sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 


suzanne 

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«sou obrigado a roubar porque cheguei tarde demais, pois antes de eu nascer as coisas eram de alguém. por exemplo, "dom quixote" de miguel cervantes, "folhas de relva" de whitman, "tristão e isolda" de wagner, "espanha" era de franco, "guernica" de picasso, "sofia loren" de ponti o "oscar" de marlon brando. a glória era de gardel, as vacas eram de outros e, se restava alguma coisa, julio iglesias as levava.»

facundo cabral

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a cláusula do elevador
[ou: com o chico pode]

por luís fernando veríssimo

porque eram precavidos, porque queriam que sua união desse certo, e principalmente porque eram advogados, decidiram fazer um contrato nupcial. um instrumento particular, só entre os dois, separado das formalidades usuais de um casamento civil. nele estariam explicitados os deveres e os compromissos de cada um até que a morte — ou o descumprimento de qualquer uma das cláusulas — os separasse.
quando chegaram à parte do contrato que trataria da fidelidade, ele ponderou que a cláusula deveria ter uma certa flexibilidade. deveria prever circunstâncias aleatórias, heterodoxas e atenuantes. em outras palavras, oportunidades imperdíveis. e exemplificou.
– digamos que eu fique preso num elevador com a luana piovani. depois de dez, quinze minutos, ela diz «calor, né?», e desabotoa a blusa. mais dez minutos e ela tira toda a roupa. mais cinco minutos e ela diz «não adiantou», e começa a desabotoar a minha blusa… o contrato deveria prever que, em casos assim, eu estaria automaticamente liberado dos seus termos restritivos. ela concordou, em tese, mas argumentou que a licença pleiteada deveria ser específica. ficou decidido que ele estaria automaticamente liberado da obrigação contratual de ser fiel a ela no caso de ficar preso num elevador com a patrícia pillar, a luma de oliveira e a luana piovani. isto estabelecido, ela disse:

– no meu caso…
– como, no seu caso?
– no caso de eu ficar presa num elevador com alguém.
– quem, por exemplo?
– sei lá. o maurício mattar. o raí. o renato gaúcho...
– o renato gaúcho não!

foi uma negociação longa e difícil, durante a qual ele vetou vários nomes, até ser obrigado a concordar com um, por absoluta falta de argumentos. ela estaria liberada de ser fiel a ele se um dia ficasse presa num elevador com o chico buarque. com o chico buarque pode. mas só com o chico buarque...

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«eu não, nesse elevador não ponho o pé eu não, pé eu não
eu não, nesse elevador não ponho o pé eu não»

kledir ramil

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«não fode
chico é chico
chico é pra quem pode»

grill 

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chico

[por tom cardoso]

andarilho contumaz, chico manteve por algum tempo a rotina de caminhar pela orla do rio sem ser incomodado. a internet acabou com o sossego. qualquer coisa virou assunto. a partir da metade dos anos 2000, chico não compareceu mais a peças, filmes e shows de amigos.

«eu em geral não vou mais a estreias, porque muitas vezes a plateia trabalha mais que o artista. tem que estar bem vestido, a sua roupa vai ser comentada, essas coisas. minha empregada outro dia ficou com vergonha porque apareci com a mesma camisa em dois acontecimentos sociais.»

como se não bastasse administrar as chateações impostas pelo sucesso, chico ainda sofre de algo não tão comum para todo artista: o peso de ser o muso da sua geração. apesar da inegável beleza dos olhos cor de ardósia (ou seriam verdes ultramarinos?), ele rejeita a imagem de símbolo sexual: «não me considero um homem especialmente bonito», disse a uma revista feminina, e acrescentou para um jornal:

«não acho que tenha essa imagem não. não sou símbolo sexual, digo sinceramente. se eu fosse, estava contente. sou até uma pessoa desajeitada, um pouco inábil com as mãos, que funcionam de um jeito esquisito. não estou querendo fazer contrapropaganda das minhas qualidades, mas não acredito nelas.»

o compositor admitiu que, no início da carreira, ainda solteiro, escrevia canções também com o objetivo de ser visto de uma maneira mais sedutora pelas mulheres por quem se interessava. muitas dessas mulheres ele admirava à distância, apenas de forma platônica. era o caso da socialite eleonora mendes caldeira, para quem compôs, em 1966, «morena dos olhos d'água», na esperança de diminuir o abismo entre os dois...

antes de seguir em frente
voltemos ao elevador

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«foi uma negociação longa e difícil, durante a qual ele vetou vários nomes, até ser obrigado a concordar com um, por absoluta falta de argumentos. ela estaria liberada de ser fiel a ele se um dia ficasse presa num elevador com o chico buarque. com o chico buarque pode. mas só com o chico buarque... »

