quinta-feira, 3 de setembro de 2026


a poesia é maior que a morte 
[clique nos títulos para ver/ouvir]


um planalto de lama
um congresso de urubus
uma catedral de lama
sobre os homens nus 

uma brasília sem asa
uma família sem casa
um país no abate
uma família em mate 

mate, arrremate
empenhe seu couro
praga, peste, agrura, agouro
sanha, isônia, suadouro

no curtume dos sonhos
a vida resiste
no inferno triste
deste matadouro

poema de paulinho lopes
cia. circense, são luís ma
a vida é uma festa (15 anos)
imagem: manilo macchiavello


composição: paulinho lopes. 
participação especial e vocal: rapper marcos costelo. 
flauta e direção musical: zezé alves. 
arranjo: beto ehongue. 
apoio cultural: lucinha lopes. 
imagens: são luís do maranhão


precaução

gasto minha primeira vida
no dia-a-dia
as outras seis, guardo no
fundo do bolso
(pra alguma emergência).
às vezes
me chamam de gata

suzy fernandes


a certeza 
de que sempre pularei
para o lado de dentro da janela
é minha única desculpa
pra subir tantas paredes

mara fernandes 


por ali
dizem
não ligo
sigo
por aqui


pela ilha

[para mara, zeca e suzy
para paulinho
para cb in memoriam] 

no princípio era paulinho
foi ele quem me acendeu as velas
no breu da ilha
sem ele não haveria
nem mara, nem zeca, nem suzy
nem cb, nem os párias
na minha vida 

mara e zeca
nunca mais vi
nem falei

com suzy nos vimos em 2015
numa pizzaria em são luís
nos falamos pelo face e whats
mais que isso:
somos pássaros de mesma plumagem
amigos de fé
irmãos de alma

com os párias e paulinho
a última vez que nos vimos
que me lembro
foi em brasília
no flaac
em 1987
na casa de haroldo saboia
na época
deputado federal pelo maranhão

e aí?
rapaz, nem te conto.
não conto mesmo:
não lembro de nada
ou quase nada.
e o pouco que lembro
é melhor não contar.

e cb?
sobre cb 
daria um poema
o que tenho pra contar

grill 

     
história do tempo - aquilo que o vento - traz contigo do mar
venha depressa - minha conversa - tenho que te escutar
ai, tanta rima - coisa do clima - pira o meu coração
antes de tudo - nada ao futuro - amo aquela ilusão
estou excitado - todo estado - deve o pão repartir.

eu não posso me esquecer 
de nada do que está acontecendo agora, nesse momento...
nesta cidade, neste estado, neste país, neste planeta -
do que estamos fazendo
e o que estamos fazendo para a narrativa da história
eu quero ver se consigo trazer tudo isto
sempre acordado dentro de mim:
este êxtase, esta fotografia
esta música, este cinema
este agora, recém-parido
porque é saber isto tudo agora
e será saber isto tudo, em outro agora
a minha única e verdadeira arma
e isto me excita

composição, voz e violão: nelson coelho de castro
participação especial: liane friedrich (lica)
(nelson coelho de castro, 1983)


e pensar
que tudo
o de hoje 
começou 
ali
embaixo
com bruna e zeca
não 
sem antes 
dizer que 
ainda estou aqui
com bethâna e josé régio 

[clipe de 1982]


eu nem ligo
nem esquento a cabeça
vou com força nas coisas
que eu quero e devo fazer
eles querem que eu
me aborreça, estremeça
e me prenda nas cercas
do seu circo mortal

eu prossigo
e não perco a cabeça
vou traçando as palavras
como eu quero e devo traçar
eles querem que eu
me afobe e confunda
mas eu ponho nas sombras
do seu circo mortal

tem que ser
da largura do arame
o elemento é preciso
estrutura é vital
eu sou
da largura do arame
o elemento é preciso
estrutura é vital

bruna caram canta gonzaguinha
participação especial: zeca baleiro
(afeto e luta, 2020)


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#américas