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domingo, 15 de julho de 2012

Dylan e Ginsberg; poesia no túmulo de Kerouac, 1975

DYLAN 
ON THE ROAD

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__ POR ENILTON GRILL


PARA ALVARO BARCELLOS


DECUPADO DO LIVRO
DYLAN A BIOGRAFIA
DE HOWARD SOUNES


As cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul formam a maior área urbana de Minnesota e estão localizadas em frente uma da outra numa curva do rio Mississipi, 307 quilômetros ao sul de Hibbing. No outono de 1959, Bob Dylan ‘saiu do mato’, como ele mesmo disse, para estudar na Universidade de Minnesota, cujo campus fica na margem direita do Mississipi, espremido entre as Cidades Gêmeas.

Dylan se matriculou em um curso de ciências humanas com ênfase em música. No entanto, a vida universitária era, de modo geral, uma maldição para ele. E assim sua experiência universitária durou muito pouco.

A breve temporada de Bob Dylan na Universidade de Minnesota foi importante, principalmente, por causa das pessoas que ele conheceu e da música que descobriu na vizinhança boêmia conhecida como Dinkytown, que ficava ao lado do campus.

O centro de Dinkytown era formado por um conjunto de lojas, bares, cinemas e cafés. Em 1958, foi inaugurado o café Tem O’Clock Scholar. Uma loja velha, com uma vitrine frontal, tinha sido desocupada para dar lugar a um comprido salão mobiliado com bancos, mesas e bancadas de madeira. Nos fundos havia um café.

Havia garotas atraentes com cabelos longos que usavam preto no estilo beatnik e garotos brancos que tocavam blues com uma habilidade incomum. Para Bob Dylan, Dinkytown era um lugar mágico.

Quando chegou nas Cidades Gêmeas para estudar, Dylan ainda estava no auge de sua fase rock-and-roll, ainda usava suas jaquetas bordadas dos Jokers e penteava os cabelos para trás. Mas o rock não era a música de Dinkytown, e a imersão de Bob Dylan na subcultura do campus o transformou.

Ginsberg e Dylan: homenagem a Kerouac. Lowell, Massachusetts, 1975

Dois anos após ‘On the road’, de Jack Kerouac, ter se tornado um best seller nacional, os alunos liam regularmente a literatura beatnik, a política era radical de esquerda, e a música tocada e ouvida no Scholar e nos outros lugares era o folk.
Dylan e Ginsberg; poesia no túmulo de Kerouac, 1975 

DYLAN
ON THE ROAD

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__ POR ENILTON GRILL


PARA ALVARO BARCELLOS



DECUPADO DO LIVRO
DYLAN: A BIOGRAFIA
DE HOWARD SOUNES



No período universitário, uma das pessoas mais importantes para Bob Dylan foi Dave Whitaker. Whitaker era um homem muito pequeno, que pesava pouco mais de 40 quilos, extremamente liberal, inteligente e culto. Ele podia citar tanto os poetas beatniks quanto Henry Wadsworth Longfellow, e era conhecedor de política e história social.

Considerando-se ‘totalmente excêntrico, uma pessoa guiada pela emoção em um mundo guiado pela razão’, Whitaker tinha uma ambição básica, que era se tornar um vagabundo. Ele descobriu uma nova subcultura boêmia na literatura de Henry Miller e nos escritores beatniks.

No final dos anos 1950, Whitaker embarcou numa odisseia beatnik internacional. Ele viveu em um Kibutz em Israel, conheceu o escritor Willian Burroughs em Paris, os poetas Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinguetti em São Francisco, e saiu para beber com Jack Kerouac. Em março de 1960, ele voltou para Minneapolis, conheceu Dylan e ficou seu amigo.

