fábulas do mar
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«con lo poco que yo sé
antes de llegar a brasil sé que me perderé»
piero
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hoy tengo nublada la sonrisa
país de cielo, país de tiza
piden las paredes libertades
la calle espera, la gente sabe
es que hay un juramento y hay silencio
y hay un hombre, amor, que resucita
somos territorio de violencia
mi pueblo habla, mi pueblo grita
somos territorio de violencia
mi pueblo habla, mi pueblo grita
¡basta de muerte, basta, basta!
¡basta de morir, morir, morir!
que se vayan ellos
que se vayan ellos
los que no dejaron
nacer y vivir
que se vayan ellos
que se vayan ellos
los que encarcelaron
los que torturaron
los que te mataron
que se vayan ellos
que se vayan ellos
los que te prohibieron
gritar ¡libertad!
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piero, 1973
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buenos aires, julho de 1976:
longa viagem sem nos movermos
ritmo de pulmões da cidade que dorme. fora, faz frio.de repente, um barulho atravessa a janela fechada. você aperta as unhas em meu braço. não respiro. escutamos um barulho de golpes e palavrões e o longo uivo de uma voz humana. depois, silêncio.— não peso muito?nó marinheiro.formosuras e dormidezas, mais poderosas que o medo.quando entra o sol, pestanejo e espreguiço com quatro braços. ninguém sabe quem é o dono deste joelho, nem de quem é este cotovelo ou este pé, esta voz que murmurou bom-dia.então o animal de duas cabeças pensa ou diz ou queria:— para gente que acorda assim, não pode acontecer nada ruim.
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para el pueblo lo que es del pueblo
porque el pueblo se lo ganó.
para el pueblo lo que es del pueblo;
para el pueblo liberación.
comer bien era muy raro; comer poco era normal.
comer era subversivo para el señor militar.
eran actos de violencia, la alegría popular;
«el pueblo tiene paciencia» dijo un señor general.
estudiar era pecado; clandestino era saber,
porque cuando el pueblo sabe, no le engaña un brigadier.
prohibiremos la esperanza y prohibido está nacer.
«¿no será mucho, almirante?» «faltaba más, coronel.»
y al país lo remataron, y lo remataron mal.
lo partieron en pedazos, ahora hay que volverlo a armar.
y ahora el pueblo está en la calle a cuidar y a defender.
esta patria que ganamos liberada debe ser.
pra el pueblo lo que es del pueblo
porque el pueblo se lo ganó.
para el pueblo lo que es del pueblo;
para el pueblo liberación.
liberación, liberación, liberación.
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(piero, 1973)
microestadio de atlanta
en vivo
inédito
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buenos aires, julho de 1976:
quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, mais vale ficar calado
1
somos obrigados a entregar, na casa rosada, as provas das páginas da revista, vindas da gráfica.— isto, não. nem isto — nos dizem.a última reunião com os militares foi assim:tínhamos ido vicente e eu.depois de discutir durante uma hora sobre o material da revista, falamos de haroldo conti.— ele é um redator de crisis — dissemos — e foi sequestrado. não se sabe nada. os senhores nos dizem que ele não está preso e que o governo não tem nada com este assunto. por que não nos deixam publicar a notícia? a proibição pode se prestar a interpretações torcidas. os senhores sabem que no exterior há pessoas que pensam mal, pessoas mal-intencionada que...— vocês têm alguma queixa contra nós? — perguntou-nos o capitão. — foram tratados sempre com correção. recebemos vocês, os escutamos. para isso estamos aqui e esta é a nossa função no governo. mas lhes advertimos: este país está em guerra, e se nós nos encontrássemos em outro terreno, o tratamento seria bem diferente.toquei o joelho em meu companheiro.— vamos, vicente, está ficando tarde — disse.caminhamos, devagar, pela plaza de mayo.no meio da praça ficamos parados um longo tempo sem nos olharmos. havia um céu limpo e um ruído de gente e pombas. o sol arrancava brilhos nas cúpulas de cobre esverdeadas.não falamos nada.entramos em um café, para tomar alguma coisa, e nenhum dos dois se animava a dizer:— isso significa que haroldo está morto, não é?de medo que o outro dissesse:— sim.
