domingo, 12 de julho de 2026


causas e «azares»

(ainda estou aqui)

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«enilton, enilton, aquele que anda nu pelo mundo, nu de roupas e até de pele.. anda pelo mundo em carne viva... esse teu andar pela vida em carne viva... dói na carne de quem te segurou no colo ao nascer, pois... não é literatura, é vida mesmo... »
maria elizabeth gastal fassa

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«vivências que constroem história... título: VIDA!»

cris valente

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«são muito poucos os que ainda qurem ser rebeldes»

celso borges

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cafés com história

no café el cairo, que não está no egito e sim na cidade argentina de rosário, roberto fontanarrosa, desenhista e escritor, tem sua mesa. ele morreu faz anos, mas jamais deixou de comparecer. e sempre acompanhado por seu cão mendieta e seu amigo inodoro pereyra, criados por ele.

no café tortoni, de buenos aires, foi fundado o primeiro grupo de artistas e escritores argentinos.

a academia brasileira de letras, presidida pelo romancista machado de assis, se reunia no café colombo, do rio de janeiro.

no café paraventi, na cidade de são paulo, olga benário e luiz carlos prestes imaginavam a revolução brasileira.

nos tempos do exílio, trotski e lênin discutiam a revolução russa no café central, em viena.

algumas obras primas do poeta português fernando pessoa foram escritas no café a brasileira, de lisboa.

enquanto nascia o século vinte, pablo picasso fez a exposição de suas obras no café els quatre gats, de barcelona.

em 1894, o escritor ferenc molnár jogou nas águas do danúbio, as chaves do café new york, de budapeste, para que ninguém trancasse a porta.

em 1921, foi inaugurado em chicago o sunset café, onde louis armstrong e benny goodman abriram as asas da sua música.

eduardo galeano | o caçador de histórias, p. 57 e 58.

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qual é a relação que as causas e os «azares» (acasos) têm para você? existe destino para você? existe casualidade?

silvio rodríguez: – a casualidade e a «causalidade», as duas coisas. eu acredito em ambas. em última análise, e em grande medida, são elas que movem a todos nós, não é? ou seja, um segundo que você demora para se barbear ou para pegar algo e olhar, é um segundo que passa, é uma chance que você usou ou desperdiçou. cada instante está cheio disso, cada instante da vida é um pouco isso, não é? é como a urdidura completa que faz todo o tecido da existência.

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*urdidura: fios longitudinais de um tear.

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«a casualidade não existe, o que nos é apresentado como acaso surge das fontes mais profundas»

friedrich schiller

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a causalidade é bem conhecida do pensamento cartesiano de causa e efeito.
entretanto alguns acontecimentos em nossas vidas escapam dessa lei.
são aqueles fenômenos que por vezes tomamos por simples coincidência, mas que escapam de qualquer explicação lógica.
a esses fenômenos carl jung vai chamá-los de sincoronicidade.

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«sincronicidade é a união de eventos internos e externos de uma maneira que não pode ser explicada por causa e efeito e que seja significativa para o observador.»

carl jung

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«enilton, irmão lindo da alma!

tu és um desses rebeldes, e como!

são oportunidades que vêm por períodos e momentos — quiçá, às vezes, predestinados ou seriam sincronicidades? essas de te encontrar vez ou outra por aqui e sempre me inspirares e me remeteres a reflexões.

caminho pouco por aqui. a juliana diz que não sei me divertir no facebook (e cumprir a função a que ele se destina). é que, quando entro, tropeço em tantas estupidezes que sempre decido sair... mas fico. acho que é também para te encontrar, ver e ler...

tchê, como diz um poeta alemão, tu és um cara realmente imprescindível e necessário para todos nós que lutamos por «um outro mundo possível».

obrigado por me inspirares a ter fé na eterna rebeldia.»

ubirajara cunha

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ao vento

não sei nada de campo e cidade
sei de prantos e reciprocidades
sei de santos e sincronicidades

grill

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quando acabar este verso que canto
eu não sei ― yo no sé, madre mía ―
se me espera a paz ou o espanto,
se o agora ou se o ainda.
pois as causas estão me cercando
cotidianas, invisíveis.
e o acaso vem se enredando em mim
poderoso, invencível.

