segunda-feira, 5 de outubro de 2026


como nossos pais

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os filhos
pena
herdaram dos pais
o extintor de incêndio
e o medo do poema

grill

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«os jovens de todas as épocas e de todos os países sempre se entusiasmaram com as grandes idéias de transformação, eram revolucionários, mas se mantinham dentro do famoso esquema "todos nascemos incendiários e morremos bombeiros".»
umberto eco

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ocaso

o caso
se o caso é chorar
choremos com tom zé
(no jardim da política)

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rádio brasil de fato
1 de setembro de 2018
brasil de fato: como surgiu a ideia de fazer o álbum «no jardim da política», em 1984?

tom zé: foi um momento em que os militares tinham compreendido que era necessário sair do poder, porque o exército sempre teve um cuidado com a sua decência moral. eles perceberam que a corrupção estava em toda parte, roendo as expectativas e o próprio exército. «no jardim da política» surge nesse período. a música «classe operária» é um banho, um «reductio ad absurdum» (do latim, redução ao absurdo). vou dizer algo tão absurdo que você vai perceber que estou falando ao contrário. «sobe no palco o cantor engajado tom zé, que vai falar dos operários, tratar dos operários, mas não há nenhum operário no palco. mas tom zé e seus amigos sabem o que é bom para os operários». qualquer pessoa de raciocínio médio vai dizer «como esse cara é louco, como a gente é metido besta, pensando que vai resolver o problema dos operários sem consultá-lo». pois teve amigo meu engajado politicamente que virou a cara pra mim. e no jardim da política tem «marcha partido», «dólar» e «vá tomar»: «meta sua grandeza no banco da esquina/ vá tomar no verbo seu filho da letra/ meta sua moral, regras e regulamentos, escritórios e gravatas, sua sessão solene/ pegue junte tudo, passe vaselina, enfie só que meta, no tanque de gasolina». isso é fazer política ou não é? era o que nós podíamos falar porque a censura havia afrouxado um pouco.

brasil de fato: ainda que sem intencionalidade, esse álbum reflete o posicionamento esperado pelo público de um artista sobre determinado momento político?

tom zé: eu fiz várias canções sobre o cenário que se tinha durante a ditadura. tem aquela que diz assim: «todo compositor brasileiro é um complexado, porque então essa mania de falar tão sério, de sorrir tão sério, de trepar tão sério! ah, meu deus, vá ser sério assim no inferno». essa música está no álbum «todos os olhos», de 1973. me inspirei no general ernesto geisel e na fala dele sobre termos uma «democracia relativa», além de falar sobre a liberdade que buscávamos. «a liberdade é uma graça, todo dia se decifra, todo dia se disfarça…» era uma informação comprimida, uma bomba comprimida.

brasil de fato: sobre a atualidade, como você tem visto o cenário político do brasil?

tom zé: o brasil é comandado por grupos que têm interesses particulares. é por isso que não se pode eleger ninguém que está na câmara dos deputados ou no senado. temos que eleger outras pessoas e tentar algo diferente. nós estamos com o país atravancado por interesses pessoais, então é preciso eleger um governo completamente novo. temos um presidente da república que, para se manter no poder, distribuiu uma fortuna a deputados para não ser processado. hoje estou com 81 anos, mas um dia tive 17, e tive que procurar esperança na música, no livro, na escola. os meninos de hoje podem procurar esperança em algum lugar?
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e diante desta contradição ideológica
te ofereço a rosa comemorativa
desta tua democracia relativa.

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se continuarem assim,
todos os operários vão ser demitidos,
talvez até presos,
porque ficam atrapalhando
tom zé e o seu público, que estão cuidando
do paraíso da classe operária.

(tom zé, 1984)

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«música de protesto é um método jesuítico, como o que (o educador) paulo freire chama de "hospedar o opressor". eu faço "classe operária" como se fosse o opressor hospedado no cantor»
tom zé

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falando em paulo freire

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✍️ texto de guto ruocco
(via #repost @tomzeoficial)
tom zé mal começou o show e já estava saudando a saga do reitor edgar santos da universidade federal da bahia que deu ao alemão koellreutter plenos poderes para organizar a renomada escola de música da ufba, que o formou, além de toda uma geração de artistas contemporâneos da melhor música brasileira. depois citou paulo freire e a triste confusão do oprimido que conquista direitos e se torna opressor quando a educação não é transformadora antes de interpretar «esquerda, grana e direita».

depois, emendou seus clássicos, alguns urrados por uma plateia ávida de canção inteligente e coragem artística. terminou o show saculejando o decadente teatro municipal «caindo aos pedaços» de mococa para forrozear ao som de xique-xique e com a plateia hipnotizada pelo amor e pela generosidade de tom zé. o artista de irará mostrou aos 82 anos que continua com vitalidade do menino tropicalista que mantém a sua mensagem política-libertária nos cascos. obrigado, te amo.
#reposttomzé
#repostgutoruocco

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de volta ao ocaso

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se o caso é chorar
te faço chorar
se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor.

tom zé, 1972

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#alutacontinua
#nãopassarão
#veneceremos

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#lula2026