2
a revista não dá mais.de manhã. reúno os companheiros e falo com eles. quero mostrar-me firme e dizer esperanças, mas a tristeza escapa por meus poros. explico que nem fico, nem vicente nem eu tomamos a decisão: que as circunstâncias decidem. não aceitamos a humilhação como epílogo da linda aventura que nos reuniu durante mais de três anos. crisis não seria agachada por ninguém: vamos enterrá-la em pé; como viveu.
3
esvazio as gvetas da escrivaninha, repletas de papéis e cartas. releio, ao azar, palavras de mulheres que amei e de homens que foram meus irmãos. acaricio com o dedoo telefone que me transmitiu vozes amigas e ameaças.caiu a noite. os companheiros partiram há um par de hora e de meses. os escuto, os vejo; seus passos e suas vozes, a luz que cada um irradia e a fumacinha que deixa quando vai embora.
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eduardo galeano | dias e noites de amor e de guerra, p. 178 - 181
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me estoy muriendo de frío.
tengo la bronca en la voz
porque a esta puerta del río
le apuñalaron el sol,
porque a esta puerta del río
le apuñalaron el sol.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
argentina tiene un nombre
desde el mar hasta la sierra.
cómo le cuento a mi gente
lo que pasa en esta tierra
pero cómo le cuento a mi gente
lo que pasa en esta tierra.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
no soy de muchas palabras.
hay muy poco que contar.
las cosas se cuentan solas.
sólo hay que saber mirar.
las cosas se cuentan solas.
sólo hay que saber mirar.
y después cuando yo canto
que me lo llaman protesta.
cómo contar lo que pasa
con mi gente y su pobreza.
pero cómo contar lo que pasa
con mi gente y su pobreza.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país de nubes,
lleno de humo y alcohol.
cómo le canto a mi gente
lo que yo pienso con vos,
pero cómo le canto a mi gente
lo que yo pienso de vos.
que a mi patria la fundaron
a golpes y cachetazos.
cuántas voces se callaron
a machete y a balazos.
pero cuántas voces se callaron
a machete y a balazos.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! hermanita perdida,
cómo te quiero abrazar.
pero sin guerra ni balas.
ni muertos para llorar.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
¡ay! país, país, país.
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(piero, 1972)
1982 b.a. rock
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de volta ao começo
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«siempre habrá tiempo para volver
y cuántas naves, cuántas velas seguiré
por cada fábula de mar que aún no sé.»
piero
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em 3 de outubro de 2016, logo após o resultado das eleições municipais para a escolha de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, escrevi o texto abaixo, entre colchetes:[que o anti-petismo, que a globo, que o tio sam, que a fiesp, que o mundo está contra nós... é verdade, está mesmo, sempre esteve e sempre estará. mesmo assim, conseguimos avançar: tiramos milhões de brasileiros da miséria, proporcionamos moradia e melhores condições de vida a outros tantos. e foi por isso, ou muito por isso, que nos deram um golpe e nos derrubaram.tudo isso eu sei.mas sei também que fracassamos em tantas e muitas outras coisas. cometemos alguns erros graves e outros (quase) imperdoáveis. abrimos a guarda e nos perdemos no caminho. com isso, deixamos o campo aberto e deu no que deu.sinto muito, mas é assim que penso.aliás, eu sou assim... quando penso em apontar o dedo para os outros, lembro sempre de apontá-lo antes para mim.perdón, es mi manera de sersi alguna gente no entiende qué le voy a hacer.]
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con lo poco que yo sé
antes de llegar a brasil sé que me perderé,
pero no importa, es mi manera de ser,
si alguna gente no entiende qué le voy a hacer.
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(piero, 1976)
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#nuncamais
