domingo, 26 de julho de 2026


coração selvagem 

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«aqui estão os loucos. os desajustados. os rebeldes. os criadores de caso. os pinos redondos nos buracos quadrados. aqueles que vêem as coisas de forma diferente. eles não curtem regras. e não respeitam o status quo. você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. porque eles mudam as coisas. empurram a raça humana para a frente. porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.»

jack kerouac

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«se alguém por mim perguntar, avisem que fui por ai passear, bicicletar, arvorar, poemar, escrevinhar, espreguiçar, admirar, aproveitar, adocicar, catar flores, cantarolar, palavrear e amorar.
e começar tudo de novo.»

ita portugal

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ita portugal é maranhense, pedagoga e, por teimosia, desde cedo começou a escrever. esse hábito a persegue há anos. ao mesmo tempo em que escreve compulsivamente, lê. viciada em caio fernando abreu, rubem alves, cora coralina, clarice lispector, aprendeu a não ter vergonha de seus sentimentos. começou a publicar seus textos na internet e logo surgiram leitores e pedidos para que esse material fosse transformado em livro. e assim nasceu certas incertezas, o primeiro livro desta contadora de sentimentos.

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«sinta mais, pense menos»

charles bukowski 

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«se as portas da percepção estivessem livres, tudo se mostraria ao homem como é, infinito.»

william blake

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«que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure.»

vinicius de moraes

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vinicius de moraes é carioca, diplomata de profissão e, por irresistível paixão, desde cedo começou a escrever. esse hábito o perseguiu até o fim dos dias. ao mesmo tempo em que escrevia compulsivamente, amava. viciado no amor, na bossa, na vida e nos encontros, aprendeu a não ter vergonha de seus sentimentos. começou a cantar e publicar seus textos e logo o brasil inteiro tomou seus versos como oração. e assim escreveu o soneto de fidelidade, definição mais que perfeita do que é o amor para este poeta da paixão.

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«uma vez chamaram-me poeta materialista,
e eu admirei-me, porque não julgava
que se me pudesse chamar qualquer coisa.
eu nem sequer sou poeta: vejo.
se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
o valor está ali, nos meus versos.
tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.»

alberto caeiro, 1925

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«há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?»

charles bukowski

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«ninguém é livre, até os pássaros estão presos ao céu.»

zimmerman

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«se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando sábio.»

blake

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ando contra o vento
amo mais o longe que o perto

grill

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pássaros de mesma plumagem

tenho um amigo que disse
que tinha um amigo que dizia
que os pássaros de mesma plumagem
procuram voar juntos.
e que isso vale,
justamente para os amigos.
não conhecia a frase, mas concordei no ato.
boêmios, poetas, músicos e filósofos de botequim concordam.
hoje esse amigo que tinha um amigo que dizia isso,
tem um amigo que sempre repete essa frase.
é fato.
os pássaros de mesma plumagem procuram voar juntos.

martim césar

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pato selvagem

por rubem alves

era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. lá de cima se via muito longe, campos verdes, lagos azuis, montanhas misteriosas e os pores de sol eram maravilhosos. mas, voar nas alturas era cansativo. ao final do dia os patos estavam exaustos. aconteceu que um dos patos, quando voava nas alturas, olhou para baixo e viu um pequeno sítio, casinha com chaminé, vacas, cavalos, galinhas… e um bando de patos deitados debaixo de uma árvore. como pareciam felizes! não precisavam trabalhar. havia milho em abundância. cansado, o pato selvagem teve inveja deles. disse adeus aos companheiros, baixou seu voo e juntou-se aos patos domésticos. ah! como era boa a vida, sem precisar fazer força. ele gostou e fez amizades. o tempo passou. primavera, verão, outono, inverno… chegou de novo o tempo da migração dos patos selvagens. e eles passavam grasnando, nas alturas… de repente, o pato que fora selvagem começou a sentir uma dor no seu coração, uma saudade daquele mundo selvagem e belo, as coisas que ele via e não via mais, campos, lagos, montanhas, pores de sol. aqui embaixo a vida era fácil, mas os horizontes eram tão curtos! só se via perto. e a dor foi crescendo no seu peito até que não aguentou mais. resolveu voltar a juntar-se aos patos selvagens. abriu suas asas, bateu-as com força, como nos velhos tempos. ele queria voar! mas, caiu e quase quebrou o pescoço. estava pesado demais para o voo. havia engordado com a boa vida… e assim passou o resto de sua vida, gordo e pesado, olhando para os céus, com nostalgia das alturas…

