sábado, 15 de agosto de 2026


   todos estão surdos   

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«o ato de ouvir exige humildade de quem ouve. e a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos. mas isso, admitir que o outro vê coisas que nós não vemos, implica reconhecer que somos meio cegos… vemos pouco, vemos torto, vemos errado.»

rubem alves

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«outro dia, um cabeludo falou:
“não importam os motivos da guerra
a paz ainda é mais importante que eles.”
esta frase vive nos cabelos encaracolados
das cucas maravilhosas
mas se perdeu no labirinto
dos pensamentos poluídos pela falta de amor.»

roberto carlos

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«amor é tudo que move»

gilberto gil

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se deus quiser
[escrito no auge pandemia]
26 de abril de 2020

por enilton grill

ontem (25 de abril de 2020) ao entardecer juntamos quase toda a família em volta não do fogo mas de um aplicativo que a internet disponibiliza e trocamos ideias como aliás há muito não fazíamos.
não fosse a internet possivelmente jamais fizéssemos. afinal, a família está espalhada pelo mundo todo. ontem, por exemplo, o repecho estava conectado com pelotas, porto alegre, campeche, brasília, são luís, estados unidos e canadá.
depois de nos situarmos sobre o que cada um estava fazendo, enveredamos pelos caminhos nebulosos do vírus, vírus que atormenta a todos nós --- quando digo a todos nós, digo ao mundo todo, obviamente.
pensamos todos (os que participaram dessa charla familiar) muito parecido. todos entendemos que, se há uma chance de o mundo em que vivemos vir a ser o mundo que sonhamos, a chance é agora, pós-pandemia.
a verdade é que a pandemia nos igualou a todos. estamos todos em risco. risco de perdermos a vida. e foi isso que nos colocou em quarentena, que fez com que parássemos e que invertêssemos o rumo de nossos passos.
a vida que vivíamos antes do coronavírus era uma espécie de uma crônica da morte anunciada. sabíamos disso, mas não tínhamos força para parar. salvo as exceções, é claro. viva mujica!
«eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade».
«a vida escapa e se vai minuto a minuto e não podem ir ao supermercado comprar a vida. então lutem para vivê-la, para dar conteúdo a ela».
«aprendi que, se você não consegue ser feliz com poucas coisas, não conseguirá ser feliz com muitas coisas.»
pois bem, estamos todos nessa. estamos todos aprendendo a viver com menos, não dando importância ao que não tem importância e dando importância ao que realmente tem importância. e nada é mais importante para nós do que a nossa vida. ademais, ao preservarmos a nossa vida, preservamos a vida de todos. isso é nobre e nos faz bem.
até aí, salvo engano meu, concordamos todos.
a questão que ficou pendente, é sobre a capacidade ou não de mantermos esta chama acesa quando o risco de morte passar.
eu, pra não ficar em cima do muro, que não é o meu lugar, repito o que disse ontem — na reunião familiar — o que, aliás, já disse aqui — no face — várias vezes: não tenho grandes ilusões com a humanidade.
contudo, não custa lembrarmos mujica, uma vez mais: «o impossível custa um pouco mais, e derrotados são aqueles que cruelmente cruzam os braços e se entregam». o que absolutamente não é o meu caso. se fosse, não estaria aqui, preenchendo mais uma folha em branco. e amanhã outra e depois de amanhã outra. e assim até o fim...

se deus quiser.

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francisco

dos últimos papas
o mais próximo do ideal cristão
penso eu
foi o papa francisco

o papa morreu! viva o rei!

sinto muito se «decepciono» os meus leitores
mas sempre gostei do rei
aliás
muito antes de gostar de
caetano
chico
gil
milton
vitor
dylan
chico science
&
nação zumbi
eu já gostava de r. c.

grill

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se podes ouvir, escuta. se podes escutar, repara:

em 7 e 8 de agosto de 2021, vitor ramil gravou seu álbum avenida angélica no theatro sete de abril em pelotas, sem plateia e em formato intimista de voz e violão, bem no meio da pandemia de covid-19 e das obras de restauro do prédio.

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«a música "r.c." que vitor compôs numa van, assim que leu o poema, inspira-se no estilo de roberto carlos – em outros tempos faria sucesso nas rádios fm.»

juarez fonseca

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tanta gente se esqueceu
que a verdade não mudou
quando a paz foi ensinada
pouca gente escutou
meu amigo volte logo
venha ensinar meu povo
o amor é importante
vem dizer tudo de novo

canta: chico science & nação zumbi

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pra terminar

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todos estão surdos.
a natureza, contudo
não é muda.

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[a realidade pinta naturezas-mortas]
curta-metragem (3:15)
texto: eduardo galeano. leitura: eric nepomuceno.
música: uakti. assessoria de imprensa: cwea. (2020)

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«chove na tarde fria de porto alegre
trago sozinho o verde do chimarrão
olho o cotidiano, sei que vou embora
nunca mais, nunca mais»

vitor ramil

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foto: papa francisco sozinho, num dia chuvoso, dando a bênção, «urbi et orbi», para a cidade, para o mundo, na praça são pedro, durante a pandemia.

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#casadosaedos
#américas