de pampa e sertão
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«la pampa es el cielo al reves»
atuahualpa yupanqui
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«sertão é dentro da gente»
guimarães rosa
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antônio açougueiro
por paulo freire
logo que mudei para minha primeira casa no urucuia, conheci o trabalho de seu antônio açougueiro. de manhã bem cedo fui lavar o rosto no rio. quando voltei vi um boi sangrando no curral que havia ao lado de casa, enquanto antônio limpava sua faca.
o sistema era o seguinte: laçava o bruto, levava até um tronco fincado no chão em frente ao curral. amarrava a cabeça do animal rente ao tronco e enfiava uma faca bem afiada pela goela do bicho. o sangue escorria, a perna dobrava, o boi ia amolecendo até morrer. depois cortava ali mesmo. retalhava a carne, pendurava em um pau, cada homem segurava em uma ponta e levava para o açougue de seu antônio.
não tinha luz elétrica. sem geladeira, era preciso que o povo comprasse logo a carne, o resto seu antônio salgava e deixava pendurado na frente do açougue.
ele era engraçado e íamos conversar em seu açougue. paravam por ali alguns viajantes, gente que vendia boi, parentes que passavam pelo povoado. no final da tarde era comum formar uma roda de amigos, embaixo da carne dependurada.
e por aí vai...
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a propósito de açougue
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o famoso relato de atahualpa yupanqui, conhecido como o «conto da solidariedade» (ou do açougue), narra uma viagem pelas montanhas do norte argentino. lá, o dono de uma carnicería lhe oferece pouso e cede sua própria cama — a única que possuía. o homem diz ter um compromisso e sai. no meio da noite, yupanqui acorda e o encontra dormindo. mas onde? em cima de quê?
vai ouvindo
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[minuto 4 em diante...]
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de volta a paulo freire
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enilton atahualpa
conheci paulo freire, o violeiro, em 2002, no rio de janeiro, quando, a convite de daniel viglietti e pedro munhoz, participei da semana nacional da cultura brasileira e da reforma agrária.
participei do evento como correspondente da rádiocom; meu trabalho era enviar boletins diários, um pela manhã, outro à tarde. fora isso, passava o dia às voltas com a nata da cultura brasileira, quando tive contato com vários nomes que até então eu só conhecia pelos livros e discos.
paulo freire eu conheci mais de perto, pois ficamos hospedados no mesmo lugar: o convento de santo antônio, em santa teresa. não só ele; ele e outros tantos. a maioria ficou hospedada nesse mesmo lugar. um lugar histórico e belíssimo.
tomávamos café todos juntos e saíamos para os eventos numa van. foi numa dessas viagens do convento para a uerj que travamos uma larga charla em torno de atahualpa yupanqui. falei para ele do américas e da minha admiração pela obra e a história de atahualpa yupanqui. ele ficou impressionado. curioso como ele só, quanto mais eu falava, mais ele perguntava. e vice-versa. por isso, a dedicatória: enilton atahualpa.
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– e o sumiço?
– que sumiço?
– «vê se não some no próximo show!»
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«vamos dar mais esta volta
na cravelha da viola,
só depois da volta dada
é hora de nós ir embora.»
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e assim vou indo
vai ouvindo
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causo do violeiro misterioso
por paulo freire
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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas