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passa
tudo passa 
até o condor passa 

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mochileira deite comigo essa noite
e conte aquela boa velha história
de como as noites são claras em machu pichu
e os dias dourados na califórnia

moça eu não vou precisar ler na sua mão
pra saber que você não vai voltar
pra vida maluca das pessoas
do mundo
das formigas tentando se esconder da chuva

dance mochileira que eu toco a guitarra

mochileira | geraldo roca (1997)
canta: almir sater 

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há uma cidade no norte de ontario
com conforto e sonhos e memória e desamparo
e na minha cabeça, eu ainda preciso de um lugar para ir

azuis, janelas azuis atrás das estrelas
a lua amarela vai subindo
grandes pássaros cruzam o céu

meu bem, agora você me ouve?
as correntes estão trancadas e presas sobre as minhas portas
meu, bem, meu bem, dê um jeito, mas cante comigo

helpless | neil young (1970)

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la la la la la la la
la la la la la la la

wigwam | bob dylan (1970)

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e eu te vejo assim
como uma vela que acende
ou como disse elton john
(like a candle in the wind)

para dylan | zé ramalho (2008)

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wigwam

1. cabana, barraca ou tenda dos índios norte-americanos, feita de peles de animais


2.habitação ameríndia de cobertura oval, típica dos índios do nordeste dos estados unidos da américa

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terra mar e ar

não nasci 
para morrer 
e ficar preso 
às raízes 

meu lugar 
quando eu viajar
e não voltar 
é terra, mar e ar

grill 

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você está comigo quando eu sonho
em toda a minha vida terra, mar e ar

você está presente no que eu penso
nas decisões, nos atos, no que eu sinto
em toda a minha vida terra, mar e ar

eterna viajante do meu peito
eu sei você existe um dia eu vou te achar
e nesse dia claro todas as vontades
virão para te festejar

eu sou só um cara
solitário, caminhando, desejando
esperando por você

levo no meu peito bem guardado
um lugar desocupado
esperando por você

terra, mar e ar | renato teixeira (1994)

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sobre que eu nem sei quem sou

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- quem é você?
- essa é uma boa pergunta
- então responda
- alias
- alias ​​o quê?
- alias, qualquer coisa que você quiser

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as guitarras vão tocar no seu grand finale
lá em algum beco de tularosa
talvez no vale do rio pecos
billy, você está tão longe de casa

https://www.youtube.com/watch?v=38rDhjjSZcA&list=RD38rDhjjSZcA&start_radio=1
billy 1 | bob dylan, 1973
(tradução inglês/espanhol)

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«às vezes o você em minhas canções sou eu falando comigo. em outras vezes, posso estar falando com outra pessoa. se eu estiver falando comigo numa música, não vou parar tudo no meio e dizer: ok, estou falando comigo. você é que tem de adivinhar quem é quem. uma porção de vezes, é você falando com você. o eu também muda. pode ser eu, ou poderia ser o eu que me criou. e, ainda poderia ser outra pessoa que está dizendo eu. quando digo eu neste momento não sei de quem estou falando.»

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prefiro ser um pardal do que um caracol
sim, eu preferiria; se pudesse, com certeza preferiria

prefiro ser um martelo do que um prego
sim, eu preferiria; se pudesse, com certeza preferiria


para longe, prefiro navegar para longe
como um cisne que passa e já se foi
um homem que fica preso ao chão
ele dá ao mundo
sua canção mais triste
sua canção mais triste

prefiro ser uma floresta do que uma rua
sim, eu preferiria; se pudesse, com certeza preferiria

prefiro sentir a terra sob meus pés
sim, eu preferiria; se ao menos pudesse, com certeza preferiria

para longe, prefiro navegar para longe
como um cisne que passa e já se foi
um homem que fica preso ao chão
ele dá ao mundo
sua canção mais triste
sua canção mais triste

https://www.youtube.com/watch?v=QqJvqMeaDtU&list=RDQqJvqMeaDtU&start_radio=1
el condor pasa | daniel robles - julio de la paz (1913)
por simon & garfunkel (com cenas em machu pichu)

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«se souberem onde olhar, é possível saber tudo sobre mim através das minhas canções.»

