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«cresça!»
luiz inácio lula da silva
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«um homem completo, no entanto, sabe que mesmo seu mais feroz inimigo, não um só, mas um bom número deles, não chega aos pés daquele terrível adversário, ou seja, aquele "outro" que "habita em seu seio".»
c. g. jung, em psicologia do inconsciente
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dr. jekyll & mr. hyde
quando jung conheceu o maior hyde da história, ele não descreveu um homem. ele descreveu uma coisa.
anota o que jung disse, com a boca dele, quando viu hitler:
«hitler causou a impressão de uma espécie de andaime de madeira revestido de tela, um autômato com máscara, como um robô, ou uma máscara de robô. era como se estivesse de mau humor, um sujeito emburrado. não deu mostras de qualquer sinal humano, por mínimo que fosse. faz-nos sentir que nunca seremos capazes de falar com ele; porque não há com quem se falar. ele não é um homem; é um ser coletivo.» (entrevistas e encontros)
leia de novo.
não é um homem. é um ser coletivo.
jung não viu um ser humano ali. viu um boneco oco.
um andaime. madeira por dentro, pano por fora. sem gesto humano. sem calor humano. sem alma.
porque hitler não era hitler. ele era o microfone da sombra de um povo inteiro.
todo o ódio que o alemão bom não tinha coragem de dizer em casa, aquele boneco dizia no palanque. toda a inveja, todo o racismo, toda a vontade de culpar o outro, de fuzilar...
o povo não seguiu um homem. o povo se ouviu gritando através de um robô.
e se sentiu forte. pela primeira vez, pôde ser mau em público e ser aplaudido por isso.
é isso que acontece quando o hyde governa.
agora olhe para o espelho.
não precisa de nome. você sabe.
quando você vê alguém que simula metralhadora para fuzilar o próprio povo e você ri.
quando você vê alguém que pesa gente preta em arroba e você aplaude.
quando você vê alguém que diz que ter filho gay é falta de porrada e você concorda.
quando você vê alguém que chama o pobre de burro que só serve para votar e você vota nele.
quando você vê alguém que ri de quem está sem ar e você acha engraçado.
pergunte:
quem ali está falando? um homem? ou um andaime oco revestido de tela, repetindo exatamente o que você tem de pior e nunca teve coragem de falar sozinho?
jung avisa: quando você apoia um homem sem sinal humano mínimo, sem capacidade de ter uma conversa humana, você não está apoiando um homem.
você está emprestando sua alma para um robô usar como máscara.
e esse robô não tem alma para te devolver.
ele é um ser coletivo. ele é feito dos pedaços da sua sombra que você não teve coragem de encarar.
por isso você o ama. porque ele te dá permissão para ser mau sem culpa.
mas jung também avisa o final dessa história:
o andaime de madeira sempre cai. sempre.
e quando cai, não sobra um homem para julgar.
sobra um país inteiro que vai ter que olhar no espelho e responder:
o que eu fiz quando o hyde falou com a minha voz?
quem ainda tem uma lanterna acesa por dentro, desliga o microfone do robô agora.
quem já virou andaime, continua aplaudindo.
quem já virou andaime, continua aplaudindo o substituto.
c. g. jung, «entrevistas e encontros».
do perfil «sou além + jung» (facebook).
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epílogo
uma coisa dessas quase chegou a governar o mundo!
os povos conseguiram dominá-la, mas ainda
é muito cedo para sair cantando vitória:
o ventre que gerou a coisa imunda continua fértil!
bertolt brecht
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«não cresça, meu filho, não cresça jamais
os grandes fazem ao mundo muito mal»
facundo cabral
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quando por cinco vezes a terra cedeu
a pesadelos de fogo e de água
(naquela que tem sido a história das grandes extinções)
foram os frágeis que se alastraram tão quietos ─
porque não tinham nome nem rosto
esconderam-se sem que os percebessem
foram para o escuro fundo, em
mares inconsoláveis
foram por entre vales de ossos imensos e
protegeram-se na curvatura da sombra
foram morar na última fenda do
último tronco ─
como se tudo insistisse num
último coração —
dentro da sequoia
são os vencidos que têm carregado o mundo
são lobas que há dias emagrecem, regurgitando
em bocas de ninhadas ainda cegas
são pássaros de asa quebrada, que
estremecem nas mãos
são algum pulso
e alguma lua
são homens e mulheres sem lugar, recurvados sobre
si como pendendo
a uma pergunta sem pronúncia
os menores é que rompem ao meio
o medo
e suspendem a vida num fio claríssimo de seda em que
a morte não toca
mar becker
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sonho com serpentes, com serpentes do mar
com certo mar, oh, de serpentes sonho eu
grandes, transparentes e em suas barrigas carregam
o que pode acabar com o amor
oh, eu a mato e surge uma maior.
oh, com muito mais inferno em digestão.
não caibo em sua boca. ela tenta me engolir.
mas se engasga com minha alma.
acho que está louca: dou a ela para mastigar
uma pomba da paz, e a enveneno com meu coração.
oh, eu a mato e surge uma maior.
oh, com muito mais inferno em digestão.
esta enfim me engole, e entro por seu esôfago,
vou passando, pensando no que acontecerá
mas ela se destrói quando chego ao seu estômago
e planto com um verso uma verdade.
oh, eu a mato e surge uma maior.
oh, com muito mais inferno em digestão.
👇
(silvio rodríguez, 1974)
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ao vento
a virada tá acontecendo
isso é fato
as pesquisas mostram
e as ruas provam
mas o que vai acontecer
daí pra frente
ainda é uma incógnita
nessas horas
é sempre bom lembrar
que é quando tá acuado
que o bicho mostra os dentes
por outro lado
não custa avisar
que a incógnita do dia seguinte
não é o destino do bicho
é o tamanho do espelho
que o homem vai ter que encarar
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coração tranquilo
há quem passe a vida procurando o caminho do meio e, apoiado na razão, machuque o coração. não é o meu caso. ando pelos extremos. coabito tanto na superfície quanto submerso. escrevo às vezes em prosa e outras em verso. a palavra é o meu universo. verso e reverso. nunca tergiverso. rio e mar. às vezes dou risada e outras tenho vontade de chorar. mas não sou bipolar. o bipolar tem dificuldade para dormir e acordar. eu durmo bem e acordo melhor ainda. tenho a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. não me vendo nem me alquilo.
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si vas hacia el centro
de este verde lugar
encontrarás mi pueblo
donde nací
pregunta por mi padre
y te sabrán decir
que es un campesino
amigo del sol
de este verde lugar
encontrarás mi pueblo
donde nací
pregunta por mi padre
y te sabrán decir
que es un campesino
amigo del sol
busca a mi padre y dile que estoy bien
que mi conciencia sigue libre
y que siguen muy mansos mis pensamientos
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(león gieco, 1974)
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imagens:
registros de um carreteiro que fiz para o meu pai
são luís, maranhão — outubro de 2008
são luís, maranhão — outubro de 2008
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américas - para o povo o que é do povo
em breve, na rádiocom 104.5 fm
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#salacheguevara
#casadosaedos
#lula13