causas y azares | silvio rodríguez (1986)

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«nada é coincidência...
ninguém cruza o seu caminho por acaso.
alguns chegam como espelhos.
outros como remédio.
outros como mensageiros que você só reconhecerá quando a lição finalmente se revelar.
cada encontro transforma alguma coisa: uma crença, um limite, uma versão de você que precisava morrer para que outra pudesse renascer.
o momento nunca é aleatório.
a alma orquestra aquilo que a mente não consegue explicar.
por isso, preste atenção em quem aparece quando você acha que já terminou de crescer.
essa pessoa pode ser o lembrete, o gatilho ou a chave que abrirá a próxima porta.»

scarlet seixas

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«quantas vezes a gente, em busca da ventura,
procede tal e qual o avozinho infeliz:
em vão, por toda parte, os óculos procura,
tendo-os na ponta do nariz!»

mario quintana

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«nada posso lhe oferecer que não exista em você mesmo. não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma. nada posso lhe dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.»

hermann hesse

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«e de repente
o resumo de tudo é uma chave.
a chave de uma porta que não abre
para o interior desabitado
no solo que inexiste,
mas a chave existe.»

carlos drummond de andrade

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«eu sinto como que se tudo que eu tivesse feito na vida
foi pra encontrar um caminho
pra chegar até aqui
e te conhecer.»

de clint eastwood para meryll streep | em «as pontes de madison»

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dói na alma
por isso choramos,
mesmo depois de termos visto essa cena (link abaixo) infinitas vezes.

a gente sempre espera que dessa vez a chave funcione
que a maçaneta gire na caminhonete sob a chuva forte,
que francesca finalmente abra a porta e mude o destino.

et à la fin... sur la route de madison │ tcm cinéma
(clique no link acima)

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caminhos de si

«a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida», dizia o poeta. por isso, é preciso que estejamos receptivos e atentos ao mundo ao nosso redor, pois «a todo instante rola um movimento, que muda o rumo dos ventos». de repente, do nada, o amor bate à porta. e descobrimos que ele é a chave. a chave de tudo? o amor-próprio. a chave para si mesmo.

no entanto, contudo, todavia...

«é preciso viver para ver
como soube crescer
tanto mistério na flor

é preciso viver para ver
como é difícil saber
que signo carrega o amor»

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jungianas

dos sinais:
guias.

dos símbolos:
definições.

da vida:
estrada aberta.

da morte:
verdade absoluta.

grill

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há uma canção que se vai quando chego
suspeito que seja um tema total
uma chave-mestra de todos os jogos
um pássaro eterno e um sol colossal

há uma canção que me esconde seu fogo
há uma canção que será meu final

que signo lleva el amor | silvio rodríguez (1984)

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fotos:

casa edmundo berchon
pelotas, janeiro de 2009

minifúndio café
pelotas, novembro de 2007

condomínio caravelas
são luís, novembro de 2008

ubirajara cunha e eu
minifúndio café
novembro de 2007

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sua respiração é doce
seus olhos são como duas jóias no céu
sua postura é ereta, seu cabelo é macio
no travesseiro onde você repousa
mas eu não sinto afeição
nem gratidão nem amor
sua lealdade não é por mim
mas para as estrelas do céu

mais uma xícara de café para seguir caminho
mais uma xícara de café antes de ir
para o vale profundo

seu pai é um foragido e um traficante
ele te ensinou como selecionar e escolher e atravessar uma faca
ele supervsiona seu reino e assimnenhum estranho se intromete
sua voz treme e ele reclama por mais um prato de comida

mais uma xícara de café para seguir caminho
mais uma xícara de café antes de ir
para o vale profundo

sua irmã prevê o futuro assim como você e sua mãe
você não sabe ler nem escrever
não há livros na sua estante
e seu prazer não conhece limites
e sua voz soa como a de uma cotovia
mas seu coração é como um oceano
misterioso e sombrio

mais uma xícara de café para seguir caminho
mais uma xícara de café antes de ir
para o vale profundo

one more cup of coffee | bob dylan (1975)

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#carpe diem
#bom domingo