as pontes de madison
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«e de repente
o resumo de tudo é uma chave.
a chave de uma porta que não abre
para o interior desabitado
no solo que inexiste,
mas a chave existe.»
drummond
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já tive mais certezas, a propósito dessa cena.
refiro-me à cena de francesca e robert em as pontes de madison.
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[et à la fin... sur la route de madison]
tcm cinéma
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hoje, após comprovar que o encanto que algumas mulheres sentem por homens de espírito livre é proporcionalmente inverso à insegurança que têm de conviver com os mesmos, tenho mais dúvidas do que certezas.
francesca foi covarde… ou foi a mais madura dos dois?em «as pontes de madison», francesca teve apenas quatro dias para conhecer robert kincaid e reencontrar algo que talvez há anos não sentia: paixão, liberdade, emoção… e a sensação de voltar a ser ela mesma.quando robert pediu que ela partisse com ele, o amor parecia uma escolha ao alcance das mãos.no entanto, ela escolheu ficar.muitos dizem que foi medo. eu, por exemplo. que faltou coragem para abandonar uma vida que já não a fazia feliz. que ela deixou escapar o grande amor de sua vida.hoje já não tenho tanta certeza.francesca não estava escolhendo entre um homem maravilhoso e um casamento terrível. estava escolhendo entre uma paixão intensa de quatro dias e uma história de vida construída ao longo de anos com sua família.e há algo mais que agora me faz refletir:será que realmente sabemos como teria sido a vida ao lado de robert?conhecemos o robert daqueles quatro dias. sabíamos o que ela sentia quando estava com ele. mas não sabemos como seria dividir a rotina com um homem cuja identidade se moldava na estrada, na liberdade e em uma existência nada convencional.talvez francesca tenha compreendido algo que nós, espectadores, esquecemos no anseio por um grande romance de cinema:um caso de amor pode ser perfeito justamente porque não precisa enfrentar a usura do dia a dia.e ficar também não significou deixar de amar robert. significou reconhecer que amar alguém nem sempre exige escolhê-lo para dividir a vida.talvez não tenha sido covardia.talvez tenha sido maturidade.talvez, sacrifício.talvez, medo.ou talvez uma mistura inseparável dos três.se você estivesse no lugar de francesca, teria aberto aquela porta para partir com robert… ou teria permanecido com sua família?e uma pergunta ainda mais difícil: você acha que, se tivesse partido, ela teria se arrependido?
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todos os dias passamos por esta provação. mas se desde cedo nos acostumarmos com a presença de nossas outras personalidades, sem tentar mascará-las, as escolhas serão feitas com menos trauma.chama-se a isso amadurecimento... eu acho.
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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas
