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pois é...
outro dia, lendo a coluna de paulo santana, deparei-me com o tema da felicidade — um de seus prediletos. santana contava que certa vez passou por uma sinagoga e entrou. estava lotada de judeus e de curiosos. falava um rabino. e o rabino discorria sobre os sonhos do homem, que são três: ser rico, ser forte e ser sábio.
de acordo com o rabino:
1. o homem quer ser forte, mas pensa que ser forte é dominar os outros. engana-se: ser forte é dominar-se a si próprio.
2. o homem quer ser sábio, mas imagina que ser sábio é abeberar-se da cultura dos livros, dos ensinamentos que os sábios nos legaram pela escrita. quando, na verdade, ser sábio é outra coisa: ser sábio é aprender com cada pessoa que se encontra na vida.
3. o homem quer ser rico, mas não sabe que ser rico não é amealhar toda a riqueza, ganhar e juntar todo o dinheiro que se possa. ser rico, acrescentou o rabino, é contentar-se com o que se tem.
das reflexões e ensinamentos do rabino, paulo santana concluiu: «esta é a sabedoria, este é o jeito de ser feliz: mostrar-se satisfeito com o que se possui. e não querer se tornar feliz desejando aquilo que não se conseguiu ou não se pode conseguir. venham por mim», convidou paulo.
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o trecho acima é o início de um texto que escrevi e enviei para o e-mail de paulo santana. o texto, na íntegra, está logo abaixo. nele, faço uma analogia entre o que disse o rabino e o que dizia facundo cabral. esperei uma semana, um mês, dois meses, três meses... e nenhuma resposta de paulo. um dia estou escutando o sala de redação e um dos participantes diz: «muito bonito aquilo do facundo cabral na tua coluna de hoje, santana...» fui correndo à banca mais próxima e na coluna do santana havia uma série de frases de facundo cabral e uma pequena citação dizendo haver recebido um e-mail meu (se mostrando surpreso por nunca ter ouvido falar em facundo cabral). procurei esta primeira coluna para compartilhar aqui, mas, infelizmente, não encontrei. na sequência, paulo escreveu, pelo menos, mais duas colunas citando facundo cabral — ipsis litteris — do texto enviado por mim a ele (sem dar os créditos, é claro...). não fiquei triste, nem revoltado. fiquei feliz. afinal de contas, o que eu queria, enviando meu texto para paulo, era popularizar o nome de facundo cabral, não o meu — e isso eu consegui.
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antes do texto, vejamos o que diz a inteligência artificial sobre a relação de paulo sant'ana com facundo cabral.
«o cronista gaúcho paulo sant'ana admirava profundamente o cantor e compositor argentino facundo cabral, citando-o frequentemente em suas colunas em zero hora como uma referência de sabedoria popular, liberdade existencial e profunda sensibilidade poética sobre a vida e o tempo.
ambos compartilhavam de um olhar lírico, melancólico e intensamente filosófico acerca do cotidiano e da mortalidade.
sant'ana usava pensamentos e trechos de apresentações de cabral para ilustrar reflexões profundas sobre a solidão humana, a alegria simples e a grandeza de existir.»
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facundo cabral
admirador de diógenes e são francisco de assis, da poesia de whitman e da genialidade de borges, facundo cabral foi um crente fervoroso e um anarquista convicto. através de suas canções, histórias e pensamentos, ele transformou a busca incessante pela felicidade em uma profunda reflexão sobre a vida e a humanidade — sempre guiado pelos valores inabaláveis da liberdade, da igualdade e da solidariedade.
tal qual um trovador da idade média, o compositor argentino transformava cada um de seus recitais e entrevistas numa oportunidade para narrar histórias e transmitir suas ideias e pensamentos.
pela sinceridade de suas palavras, facundo cabral parecia um discípulo direto de diógenes. aliás, o compositor e escritor argentino costumava citar o filósofo grego em seus recitais: diógenes, sempre que passava pelo mercado, ria porque dizia que achava muito engraçado e, ao mesmo tempo, ficava muito feliz ao ver quantas coisas havia no mercado das quais ele não precisava. ou seja, rico não é quem tem mais, mas quem precisa de menos, dizia facundo cabral.
uma das frases mais célebres do trovador argentino é: foge dos que compram o que não necessitam, com dinheiro que não têm, para agradar quem não vale a pena. nela, o misto de poeta, compositor, escritor e profeta resumiu várias de suas críticas à escravidão do homem em relação à sociedade de consumo.
inumeráveis declarações, sentenças e versos expressam o pensamento filosófico e ajudam a entender melhor o ideário de facundo cabral. por exemplo: no soy de aquí, ni soy de allá / no tengo edad, ni porvenir / y ser feliz es mi color / de identidad. verso este, aliás, que o aproximava mais ainda de diógenes, que, muito antes de facundo, já dizia: não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.
essa civilização, que confunde quantidade com qualidade — dize-me quanto consomes e te direi quanto vales —, propaga, em quase todos nós, o medo, a desconfiança e a competitividade desenfreada. dou a cara ao inimigo, as costas ao bom comentário, porque aquele que aceita um afago começa a ser dominado; o homem acaricia o cavalo para montá-lo..., ensina facundo cabral.
seguindo pelo rumo do sertão
quando vires a cruz abandonada,
deixe-a em paz dormir na solidão.
aguapé | belchior (1979)
julio iglesias e paulo santana - teatro do sesi - 2008
.
«minha avó gostava muito de julio iglesias, por isso toda vez que o via na televisão me dizia:
- você deveria fazer um dueto com esse homem. seria uma dupla extraordinária.
- por que avó?
- imagine, ele as excita e você as faz pensar.»
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gênesis 12.1
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y el señor dijo a abraham:
abandona tu tierra natal
y la casa de tu padre,
y ve al país que yo te indicaré.
haré de ti una gran nación,
te bendeciré
y por ti se bendecirán todos los pueblos de la tierra.
el señor dijo a abraham.
esa bella y sabia orden,
fue la que convenció a mi corazón
a decidir que el mundo fuese mi casa.
el mismo mundo que puso
al alcance de mi espíritu
la canción que me refleja
como ningún espejo.
no soy de aquí, ni soy de allá
no tengo edad, ni porvenir
y ser feliz es mi color de identidad.
https://www.youtube.com/watch?v=KeoIZ523q38&list=RDKeoIZ523q38&start_radio=1
no soy de aquí, ni soy de allá | facundo cabral, 1970
introducción: poema «el caminante»
