sexta-feira, 31 de julho de 2026


 volta belchior
(deus lhe pague)

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da orelha do livro

todos os amigos de tarso têm algo em comum: brigaram com ele um porrilhão de vezes. azar de quem estava brigado com ele quando morreu: nunca mais, disse o corvo, poderá fazer as pazes. aconteceu com dois ou três. eu, por exemplo, briguei feio com o cara. e tarso, quando estava brigado com alguém, o mínimo que fazia era dar chutes abaixo da cintura, e nem sempre metaforicamente. tive direito, por causa da nossa desavença, a um anúncio de falecimento na folha de s. paulo. causa mortis: fui atropelado pelo meu mau caráter, dizia o texto. era desleal, injusto e implacável com seus desafetos: «para os meus amigos tudo, pros meus inimigos nem justiça!», era um dos seus bordões. mas toda essa agressividade era só para mascarar que no fundo o rapaz era uma moça, superafetuoso e generoso com os amigos e as mulheres.

jaguar

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13 de agosto de 2023

biógrafo - oi enilton, boa tarde, tudo bem? vc pediu dois do caetano e um do socrates, ne? o outro do caetano é para quem? para eu fazer a dedicatória.
desculpe qualquer coisa
abração

enilton - boa tarde...
imagina, cara
tranquilo
eu pedi um do caetano, um do tarso de castro e outro do sócrates
são três livros
caetano, tarso de castro e sócrates
os três pra mim

biógrafo - eu posso te mandar o do tarso e do socrates amanha e do caetano na outra semana? é que to sem caetano aqui
me passa por favor seu endereço
desculpe o aluguel

enilton - imagina... tranquilo
mas será que vai ter o do caetano semana que vem?

biógrafo - caetano
sim, certeza

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29 de setembro de 2023

enilton - bom dia
alguma notícia do livro do caetano?
abrazo

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6 de outubro de 2023

enilton - boa tarde
alguma notícia do livro do caetano?

biógrafo - ta na fila!

enilton - qual a previsão de entrega? é bom lembrar que quando eu comprei não me foi informado que eu entraria em fila para a entrega do livro!!!
aguardo retorno...
tem quantos na minha frente?

biógrafo - estou consultando aqui... 265.

enilton - cara, te paguei pelo livro e tu não me deu as informações corretas... qual é? tá de brincadeira? caso, sim, devolve meu dinheiro.

biógrafo - qual o seu pix?

enilton - já te passei. trata de ser mais organizado, vou te passar de novo e me devolve o dinheiro de uma vez, no valor correto, que até nisso tu vacilou comigo, me deu um preço e depois inventou outro...

biógrafo - cara, se voce me der mais um sermão, vai ter que pegar o dinheiro pessoalmente.. ai nao me responsabilizo
então fica na miúda ai e nao me enche o saco
esqueci
quanto te cobrei mesmo?

enilton - 85 pila... se tu me pagar a passagem, não tem problema, vou aí e pego meu dinheiro, bem tranquilo e feliz da vida. e antes que eu me esqueça: vai te fudê! me devolve o dinheiro duma vez e fica na tua.

biógrafo - to rindo aqui. brigando por causa de 85 reais. gostou pelo menos dos dois outros livros?

enilton - aguardo meu dinheiro, só isso...

biógrafo - então gostou! fico feliz por isso. pelo menos alguma recompensa vc teve..
chave nao localizada
vc passou a certa?
é numero de celular ou cpf?

enilton - celular

biógrafo - qual o prefixo? cara, que trabalho que vc tá me dando... manda aí

enilton - (53)

biógrafo - tai. desculpe qualquer coisa. abração

enilton - abrazazo

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4 de março de 2024

enilton - cara, recebi o livro do caetano. gracias! quero comprar o livro do chico. já saiu? qual o valor? qual o prazo de entrega? abrazo

biógrafo - oi enilton! o livro do chico tá na boca do forno - devo entregar no máximo em um mês. 85 com o frete incluído.

enilton - por favor, reserva um pra mim. preciso dar entrada? parte do pagamento antecipado? valor total? ou posso pagar quando o livro sair? mas quero muito o livro do chico. parabéns pelo teu trabalho. teus livros são ótimos.

biógrafo - valor total - porque assim me organizo melhor para a entrega - eu compro da editora.

enilton - até quando posso fazer o pagamento, para reservar um exemplar pra mim?

biógrafo - até quando vc quiser. pagou entra na fila rs

enilton - beleza, hermano. gracias!

biógrafo - eu que agradeço.

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por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
a certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
por me deixar respirar, por me deixar existir
deus lhe pague


da trilha sonora do filme «elis»
canta: elis regina

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«fã de elis é igual a fã do renato russo.
são chatos pra caraio.
só perdem para os fãs do belchior.
vamos lá. primeiro ponto: a voz de elis é inigualável. não reconhecer isso é como reclamar dos chutes do pelé.
mas ela não "lutou contra a ditadura". não lutou contra porra nenhuma. quando protestou contra algo, errou o alvo. e de forma patética.
em 1967, no pré-ai-5, ela saiu às ruas para pedir o fim da.... guitarra elétrica.
ah, mas a elis deu entrevistas chamando os militares de gorilas. sim, mas foi para uma publicação estrangeira. assim que percebeu o perigo, foi correndo cantar nas olimpíadas do exército.
cá entre nós, eu também faria a mesma coisa. não sou candidato a herói.
e elis também não era.
ah, mas ela é intérprete de "o bêbado e a equilibrista". porra, protestar contra a ditadura em 1979, em plena abertura política, não é a mesma coisa que cantar "cálice" em 1973, ou dizer, como nara, em 1966, "que o exército não servia pra nada".
qualquer estudante de história da uniban sabe disso.
então não me venham com papo furado.
elis nunca será nara. e nara nunca será elis.
elis nunca teve a consciência política e cultural de nara.
e nara nunca cantou no nível de elis. e cagava pra isso.
como não avalio os artistas pelo gogó, fico sempre com nara.
chico buarque também.
"salve edu, bituca, nara, gal, bethânia, rita, clara.....»

