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«o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade»
umberto eco
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«a educação não transforma o mundo. a educação muda as pessoas. as pessoas transformam o mundo.»
paulo freire
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1 – ignorante orgulhoso: não se abre à experiência do conhecimento. repete clichês introduzidos no cotidiano. sua formação é «midiatizada». mas como o ignorante não sabe disso, ele se orgulha de ser o que é.2 – «burro mesmo»: não há muito o que dizer. mesmo com informação por todos os lados, ele não consegue juntar os pontinhos. por exemplo: o «burro mesmo» faz uma manifestação «democrática» para defender a volta da ditadura.3 – paranóico: o paranóico tem certezas, a falta de dúvida é o que o torna idiota. o idiota paranóico cria monstros que ele acredita combater a partir de suas certezas. o comunismo, o feminismo, os indígenas, os pobres, os negros, os homossexuais ...
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o compositor pernambucano luís vieira conta que seu parceiro, o maranhense joão do vale, que era semianalfabeto, depois do sucesso de «carcará» achou que devia usar palavras difíceis nas letras. vieira discordou: «só escreva sobre o que você conhece!», ralhou.até que joão surgiu com a letra da obra prima «na asa do vento»: «deu meia noite/a lua faz o claro/eu assubo nos aro/vou brincar no vento leste». vieira quis saber onde joão tinha encontrado aquele «vento leste». e o parceiro: «de noite, liguei o rádio na "hora do brasil" e ouvi: "aviso aos navegantes: vento leste soprando pra sudoeste"».a história está em «mpbambas», de tarik de souza, e parece dar razão a um mestre da minha terra: «eu prefiro quem diz "nós vai" e vai, do que quem fala "nós vamos" e não vai».
«meia noite é a hora mais escura. precisamente nesta hora a lua apresenta sua luminosidade. do confronto com a obscuridade interior, o inconsciente, surge a luz.outro ponto interessante é o jogo de opostos. a escuridão da meia noite, o claro da lua. o jogo de opostos se faz presente durante toda a letra da canção.a aranha tece puxando o fio da teiaa ciência da abeia, da aranha e a minhamuita gente desconheceabelhas, aranhas, flor, sol, lua, vento, ar, cheiro se apresentam enquanto símbolos. eis a ciência do compositor que, valendo-se de imagens de coisas simples da natureza extrai novos e profundos significados. seu trabalho é brincar com as palavras e seus infinitos sentidos. tal habilidade poética também é o que se espera do analista. se não for poeta, que ao menos tenha seu olhar e sua escuta abertas ao simbólico.»
na foto do futuro do brasilaqueles que não tinham para pagar o fotógrafonão eram fotografados
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tenho pena
por nelson barros
a mulher que apoia o inominável, é a mulher que foi ensinada a não gostar de mulher. ela foi ensinada a entender que mulheres são rivais históricas. ela foi treinada nas sociedades patriarcais, a entender que mulheres estão no mundo para disputar um homem pra chamar de seu. ela aprendeu a olhar para as outras mulheres como inferiores, como se ela não fizesse parte desse universo. ela acha que será a escolhida para ser bem tratada por aquele que tratou mal todas as outras. ela quer punir a mulher que, no fundo, odeia ser.
o gay que apoia o inominável é a mesma coisa. ele aprendeu a não gostar de gay. ele acha que é melhor que os outros gays por que não parece ser gay. ele considera isso um elogio. ele critica «as afeminadas». ele acha que será escolhido para ser bem tratado por quem trata mal todos os outros gays. ele quer punir o gay que ele, no seu íntimo, odeia ser.
o negro que apoia o inominável aprendeu que «black is not beautiful», como dona maria, uma negra que não quis se casar, para não ter que casar com um negro. ela achava bacana quando alguém dizia que ela era uma negra de modos finos, como as brancas, e colecionava perucas. ela acha que será tratada de modo diferenciado, por quem nunca a tratou bem, não por ela ser do jeito que era, mas pelo jeito que ela imaginava que era vista: «uma negra de alma branca».
o trabalhador que apoia o inominável tem um delírio. ele vai apoiar alguém que não tem nenhuma noção do que seja trabalhar.
tenho pena de todos.e de você e de mim.
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que pena
por enilton grill
eu também. assim como nelson barros tenho pena. ao contrário de muitos de nós, eu não acho que os eleitores da extrema-direita terão, caso flávio bolsonaro seja eleito presidente desse país, o governo que merecem. eles não merecem. ninguém merece.
eles continuarão sendo vítimas de um sistema que ensinou, convenientemente, que ser mulher, ser gay, ser negro, ser pobre são moedas de menos valia.
só há uma forma de mudar isso: educação, educação e educação.
mas que educação? a educação que abre universidades, mas entrega diplomas que funcionam apenas como uma ilusão de ascensão social? não.
uma educação que foca no pragmatismo, em vez de ensinar a ler e transformar a realidade? não.
uma estrutura que trocou a formação da consciência política e a organização comunitária de base por comemorações estatísticas? não.
uma lógica que substitui o debate crítico e a filosofia por cursos rápidos voltados apenas para metas do mercado? não.
uma estrutura que financia a expansão do ensino privado com dinheiro público que deveria ir para os cieps e escolas de base? não.
um método que prepara o jovem para ser o trabalhador precarizado de aplicativo, em vez de ensiná-lo a combater a precarização? não.
precisamos da educação que liberta, não da que apenas qualifica para a exploração.enquanto o pragmatismo institucional se contentar em governar para os índices e para os mercados, continuará pavimentando a estrada por onde passa a barbárie. se queremos um futuro diferente, precisamos de uma pedagogia que ensine a questionar o poder, e não apenas a obedecer a ele. só a consciência de classe e de direitos pode quebrar o feitiço que faz com que as vítimas escolham os seus próprios algozes.
«enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto!»
era uma vez um menino, um rio, um colégio, um campinho de terra e uma cidadezinha desse tamainho.lá havia uma pedra grande, do tamanho de um prédio de seis andares, e por isso a cidade foi chamada de pedreiras.um dia, o menino deixou de ir para a escola e passou a só vender os doces da mãe, a brincar no rio e a jogar bola.ah, mas de cantar ele não cansava.