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«eu não, nesse elevador não ponho o pé eu não, pé eu não
eu não, nesse elevador não ponho o pé eu não»

ramil

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«eu também não, nesse elevador não ponho o pé eu não
conheço o meu lugar»

grill

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atire a primeira pedra
quem nunca levou um carão
um fora
«uma tábua»
eu levei vários
pensando bem
até gostaria de ter levado mais
recordo quando era adolescente
e veraneava nas praias de santa vitória do palmar
e saía do hermenegildo em direção à barra do chuí 
e vice-versa
pela beira da praia
num fusca lotado
sim
naquela época 
a noite era uma criança 
havia boate na barra e no hermena 
dia sim e no outro também 
se um dia era aqui
no outro era lá
eu tava em todas 
não perdia uma 
boate, digo
pois mulheres
perdi várias
algumas 
porque não me quiseram mesmo
outras
porque fui covarde 
não tive coragem de atravessar a pista
para convidá-las para dançar 
e a maior dor não é pelas que me disseram não
e sim pelas que 
lá atrás
quando eu era jovem
e a estrada parecia sem fim
 eu não disse sim

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de volta à morena
morena dos olhos d'água 

«eu lembro que ia à missa dos dominicanos. eu e minha turma para ver a eleonora. ela era simplesmente maravilhosa, mas eu não ousava chegar muito perto. tinha medo de tirar pra dançar porque podia levar uma tábua, como se dizia na época. mas, depois que eu virei famoso, deu pra chegar a ela sem medo de levar tábua.» 

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de volta ao livro de tom cardoso

as irmãs dizem tê-lo visto dedicando a mesma canção feita para eleonora para outras morenas --- de olhos d'água ou não. uma artimanha mais do que justificável no seu caso, em que a facilidade de compor lindas e sofisticadas canções de amor é infinitamente maior do que o traquejo com as mulheres. é o que ele vive alardeando por aí. «não sou o sedutor que comentam.»

há controvérsias. essa história de ficar dedicando uma mesma canção para mulheres diferentes não durou muito tempo --- chico se casou com a atriz marieta severo, em 1966, aos 22 anos. os dois foram apresentados por um amigo comum, o ator hugo carvana, que na época encenava uma peça com marieta e produzia seu primeiro show, meu refrão, na boate arpège, no leme.

as canções de amor, porém, continuaram brotando. chico precisa estar apaixonado para alimentar o compositor --- do jeito que for possível.

«falam que o artista só faz música para pegar mulher. mas aí geralmente acontece o contrário, o artista inventa uma mulher para pegar a música.»

«quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. e a moça da farmácia? ela foi embora! elle est partie en vacances monsieur! e você não vai vê-la nunca mais. dá uma solidão. eu estou fazendo uma caricatura,mas essas coisas acontecem. você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. e fica feliz e escreve músicas.»

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ver-te / algo teu
[nelson coelho de castro] foi tão bom te ver rever-te ver-te como antes de rever-te nos vimos agora no solitário agora ver-te verte tudo com sabor e tudo do primeiro louco ver-te no mais o coração ainda está apaixonado como apaixonado ainda está o ver-te e ver-te novamente verte o ver-te igual e necessariamente é preciso sempre ver-te

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lembrei da ilha
dos MUITOS beijos 
que quis dar
e não dei

grill 

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o(s) beijo(s) que não dei 

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seguimos 
de volta ao livro de tom cardoso
de volta a chico 

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no começo de março de 2005, chico foi fotografado beijando uma jovem e bela mulher na praia do leblon. o que seria apenas mais um episódio da falta de privacidade enfrentada pelos artistas, perseguidos diariamente por paparazzi na zona sul da cidade, virou assunto do mês. um escândalo: a moça, a produtora cultural celina sjostedt, 25 anos mais nova que chico, era casada, mãe de dois adolescentes.

logo se soube mais: o marido traído, o pianista ricardo sjostedt, o duna, conhecia chico havia muitos anos. querido pelos músicos da cidade, próximo da família de tom jobim, era dono de um estúdio frequentemente procurado para ensaios de pré-produção. chico recorrera a ele algumas vezes, a primeira em 1984, nas gravações do disco lançado no primeiro ano.

chico e celina silenciaram. duna, não. em entrevista à coluna de mônica bergamo, da folha de s. paulo, publicada dias depois do flagra, o pianista deu a entender que aquele não havia sido o primeiro flerte de chico e celina. «o que acontece é que esse cidadão tem uma fixação pela minha mulher, talvez por ela ser muito bonita, e fica investindo (...). só quero que ele deixe a nossa vida em paz, bote na balança que temos família e vá procurar alguém da idade dele. talvez em uma clínica geriátrica..»

o caso repercutiu bastante. foi do cantor e humorista cearense falcão o comentário mais espirituoso: «tomar chifre do chico buarque é mais importante do que ganhar um grammy».

o veterano artista e a moça não foram mais vistos juntos, pelo menos em público. duna e celina separaram-se tempos depois do episódio, após 15 anos juntos.

chico não falou sobre o assunto nem quando a história esfriou.

