jogos de armar
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«enilton, enilton, aquele que anda nu pelo mundo, nu de roupas e até de pele.. anda pelo mundo em carne viva... esse teu andar pela vida em carne viva... dói na carne de quem te segurou no colo ao nascer, pois... não é literatura, é vida mesmo... »
maria elizabeth gastal fassa
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«a mãe falou: meu filho você vai ser poeta!
você vai carregar água na peneira a vida toda.
você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!»
manoel de barros
você vai carregar água na peneira a vida toda.
você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!»
manoel de barros
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boi, boi, boi cara de louça
pega o toim zé que ele tem medo de moça
boi, boi, boi cara de lua
toim zé ainda chora
quando vê moça nua
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spotify (letra na descrição)
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gênio
tem quem diga que é
e tem quem seja
eu não sou
nem digo que sou
quem diz que é
que seja
o que não é o caso de tom zé
tom zé diz que não é
mas é
e chico?
não fode
chico é chico
chico é pra quem pode
grill
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tom zé, o gênio de irará
[vira lata da via láctea]
— de onde veio essa ideia de vira-lata da via láctea?
tom zé - começou com caetano me pedindo uma letra. tive a ideia de falar sobre o planeta terra ainda bem jovem, quando tudo começou mesmo, e existia uma promessa de que um dia haveria vida aqui. o ser humano, nesse tempo, era uma coisa impensável. escrevi a letra como se fosse essa criatura. e depois, como não poderia deixar de ser, eu sorri de mim mesmo. eu virei o vira-lata no meio de todos esses artistas. quem não ri está perdido.
— por que vira-lata?
tom zé - posso dizer que gil e caetano são gênios porque convivi com eles de perto. eu, na verdade, sou um trabalhador contumaz, sou obsessivo, não tenho nenhuma das capacidades que eles têm. para tirar meia-dúzia de palavras e compassos eu trabalho 14 horas por dia, não tenho aquela compreensão instantânea. eu não sou um gênio. reivindico o direito de informar que não sou um gênio. e não é humildade. para viver de música no brasil, é preciso ser muito pretensioso. ave-maria, com chico buarque, roberto carlos, erasmo carlos… não vou lembrar de um terço desses que assombram a gente. vi paul mccartney, que fez shows no brasil em novembro. você viu o paul? nunca tinha visto um artista tão grande.quelas moças que a câmera mostrava, elas estavam chorando. e eu também estava chorando aqui em casa. não é possível ver uma criatura daquelas e não chorar. é de outro mundo. ele vem com uma simplicidade, cantando coisas inacreditáveis…
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é elevando sinhá inácia
melânia, pedro piroca
que irará chegará lá lá
irará, irá lá, irá lá
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spotify (letra na descrição)
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aí ai
meu bem
tire a calcinha,
aí ai
galope meu laptop,
hum hum,
me clone
aí no seu smartphone
me bote on line não me largue
ipad, ipad, ipod, aípode.
vem depressa, porque
meu bem, meu bem, meu bem,
daqui a alguns anos
vamos ter de governar – ah, ah!
daqui a alguns anos
vamos ter de governar – ah, ah!
daqui a alguns anos,
infelizmente governar.
oh, e os nossos ideais, ai, quem diria
no mesmo camburão da burguesia.
uma renca de parentes atender
nos ritos e delitos do poder
PUTA, QUE TRAGÉDIA!
desaba sobre nós,
logo depois que a ilusão tem voz.
oh oh yes!
wireless
um et
dentro do hd,
mas, além disso,
o ambiente é compromisso
porque já somos o pós-humano
e o novo antropomórfico bando ô
vem depressa, porque
meu bem, meu bem, meu bem...
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[do álbum: vira lata na via láctea]
*grifo do autor
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vem depressa, querido...
trabalhando bem cedo, fones no ouvido, tom zé a todo volume, quando escuto ao fundo a voz da vivi.
— vem depressa, querido, acho que os vizinhos estão brigando.
a briga era feia. não deu dois minutos e a vizinha bateu na porta. abrimos e ela entrou correndo. o homem ficou na rua, alterado. fechei a cara, abri a porta:
— o que foi?
ele baixou a cabeça e foi saindo de fininho. entrei e vi a mulher contando pra vivi. hematomas nos braços, no pescoço, o olho roxo. apavorada.
vivi e eu nos olhamos: polícia, boletim de ocorrência, maria da penha. a vizinha concordou com a cabeça.
naquela manhã, vi um homem algemado ser levado no camburão.
grill
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de volta a tom zé
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5 grandes músicas sobre mulheres
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[arte 1]
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aproveitando que tom zé lembrou «mulheres de atenas»...