bob dylan

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procura-se
procura-se na califórnia, procura-se em buffalo
procura-se em kansas city, procura-se em ohio
procura-se no mississippi, procura-se no velho cheyenne
onde quer que você olhe hoje à noite, você pode me encontrar
eu posso estar no colorado ou na geórgia, à beira-mar
trabalhando para um homem que talvez nem saiba quem eu sou
se você me vir vindo, fique na sua, não diga pra ninguém
que estou fugindo e que você sabe quem eu sou
procurado por lucy watson, procurado por jeannie brown
procurado por nellie johnson, procurado na próxima cidade
mas eu tinha tudo o que queria com tudo que tinha
e muito mais do que precisava de algumas coisas que acabaram mal
fui desviado em el paso, parei para pegar um mapa
fui no caminho errado em juarez com juanita no meu colo
depois fui dormir em shreveport, acordei em abilene
me perguntando por que diabos sou procurado nas cidades por onde passo
procurado em albuquerque, procurado em siracusa
procurado em tallahassee, procurado em baton rouge
tem sempre alguém me perseguindo nos lugares por onde vou
e para onde quer que você olhe hoje à noite, você pode me enxergar
procurado na califórnia, procurado em buffalo
procurado em kansas city, procurado em ohio
procurado no mississippi, procurado no velho cheyenne
onde quer que você me procure hoje à noite, você pode me encontrar

bob dylan © 1969 by big sky music
bob dylan / johnny cash - wanted man (take 1)

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canto de mim mesmo

casas e quartos se enchem de perfumes.... as estantes estão entulhadas de perfumes, respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o reconheço, perfumes poderiam me intoxicar também, mas não deixo.

a fumaça de minha própria respiração, ecos, ondulações, zunzuns e sussurros.... raiz de amaranto, fio de seda, forquilha e videira, minha respiração minha inspiração.... a batida do meu coração.... passagem de sangue e ar por meus pulmões, o aroma das folhas verdes e das folhas secas, da praia e das rochas marinhas de cores escuras, e do feno na tulha, o som das palavras bafejadas por minha voz.... palavras disparadas nos redemoinhos do vento, jogo de luz e sombra nas árvores enquanto oscilam seus galhos sutis, delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos campos e encostas de colina, sensação de bem-estar .... apito do meio-dia .... a canção de mim mesmo se erguendo da cama e cruzando com o sol.

walt whitman

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uma vez, me perguntaram quais eram meus três poetas favoritos.
a resposta: whitman, whitman, whitman.

whitman é o xamã da américa — e, como todo xamã, é necessariamente conflituado, necessariamente ambíguo e difícil de compreender.

grill

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«eu me contradigo?
pois muito bem, eu me contradigo,
sou amplo, contenho multidões.»

whitman

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«eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
eu prefiro ser essa metamorfose ambulante»

raul

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«...é que há uma linha muito tênue
entre o que chamamos sanidade e
o que chamamos loucura
e que o esforço que fazemos para
permanecer no lado são
só é feito para que não sejamos
punidos pela
sociedade.
senão, iríamos
frequentemente cruzar essa linha e
as coisas seriam muito mais
interessantes.»

bukowski

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enquanto você se esforça pra ser
um sujeito normal e fazer tudo igual
eu do meu lado aprendendo a ser louco
um maluco total, na loucura real
controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez
vou ficar
ficar com certeza
maluco beleza

metamorfose ambulante / maluco beleza
por belchior

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muda
tudo muda
e se tudo muda
eu também vou mudar

o mundo gira
o vento vira
tudo muda

as casas ficam para trás
o condor passa
os amores passam

tudo passa
e eu continuo aqui

sendo este que sou
sem porquê
nem para quê

apenas sendo

minha maior loucura
foi mudar a mim mesmo

e continua sendo
vai vendo

grill

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meu bem, talvez você possa compreender
a minha solidão
o meu som e a minha fúria
e esta pressa de viver
e este jeito de deixar
sempre de lado a certeza
e arriscar tudo de novo
com paixão
andar caminho errado
pela simples alegria de ser

coração selvagem | belchior (1977)
[legendado]

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sobre que eu nem sei quem sou
(a imagem do post)

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self portrait (junho de 1970)

a capa deste álbum duplo é uma pintura impressionista/expressionista feita pelo próprio bob dylan.

a arte: retrata um rosto simplificado, com pinceladas largas e cores brutas (tons de rosa, azul e cinza), sem a precisão de um retrato realista.

o conceito: o disco foi recebido pela crítica com bastante controvérsia — a famosa resenha de greil marcus na rolling stone começava com «what is this shit?» («que merda é essa?»).

a capa traduz o espírito da obra: dylan desconstruindo a própria imagem de «poeta e profeta» da geração para se redefinir apenas como um artista em busca de experimentação.

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carpe diem
bom domingo