sexta-feira, 24 de julho de 2026


vá e não olhe para trás

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«vá, se mande, pegue tudo que você puder levar
as pedras do caminho, deixe para trás
esqueça os mortos, que eles não levantam mais
o vagabundo esmola pela rua
vestindo a mesma roupa que foi sua
risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor»

bob zimmerman

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ando contra o vento
gosto mais do longe que do perto
minha vida não é um filme
é um livro aberto

vida, minha vida
resolvi falar da minha
cansei de ouvir falar
da vida dos outros

grill

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canção da estrada aberta

jamais vou esquecer o dia que peguei a estrada com os beatniks e me deixei levar. foi o dia que chamei whitman e saí a procura de mim. foi assim que conheci a história de martí, bolívar e san martin... botando o pé na estrada.

andando pela estrada, li as veias abertas e o canto geral. li galeano e li neruda. depois adentrei por gabriel garcía márquez, aldyr garcia schlee, ernesto sábato, octávio paz, rulfo, borges, cortázar e outros mais. conheci o cinema do cubano gutierrez alea e o cinema do argentino fernando solanas. conheci o teatro el galpón e ouvi o tarancón. ouvi as vozes de violeta parra e de victor jara. ouvi as ramilongas de vitor ramil e as milongas de alfredo zitarrosa. ouvi o bandoneón de piazzolla e o silêncio de atahualpa.

nesse dia, não aguentei, e tive que falar.

fui amigo de daniel viglietti. passei uma tarde com caymmi, almocei com bráulio lopez e jantei com pepe guerra. entrevistei león gieco, conheci uma filha do che e o filho de yupanqui. jantei com la negra (como isso sucedeu, nem eu sei), entrevistei e abracei el negro rada e conversei de perto com o príncipe da caatinga, elomar figueira melo.

belo. tudo muito belo.
então pensei: nada, não preciso mais nada.
que nada, parece mentira, peguei de novo a estrada.

dormi na rua e senti frio. não há nada mais triste /que um homem morrendo de frio. o pior frio é a frieza do ser humano. me trataram que nem cão sarnento. teve um dia que na lateral do quartel da brigada fui acordado a pontapé e borrachada. não esqueço, não perdoo.

nesse dia, lembrei de ednardo, eles são muitos, mas não podem voar.

tive a sorte de ter uma amiga, uma irmã de alma, que abriu as portas de sua casa pra me ajudar. sempre vou agradecer e pra sempre vou lembrar.

mas ainda não era a hora de aterrissar.

eu precisava ver meu pai, minha mãe, minha irmã e meu irmão. e foi o que fiz. voei rumo a são luís. foi lá, na ilha do amor e da poesia, ao lado da família, que a poeira começou a baixar. só então, vi de novo a estrada e retomei a caminhada.

por fim, cheguei onde queria chegar -- estou onde queria estar -- no dia que saí à procura de mim e me deixei levar.

isso é tudo? que nada
isso é nada
ainda tem muita estrada.

grill

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«dorme, que a vida é nada!
dorme, que tudo é vão!
se alguém achou a estrada,
achou-a em confusão,
com a alma enganada.»

fernando pessoa

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durmo muito pouco
quem dorme muito
cria pouco

grill

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vida não é filme?

um dos filmes mais bonitos e comoventes que vi em toda a minha vida foi cinema paradiso. quase todas as pessoas que conheço choraram em algumas partes do filme. eu chorei em quase todas. a cena que provocou lágrimas no maior número de espectadores é aquela na qual o velho, pai espiritual e sentimental do rapaz, que lhe ensinou quase tudo o que sabia da vida até então, diz a ele que se prepare para partir do vilarejo rumo à cidade grande: «vá e não olhe para trás; não volte nem mesmo se eu te chamar». o pai manda embora o filho adorado e «ordena» que vá em busca do seu caminho, do seu destino, dos seus ideais...

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cinema paradiso (la despedida) · subtitulado al español

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tabacaria

fiz de mim o que não soube,
e o que podia fazer de mim não o fiz.
o dominó que vesti era errado.
conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
quando quis tirar a máscara,
estava pegada à cara.
quando a tirei e me vi ao espelho,
já tinha envelhecido.
estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
joguei fora a máscara e dormi no vestiário
como um cão tolerado pela gerência
por ser inofensivo
e vou escrever esta história para provar que sou sublime.

fernando pessoa

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ao vento

escrevi sem saber escrever
ensinei sem saber ensinar
falei sem saber falar
fui até onde minhas pernas puderam me levar
quase cheguei lá
mas ainda estou aqui
ainda me falta voar

grill

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pavão misterioso, pássaro formoso
tudo é mistério nesse teu voar
ai, se eu corresse assim
tantos céus assim
muita história eu tinha pra contar

pavão mysterioso | ednardo (1974)

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sem grandes chances.
completamente desprovido de propósito.
ele era um jovem andando de ônibus pela carolina do norte a caminho de algum lugar.
e começou a nevar.
e o ônibus parou em um pequeno café nas montanhas.

nirvana | charles bukowski
lido por tom waits
(legendado em português)

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mais uma taça de café
para seguir caminho
mais uma xícara de café
antes de pegar a estrada

one more cup of coffee [valley below]| bob dylan (1975)
(legendado em português)

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essa estrada vai passar
pela vila da boa esperança
vai cruzar o município dos homens de fé
vai fazer da certeza o seu arraial
na cidade dos homens sem medo
vai fazer o seu ponto final

https://www.youtube.com/watch?v=XT61Y7AKR2g&list=RDXT61Y7AKR2g&start_radio=1
estradas | zé geraldo (1980)

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fotos:

minifúndio café
pelotas 2007
autor desconhecido

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casa da cris
pelotas 2026
por cris valente

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quadro gerado por inteligência artificial

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#américas