tom cardoso

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- por que, na letra de «paratodos», faltou citar a eterna elis regina, ainda que você não gostasse dela? adoro você e tenho toda a sua obra, mas esta não entendi.

- quem disse que não gosto da elis? ou da elizeth? ou do ciro monteiro? artistas que admiro, fazendo as contas, há mais do lado de fora que dentro de «paratodos». mas a música foi escrita para todos.

fonte: entrevista de chico buarque aos leitores. disponível no site oficial de chico buarque.

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a vida é a arte do encontro
[embora haja tanto desencontro pela vida]

o primeiro encontro de elis regina com chico buarque ocorreu provavelmente no começo de 1965, quando a cantora selecionava repertório para o seu primeiro lp na philips, samba eu canto assim. um amigo de elis, joão evangelista leão, lhe falou de um amigo seu que tinha músicas interessantes, que ela devia ouvir e certamente escolheria alguma para o disco. elis aceitou e joão combinou com chico para este ir ao apartamento dela. o que joão não contou a elis era da enorme timidez de chico...



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pois é
fica o dito e o redito por não dito
e é difícil dizer que foi bonito
é inútil cantar o que perdi



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depois disso
elis cantou
pelo menos
uma dezena de músicas de chico
entre elas, deus lhe pague

a força dessa interpretação ficou registrada, por exemplo, em 1978, na apresentação do espetáculo «transversal do tempo» no teatro villaret, em lisboa, portugal. ali, ao interpretar a obra de chico, elis entregou mais do que técnica. quem se prestar a analisar com atenção, verá que elis pronuncia algumas palavras no decorrer da música «por entre os dentes», gesto bastante comum nos diálogos cotidianos quando queremos transparecer sentimento de raiva para o nosso interlocutor. esse gesto, somado ao semblante fechado, reforça a ideia de indignação que a letra visa passar, ante o contexto sociopolítico que o brasil vivia nos anos finais da década de 1970.

elis encerrou essa canção repetindo a frase «deus lhe pague» de maneira prolongada, dando um rápido soco no ar, mantendo a mão direita rigidamente fechada e preservando a feição tensa (raivosa) no rosto até o final da canção.

entendedores entenderão

gravado em lisboa, teatro villaret (1978)
produzido pela rtp (rádio e televisão de portugal), 2002

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leitura livre do livro de tom cardoso

a casa de maria de castro, no ipiranga, virou ponto de encontro de jovens subversivos. desobedecendo às ordens do pai para manter-se quieto em são paulo, tarso levou para lá dois estrangeiros conhecidos no gigetto: haroldo, repórter de agência cubana, e ramón, do partido comunista espanhol.

na boêmia paulistana, tarso circulava por todos os bares no intuito de buscar o anonimato. seu favorito era o paribar, onde bebia com paulo francis, refugiado do rio de janeiro. convicto de que sua coluna na última hora fora decisiva para o golpe de 64, francis vivia paranoico, encolhendo-se às mesas enquanto tarso brindava em voz alta a leonel brizola.

a dupla escapou da prisão graças a cláudio abramo, mito do jornalismo paulista. ao entrar no paribar e ver jornalistas perseguidos bebendo sem cautela, abramo deu-lhes uma bronca pela falta de discrição e convidou tarso e francis para se esconderem em sua casa no caxingui. lá, dividiram quarto com o diretor flávio rangel, também procurado pelos militares.

as duas semanas no caxingui marcaram a família abramo. as filhas do casal divertiam-se com as histórias e a sedução de tarso e com a rabugice paranoica de francis — alimentada pelas notícias trazidas por hermano alves e pelas provocações pregadas por rangel.

clandestino e apaixonado por nara leão, tarso teve a prisão preventiva decretada. despediu-se dos amigos e articulou a fuga para o uruguai com o auxílio de miguel kozma, que o guiou pela fronteira em santana do livramento até rivera.

no uruguai, o plano de brizola de liderar uma insurreição popular nos moldes de 30 naufragou com a prisão de oficiais legalistas. para piorar, tarso quase foi linchado em rivera ao ser confundido com um informante homônimo, sendo salvo por kozma.

em montevidéu, tarso reencontrou brizola num hotel em pocitos. o tédio e o pavor de ver policiais brasileiros infiltrados tomaram conta da rotina. quando brizola passou a admitir a organização de guerrilhas com apoio de fidel castro, tarso, avesso a disciplinas partidárias e leituras de manuais militares, decidiu que seu lugar de luta era no rio de janeiro, de preferência ao lado de nara leão.

grill

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além do horizonte deve ter
algum lugar bonito pra viver em paz
onde eu possa encontrar a natureza
alegria e felicidade com certeza

canta: nara leão

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amar e mudar as coisas me interessa mais

volta belchior

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américas