terça-feira, 22 de setembro de 2026


sol de primavera

o vento

espalha as sementes, conduz as nuvens, desafia os navegantes.
às vezes limpa o ar, e às vezes suja.
às vezes aproxima o que está distante, e às vezes afasta o que está perto.
é invisível e é intocável.
acaricia você, golpeia você.
dizem que ele diz:
— eu sopro onde quiser.
sua voz sussurra ou ruge, mas não se entende o que diz.
anuncia o que virá?
na china, os que preveem o tempo são chamados de espelhos do vento.

eduardo galeano | o caçador de histórias, p. 6


o super el niño de 2026
as previsões sobre o «super el niño» que deve acontecer neste ano de 2026 são alarmantes. os impactos dessa anomalia são diversos, tanto para a natureza como para nós, seres humanos.

o «el niño» mais intenso registrado foi ocorreu entre 1877 e 1878, quando comparado com o «super el niño» de 2026 é possível destacar a intensidade do evento esperado ainda para este ano.
brasil
quando falamos de um país que tem porte de continente, os impactos são dos mais diversos e vão variar de acordo com a região. enquanto norte e nordeste apresentam queda na precipitação, intensificando períodos de seca, incêndios florestais e escassez de recursos hídricos, no sul e sudeste o volume de chuvas aumenta favorecendo enchentes, deslizamentos e transbordamentos de rios. aqui entram dois pontos em que o ser humano pode ser responsabilizado dentro desse contexto emergencial.

o primeiro é o estado de vulnerabilidade em que a amazônia se encontra para encarar esse fenômeno. as árvores da floresta amazônica são responsáveis por liberar quantidades massivas de umidade em formato de vapor, processo chamado de «rios voadores». por meio deste, são formadas as chuvas que irão cair em diferentes áreas do país, como no sudeste, onde enchem as represas que garantem luz na grande são paulo.

o segundo ponto fica muito claro quando pensamos na tragédia como a que ocorreu no estado do rio grande do sul no ano de 2024. a previsão desses eventos climáticos extremos chega com meses de antecedência, e ainda sim a política insiste em gastar mais para arrumar depois do impacto do que antes para prevenir este. despreparo é diferente de acidente, e os prejudicados são muitos.

em anos de «super el niño», ou seja, quando esse fenômeno chega com muita intensidade, os impactos tendem a ser ainda mais severos, especialmente somados aos efeitos da atividade humana, ampliando a vulnerabilidade de milhões de pessoas em todo o mundo. os efeitos devem chegar ao seu pico entre outubro e o início do próximo ano, mas vale destacar que o aquecimento pode perdurar por meses, influenciando o mundo inteiro.

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o super el niño de 2026 

temporal atinge pelotas

jornal do comércio, 22 de setembro de 2026

o balanço preliminar da defesa civil estadual registrou 336.151 pessoas afetadas em pelotas, o maior número registrado entre os municípios no período. o levantamento aponta ainda uma morte e dois estabelecimentos públicos afetados. os números são preliminares e podem ser atualizados conforme avançar o levantamento dos danos.

vai chuva
hoje o céu está tão lindo (vai chuva)
hoje o céu está tão lindo (vai chuva, é primavera)
hoje o céu está tão lindo (vai chuva, é primavera)
hoje o céu está tão lindo (vai chuva, é primavera)
hoje o céu está tão lindo (vai chuva)

tim maia

por gabi mazza

estamos todos exaustos. sem romantizar ou dramatizar. viver no rio grande do sul virou um enorme desafio. parece episódio de reality de sobrevivência.

por aqui a resiliência entrou na reserva. a paciência no modo avião. a esperança insiste em segurar na mão. e não é filme da pixar. retrato de uma realidade nada «divertidamente».

dia 6 de agosto vivemos um ciclone em pelotas. na madrugada de ontem, algo ainda inominável. não deu nem tempo de respirar. consertar os estragos de agosto.

o que foi aquilo?

vivemos longos minutos de terror. em menos de uma hora o caos. uma cidade virou do avesso. atingidos ou não, todos perdemos. um teto que desaba tem mil significados.

foram vários estragos. as ruas da nossa encantadora satolep sacudidas. e nessas horas a gente diz um pro outro: «que bom que ninguém se machucou». é uma verdade. mas também um consolo. Porque dói demais. pra onde se olhar, um estrago.

em algumas semanas os entulhos serão recolhidos. mas e depois? que horizonte é esse que se avizinha. será um novo normal? se vai ser assim daqui pra frente, a gente precisa conversar muito sobre isso. sobre essa angústia que virou sombra.

porque a mudança exige esforço coletivo. exatamente o que o mundo provou que não tem. universo de disputas egocêntricas. de homens minúsculos, com poderes maiusculos. negacionismo cruel.

eu não quero ser a pesada da vez. logo hoje. não é o esperado de quem escreve poeticamente. mas o recado aqui talvez seja pra gente se olhar. de perto e de longe. Nas nossas vulnerabilidades. e nas dos outros.

a primavera começa hoje, às 21h05. olhando essa terça-feira cinzenta, me ocorreu escrever. continuo sem luz. real e metaforicamente. como muitos ao redor. mesmo que não digam.

por isso lembrei de sugerir. quando tu andar por aí, não economiza. naquela palavra boa ou no possível abraço. estamos todos exaustos. sim. mas estamos de pé. e amanhã já é primavera.

já choramos muito
muitos se perderam no caminho
mesmo assim, não custa inventar
uma nova canção que venha trazer

sol de primavera
abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender

clique no título para ouvir

(beto guedes, 1979)


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#casadosaedos
#américas