Fernando aproximou-se e o menino roçou-o com a mão: - Diga para... – sussurrou o menino-. Diga para alguém que eu estou aqui.
Eduardo Galeano


LA NAVIDAD DE LUIS

Toma Luis
Mañana es navidad
Un pan dulce y un poco de vino
Ya que no puedes comprar.

Toma Luis
Llévalo a tu casa
Y podrás junto con tu padre
La navidad festejar.

Mañana
No vengas a trabajar
Que el pueblo estará de fiesta
Y no habrá tristezas.

Señora
Gracias por lo que me da
Pero yo no puedo esto llevar
Porque mi vida no es de navidad.

Señora
Cree que mi pobreza
Llegará al final comiendo pan
El día de navidad.

Mi padre
Me dará algo mejor
Me dirá que Jesús es como yo
Entonces así podré seguir.

Viviendo, viviendo, viviendo.
                                               León Gieco, 1980

LA NAVIDAD DE LUIS
LEON GIECO
SIETE ANOS
1980
LA NAVIDAD DE LUIS
MERCEDES SOSA C/ LEON GIECO
ESCONDIDO EN MI PAIS
1997
 LA NAVIDAD DE LUIS
LEON GIECO
EL VIVO DE LEÓN
2001