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«o que quer a mulher?» (was will das weib?) - a pergunta irrespondida que se fez freud, em carta a maria bonaparte, ressoa singularmente na alta poesia de chico buarque. não que se pretenda que a resposta tenha sido dada, pois, como já cantou caetano veloso, «ninguém sabe mesmo o que quer uma mulher».
mas as canções de chico, como as de poucos na música popular brasileira, tematizam a mulher e seu desejo.
adélia bezerra de meneses | figuras do feminino na canção de chico buarque, p. 15.
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«às vezes coloco a mulher numa posição submissa, justamente para denunciar, embora algumas feministas não gostem. vejo o movimento de minorias importante, mas dentro de um contexto geral. não acredito, entretanto, que a liberação da mulher sozinha, independente de todo o resto, resolva alguma coisa. é preciso estar aliada a um movimento geral de libertação do ser humano.»
chico buarque
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mirem-se no exemplo daquelas mulheres de atenas
geram pros seus maridos os novos filhos de atenas
elas não têm gosto ou vontade
nem defeito nem qualidade
têm medo apenas
não têm sonhos, só têm presságios
o seu homem, mares, naufrágios
lindas sirenas
morenas
com depoimento de chico
do dvd à flor da pele
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o beijo
anonio pujía escolheu, ao acaso, um dos blocos de mármore de carrara que vinha comprando ao longo dos anos.
era uma lápide. viera de alguma tumba, sabe-se lá de onde; ele não tinha a menor ideia de como tinha ido parar em seu ateliê.
antonio deitou a lápide sobre uma base de apoio, e começou a trabalhar. tinha alguma ideia do que queria esculpir, ou talvez nenhuma. começou por apagar a inscrição: o nome de um homem, o ano do nascimento, o ano do fim.
depois o cinzel penetrou no mármore. e antonio encontrou uma surpresa, que estava esperando por ele pedra adentro. o veio tinha a forma de duas caras que se juntavam, algo assim como dois perfis unidos frente a frente, o nariz grudado no nariz, a boca grudada na boca.
o escultor obedeceu à pedra. e foi escavando, suavemente, até que cobrou relevo aquele encontro que a pedra continha. no dia seguinte, deu o trabalho por concluído. e então, quando levantou a escultura, viu o que não havia visto antes. ao dorso, havia outra inscrição: o nome de uma mulher, o ano do nascimento, o ano do fim.
eduardo galeano | bocas do tempo, p. 29.
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o beijo que eu não dei
o verso – azul – a cor
com quem eu vou pra lá?
espero abril – e tu
me dê – me dando – ri
morango - eu gosto – vem
saudade de quem for
de quem eu vou gostar
a magia sempre cria
luzes, luzes lá
o jeito dá um jeito
cruzes, cruzes lá
vejo um nada – feito nada
vejo – VEJO lá
( sempre vejo lá)
a morte vive aqui
o medo dela é meu
a mão - armada voz
angustia – é o não fazer
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do álbum: juntos (1981)
*grifo do autor
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demanda de amor, busca de felicidade, elã de reintegrar uma completude para sempre perdida, necessidade de comunhão, ânsia insofrida por um objeto não nomeado. falando de desejo, diz octavio paz:
«más allá de ti, más allá de mí, por el cuerpo, en el cuerpo, más allá del cuerpo, queremos ver algo. no sabemos a ciencia cierta, lo que es, excepto que es algo más. más que la historia, más que el sexo, más que la vida, más que la muerte.» (além de você, além de mim, pelo corpo, no corpo, além do corpo, queremos ver algo. não sabemos ao certo o que é, exceto que é algo mais. mais do que a história, mais do que o sexo, mais do que a vida, mais do que a morte.»)
não só à mulher, também ao homem caberia a pergunta que se coloca freud. ela há de ser reformulada: «o que querem a mulher e o homem?»
adélia bezerra de meneses | figuras do feminino na canção de chico buarque, p. 159.
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o que será que será
que todos os avisos não vão evitar
porque todos os risos vão desafiar
porque todos os sinos irão repicar
porque todos os hinos irão consagrar
e todos os meninos vão desembestar
e todos os destinos irão se encontrar
e mesmo o padre eterno que nunca foi lá
olhando aquele inferno, vai abençoar
o que não tem governo, nem nunca terá
o que não tem vergonha nem nunca terá
o que não tem juízo
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do álbum: meus caros amigos (1976)
spotify (letra na descrição)
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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas
