todos estão surdos
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«o ato de ouvir exige humildade de quem ouve. e a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos. mas isso, admitir que o outro vê coisas que nós não vemos, implica reconhecer que somos meio cegos… vemos pouco, vemos torto, vemos errado.»
rubem alves
.
«outro dia, um cabeludo falou:
“não importam os motivos da guerra
a paz ainda é mais importante que eles.”
“não importam os motivos da guerra
a paz ainda é mais importante que eles.”
esta frase vive nos cabelos encaracolados
das cucas maravilhosas
mas se perdeu no labirinto
dos pensamentos poluídos pela falta de amor.»
das cucas maravilhosas
mas se perdeu no labirinto
dos pensamentos poluídos pela falta de amor.»
roberto carlos
.
«amor é tudo que move»
gilberto gil
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se deus quiser
[escrito no auge pandemia]
26 de abril de 2020
por enilton grill
ontem (25 de abril de 2020) ao entardecer juntamos quase toda a família em volta não do fogo mas de um aplicativo que a internet disponibiliza e trocamos ideias como aliás há muito não fazíamos.
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não fosse a internet possivelmente jamais fizéssemos. afinal, a família está espalhada pelo mundo todo. ontem, por exemplo, o repecho estava conectado com pelotas, porto alegre, campeche, brasília, são luís, estados unidos e canadá.
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depois de nos situarmos sobre o que cada um estava fazendo, enveredamos pelos caminhos nebulosos do vírus, vírus que atormenta a todos nós --- quando digo a todos nós, digo ao mundo todo, obviamente.
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pensamos todos (os que participaram dessa charla familiar) muito parecido. todos entendemos que, se há uma chance de o mundo em que vivemos vir a ser o mundo que sonhamos, a chance é agora, pós-pandemia.
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a verdade é que a pandemia nos igualou a todos. estamos todos em risco. risco de perdermos a vida. e foi isso que nos colocou em quarentena, que fez com que parássemos e que invertêssemos o rumo de nossos passos.
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a vida que vivíamos antes do coronavírus era uma espécie de uma crônica da morte anunciada. sabíamos disso, mas não tínhamos força para parar. salvo as exceções, é claro. viva mujica!
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«eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade».
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«a vida escapa e se vai minuto a minuto e não podem ir ao supermercado comprar a vida. então lutem para vivê-la, para dar conteúdo a ela».
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«aprendi que, se você não consegue ser feliz com poucas coisas, não conseguirá ser feliz com muitas coisas.»
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pois bem, estamos todos nessa. estamos todos aprendendo a viver com menos, não dando importância ao que não tem importância e dando importância ao que realmente tem importância. e nada é mais importante para nós do que a nossa vida. ademais, ao preservarmos a nossa vida, preservamos a vida de todos. isso é nobre e nos faz bem.
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até aí, salvo engano meu, concordamos todos.
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a questão que ficou pendente, é sobre a capacidade ou não de mantermos esta chama acesa quando o risco de morte passar.
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eu, pra não ficar em cima do muro, que não é o meu lugar, repito o que disse ontem — na reunião familiar — o que, aliás, já disse aqui — no face — várias vezes: não tenho grandes ilusões com a humanidade.
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contudo, não custa lembrarmos mujica, uma vez mais: «o impossível custa um pouco mais, e derrotados são aqueles que cruelmente cruzam os braços e se entregam». o que absolutamente não é o meu caso. se fosse, não estaria aqui, preenchendo mais uma folha em branco. e amanhã outra e depois de amanhã outra. e assim até o fim...
se deus quiser.
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francisco
dos últimos papas
o mais próximo do ideal cristão
penso eu
foi o papa francisco
o papa morreu! viva o rei!
sinto muito se «decepciono» os meus leitores
mas sempre gostei do rei
aliás
muito antes de gostar de
caetano
chico
gil
milton
vitor
dylan
chico science
&
nação zumbi
eu já gostava de r. c.
grill
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se podes ouvir, escuta. se podes escutar, repara:
em 7 e 8 de agosto de 2021, vitor ramil gravou seu álbum avenida angélica no theatro sete de abril em pelotas, sem plateia e em formato intimista de voz e violão, bem no meio da pandemia de covid-19 e das obras de restauro do prédio.
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«a música "r.c." que vitor compôs numa van, assim que leu o poema, inspira-se no estilo de roberto carlos – em outros tempos faria sucesso nas rádios fm.»
juarez fonseca
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tanta gente se esqueceu
que a verdade não mudou
quando a paz foi ensinada
pouca gente escutou
meu amigo volte logo
venha ensinar meu povo
o amor é importante
vem dizer tudo de novo
canta: chico science & nação zumbi
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pra terminar
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todos estão surdos.
a natureza, contudo
não é muda.
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[a realidade pinta naturezas-mortas]
curta-metragem (3:15)
texto: eduardo galeano. leitura: eric nepomuceno.
música: uakti. assessoria de imprensa: cwea. (2020)
música: uakti. assessoria de imprensa: cwea. (2020)
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«chove na tarde fria de porto alegre
trago sozinho o verde do chimarrão
olho o cotidiano, sei que vou embora
nunca mais, nunca mais»
vitor ramil
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foto: papa francisco sozinho, num dia chuvoso, dando a bênção, «urbi et orbi», para a cidade, para o mundo, na praça são pedro, durante a pandemia.
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#casadosaedos
#américas