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eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
e não posso falar
tou me guardando pra quando o carnaval chegar

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falando em carnaval

a verdade é que desde garoto chico se recusa a seguir um ensinamento repassado pela mãe. toda vez que se deparava com uma vadiagem do filho, maria amélia repetia: «juízo e alegria!» chico a confrontava, sabedor da dificuldade de associar uma à outra. «mamãe, ou juízo ou alegria.»

o rio de janeiro dos anos 1960 e 1970, um paraíso para qualquer hedonista, era uma cidade cheia de tentações até mesmo para o mais ajuizado dos homens. e chico, que não era uma coisa nem outra, tampouco capaz, como desejava a mãe, de equilibrar razão e emoção, caiu nas farras muitas vezes.

e o desequilíbrio se agravou depois que o compositor se tornou amigo de copo do mais beberrão, notívago e mulherengo morador da zona sul carioca: tarso de castro. marieta, por razões óbvias, destestou as novas amizades do marido, embora as antigas não fossem também lá muito confiáveis.

numa dessas noites, depois de uma briga feia com marieta,acabou no apartamento de tarso, que não perdeu tempo: chamou duas amigas para irem lá passar o resto da madrugada. marieta, porém, se arrependeu e foi atrás do marido. chegou ao apartamento e deu de cara com o quarteto. chico tentou, ridiculamente, convencê-la que ambas eram namoradas de tarso --- insaciável, este não se contentaria apenas com uma. não colou.

após reduzir a bebida, chico não foi mais visto com frequência na companhia de sujeitos como tarso e, consequentemente deixou de se meter em tantas confusões.mas isso não impediu que as encrencas chegassem até o compositor. nesse caso, só havia um culpado. na verdade, dois. os olhos verdes ultramarinos. ou seriam cor de ardósia?

o casamento de chico e marieta, não formalizado em cartório, terminou em 1997. os dois, que tiveram três filhas, silvia, helena e luísa, continuaram grandes amigos. durante um período, ele almoçou todos os domingos na casa da gávea, que ficou com marieta --- ela ajudou o ex-marido a mobiliar o apartamento de solteiro no jardim botânico. em 1999, o músico se mudou para um prédio no leblon, onde mora atualmente.

a solteirice não mudou a rotina de vida de chico que apesar do histórico de farras com tarso de castro, não vê serventia na possibilidade, aberta pela fama, de se relacionar com muitas mulheres. «tem outro [erasmo carlos] que falou que teve mil mulheres. eu digo: "bom, mas então, não foi bom com nenhuma..." não acho vantagem».

em 2005, uma enquete promovida por um site de notícias elegeu chico um dos homens mais sexy do brasil. para ele, tão patético quanto aquele tipo de pesquisa eram os resultados. «isso é ridículo, e essa lista é ridícula. tenho 60 anos, percebe?