Ginsberg e Dylan: homenagem a Kerouac. Lowell, Massachusetts, 1975

‘Ele era como uma vasilha esperando e querendo ser preenchida’, diz Whitaker. ‘Eu fui a sua primeira abertura para o mundo lá fora, porque eu estivera lá. Nenhuma outra pessoa do grupo tinha estado por aí, por exemplo, em São Francisco com os beatniks. Veja bem, meu principal papel em relação a Dylan foi contar a ele sobre a vida do outro lado, dizer que havia uma vida alternativa lá fora. Que havia um lugar para ele.’

Bob Dylan acreditou e foi atrás.
 Dylan e Ginsberg; poesia no túmulo de Kerouac, 1975

DYLAN
ON THE ROAD

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 POR ENILTON GRILL


PARA ALVARO BARCELLOS


DECUPADO DO LIVRO
CRÔNICAS - VOLUME UM
DE BOB DYLAN


Cheguei em Minneapolis despercebido, a bordo de um ônibus Greyhound – ninguém estava lá para me receber e ninguém me conhecia, e gostei disso. Minha mãe havia me dado o endereço de uma casa de estudantes na Univesity Avenue. Meu primo Chucky, que eu mal conhecia, havia sido presidente da fraternidade estudantil.

Minha mãe disse que falou com minha tia sobre ligar para Chucky e pedir para eu ficar lá. Havia uns dois caras por lá quando cheguei, e um deles disse que eu poderia ficar num dos quartos do andar de cima, o que ficava no fim do corredor. Era uma peça insignificante, com apenas um beliche e uma mesa perto de uma janela sem cortinas. Larguei minhas malas e olhei através da janela.

Creio que estava à procura do que havia lido em On the Road / Pé na estrada – buscando a cidade grande, o som dela, buscando o que Allen Ginsberg havia chamado de ‘mundo jukebox de hidrogênio’. Talvez eu tivesse vivido nele a vida toda, eu não sabia, mas ninguém jamais o chamara assim.

Olhei pela janela do segundo andar da casa da fraternidade e entre nuvens baixas pendentes...os pássaros cantavam. Foi como se uma cortina se erguesse. Era começo de junho, um belo dia de primavera. Havia somente uns poucos caras na casa além do meu primo Chucky. Na maior parte dos dias, sentavam por lá jogando cartas e bebendo cerveja. Não davam a mínima para mim. Eu vi que poderia entrar e sair com facilidade, e ninguém iria me chatear.

Ginsberg e Dylan: homenagem a Kerouac. Lowell, Massachusetts, 1975

A primeira coisa que fiz foi trocar minha guitarra elétrica por uma acústica. O homem da loja trocou um pelo outro, e saí carregando o violão dentro de seu estojo. Eu tocaria aquele violão pelos próximos dois anos ou coisa assim. BOB DYLAN
 Dylan e Ginsberg; poesia no túmulo de Kerouac, 1975

DYLAN
ON THE ROAD


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__ POR ENILTON GRILL


PARA ALVARO BARCELLOS


DECUPADO DO LIVRO
CRÔNICAS - VOLUME UM
DE BOB DYLAN

A área em volta da universidade era conhecida como Dinkytown, e era uma espécie de Village, atípico em relação ao resto da Minneapolis convencional.

 O bairro era ocupado basicamente por casas vitorianas que agora eram usadas como apartamentos de estudantes. O ano letivo não estava em andamento, por isso a maioria delas estava vazia.

Encontrei a loja de discos local no coração de Dinkytown. O que eu estava procurando eram discos de música folk, e o primeiro que vi foi de Odetta.

Eu jamais ouvira falar dela até então. Era uma cantora de voz grave, dedilhado poderoso e um estilo incisivo. Aprendi quase todas as canções do disco ali mesmo, tomando emprestado até o estilo incisivo.

Ginsberg e Dylan: homenagem a Kerouac. Lowell, Massachusetts, 1975

Com meu repertório recentemente adquirido, fui adiante rua acima e dei uma passada no Ten O’Clock Scholar, uma cafeteria beat. O primeiro cara parecido comigo com quem topei em Minneapolis estava sentado bem ali. Era John Koerner, e também trazia um violão consigo.
BOB DYLAN