terça-feira, 27 de outubro de 2026


das voltas que o mundo dá

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sem medo de ser feliz

mundo, ó mundo
quem teme o raso
jamais chegará ao fundo.

– tens medo?
– é tarde demais para ter medo.

grill

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em 1983, quando cheguei em são luís (ma), eu já era petista. por influência do velho, no entanto, ainda mantinha um pé no pdt de brizola. naquela época, minha irmã e meu irmão estudavam na escola santa teresa, bem na subida para a praça joão lisboa, e meu pai passava o tempo no bar da zulmira esperando os dois saírem. foi nesse bar, por intermédio de meu pai, que conheci paulinho lopes, na época, paulinho pt. daí foi um passo pra fincar os dois pés definitivamente no partido.

foi também através de paulinho que conheci os poetas da akademia dos párias. éramos (e ainda somos) amigos, andávamos sempre juntos, frequentávamos os mesmos lugares, gostávamos das mesmas coisas, mas havia algo entre nós que não fechava, que não coincidia. enquanto paulinho e eu éramos declaradamente, escancaradamente partidários do pt, nossos amigos párias estavam mais para poetas anarquistas do que para militantes petistas ou soldados lulistas.

corre o vento, o rio passa e hoje tenho a impressão de que a ordem se inverteu: paulinho e eu estamos mais para anarquistas, enquanto nossos amigos poetas da akademia dos párias estão mais para militantes petistas e soldados lulistas.

foi pensando nessas voltas que o mundo dá, que hoje acordei, preparei o mate, sentei em frente ao pc e pensei numa pergunta vinda da europa pra mim: «e aí, petista? tá feliz?». aí me perguntei: será que ela sabe que hoje sou crítico do pt e tá fazendo graça, ou será que ainda pensa que sou aquele petista que vestia a camiseta e empunhava a bandeira à luz do dia em plena praça? enquanto pensava nisso, surgiu a entrevista de valter pomar no programa 20 minutos, de breno altman. depois de assistir à entrevista, lembrei da pergunta: «e aí, petista? tá feliz?». sim, estou feliz. nem tudo é conciliação; ainda há vida combativa no pt.

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20 minutos

nesta edição do 20 minutos, breno altman recebe o historiador e dirigente petista valter pomar para debater os caminhos da esquerda brasileira. independentemente do resultado imediato, discutimos as estratégias de reorganização popular, o enfrentamento à extrema-direita e o futuro do pt e dos movimentos sociais no novo cenário político que se desenha no país.

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 (os desafios do pt e da esquerda com o quarto governo lula) 

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antes mundo era pequeno
porque terra era grande
hoje mundo é muito grande
porque terra é pequena
do tamanho da antena parabolicamará
ê, volta do mundo, camará
ê, ê, mundo dá volta, camará

(gilberto gil, 1992)

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#salacheguevara
#casadosaedos
#américas