trocando em miúdos: seis vezes chico, p. 115 a121

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lendo as histórias de chico e tarso
lembro que
anos atrás
quando tava solteiro
desejei muito uma mulher casada
começamos a nos falar pelo orkut
ela me disse que havia sido minha aluna
eu perguntei: quando?
ela disse o ano
olhei pra foto no perfil dela
pensei pensei pensei
puxei pela memória
mas que coisa
não é possível que eu não me lembre dela
o porquê está logo ali na frente
em LETRAS GARRAFAIS
seguimos
conversa vai, conversa vem
lá pelas tantas
ela comentou que ia no show do vitor ramil
[de quem ela era e ainda é muito fã
e eu também]
não falei nada
mas pensei
eu vou também
mas como, se eu não tenho um puto
nem um centavo
tô sem trabalhar há meses
tô afastado
distante da cena cultural
há anos não vejo o vitor
tô sem jeito... tô desenchufado ...
escrevi então uma coluna para o diário popular
com o seguinte título
«será que vem alguma carta pra mim?»
falando de minha admiração pelo cara
pedi que a coluna fosse publicada no dia do show
e pedido foi atendido
saí então cedo da casa da cris
minha amiga
irmã de alma
passei na sede do jornal
pedi três exemplares
um, pra mim
outro, pro vitor
e o outro pra mulher em questão
fui para o teatro
entrei
assisti à passagem de som
quando terminou
fui em direção ao vitor
ele ficou feliz e surpreso ao me ver
não era pra menos
não nos víamos há muitos anos
entreguei o jornal pra ele
falei de meu desejo de assistir ao show
ele disse: claro, cara
peraí que vou falar com fulano de tal
falou
nos despedimos
ele foi para um lado
eu para outro
voltei acho que uma hora antes das portas do teatro abrirem
fiquei ali parado
pensando em como eu era iluminado 
que até o momento tudo corria conforme eu tinha planejado 
cuidado
 nem sempre a autoconfiança é o melhor aliado.
eu havia esquecido algo muito importante 
para que aquela noite terminasse do jeito que eu havia desejado
EU SOU PÉSSIMO FISIONOMISTA 
quando as portas abriram
eu fui o primeiro a entrar
me posicionei num lugar estratégico
onde eu pudesse ver todos os que entravam
e todos os que entrassem pudessem me ver 
portas abertas
as pessoas foram entrando
lá pelas tantas
uma mulher alta e morena 
vem toda sorridente ao meu encontro
olhei para os lados 
pensando
não pode ser pra mim esse sorriso todo 
pensei, pensei, pensei
tentando me lembrar de onde eu a conhecia
nisso ela já tinha me dado um 
e aí, enilton
e eu ali
com aquela cara de
de onde que eu te conheço?
quando a ficha caiu
já era tarde
passei o show 
com o ouvido no vitor
e olho na plateia procurando por ela  
a bela
olhava, olhava, olhava
e nada 
terminou o show
voltei pra casa da cris
minha amiga e irmã de alma
entrei no meu quarto
liguei o computador
entrei no orkut
procurei por ela
pelo nome dela
e nada.
eu havia sido bloqueado
sin olvido, ni perdón 
BLOCK 
mas passa
tudo passa
namoramos
noivamos
e casamos
mas passa
tudo passa
depois de quase 20 anos
nos separamos
antes disso
quando voltei de são luís
nos encontramos em porto alegre
na casa da minha madrinha 
quando
entre beijos e gargalhadas
ela me contou
sobre aquela noite
«menos, querido, bem menos
não ia acontecer nada
eu não podia e não queria 
eu era casada»

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trocando em miúdos 
chico é chico
chico só tem um
eu sou um homem comum 

grill 

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e a morena dos olhos d'água?

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morena dos olhos d'água
tira os seus olhos do mar
vem ver que a vida ainda vale
o sorriso que eu tenho
pra lhe dar

descansa em meu pobre peito
que jamais enfrenta o mar
mas que tem abraço estreito, morena
com jeito de lhe agradar
vem ouvir lindas histórias
que por seu amor sonhei
vem saber quantas vitórias, morena
por mares que só eu sei

o seu homem foi-se embora
prometendo voltar já
mas as ondas não têm hora, morena
de partir ou de voltar
passa a vela e vai-se embora
passa o tempo e vai também
mas meu canto ainda lhe implora, morena
agora, morena, vem

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(do dvd à flor dapele)

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e a carta?

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será que vem?
mas de quem virá?
o que irá dizer?
que surpresa encontrar...  

que me vou por aqui
que fiquei por ali 
que me vou por aqui
que fiquei por ali 

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do álbum foi no mês que vem
 
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e suzanne?

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suzanne te leva até seu canto perto do rio
você pode ouvir os barcos passando
você pode passar a noite ao lado dela
e você sabe que ela é meio maluca
mas é por isso mesmo que você quer estar lá
e ela te alimenta com chá e laranjas
que vieram lá da china
e justo quando você pensa em contar a ela
que você não tem nenhum amor para lhe oferecer
então ela te sintoniza na sua frequência
e ela deixa o rio responder
que você sempre foi o amante dela
e você quer viajar com ela
e você quer viajar às cegas
e você sabe que ela vai confiar em você
pois você tocou seu corpo perfeito
com sua mente

e jesus era um marinheiro
quando ele andou sobre as águas
e ele passou um longo tempo observando
de sua solitária torre de madeira
e quando ele soube com certeza
que apenas os homens afogados podiam enxergá-lo
ele disse: «então todos os homens serão marinheiros
até o mar libertá-los»
mas ele mesmo estava quebrado
muito antes de o céu se abrir
desamparado, quase humano
ele afundou sob a sua sabedoria feito pedra
e você quer viajar com ele
e você quer viajar às cegas
e você acredita que talvez confie nele
pois ele tocou seu corpo perfeito
com sua mente

agora suzanne pega sua mão
e ela te leva até o rio
ela está vestida de trapos e penas
dos balcões do exército da salvação
e o sol se derrama feito mel
em nossa dama do cais
e ela te mostra onde olhar
entre o lixo e as flores
há heróis entre as algas
há crianças na manhã
elas se inclinam em busca do amor
e vão se inclinar assim para sempre
enquanto suzanne segura o espelho
e você quer viajar com ela
e você quer viajar às cegas
e você sabe que pode confiar nela
pois ela tocou seu corpo perfeito
com a mente dela

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(live at the isle of wight 1970)

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#américas