segunda-feira, 13 de julho de 2026



pablo neruda
12 de julho de 1904
23 de setembro de 1973

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«a poesia é uma insurreição»

pablo neruda

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«são muito poucos os que ainda querem ser rebeldes»

celso borges

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a poesia não terá cantado em vão 

faz hoje cem anos precisamente que um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos desesperados, escrreveu esta profecia: a l'aaurore, armés d'une ardiente patience, nous entrerons aux splendides villes (ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades.)

eu creio nessa profecia de rimbaud, o vidente. venho de uma obscura província, de um país separado de todos os outros pela cortante geografia. fui o mais abandonado dos poetas e minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. contudo, sempre tive confiança no homem. jamais perdi a esperança. por isso talvez tenha chegado até aqui com minha poesia, e também com minha bandeira. 

em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o porvir foi expressado nessa frase de rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.

assim a poesia não terá cantado em vão.

pablo neruda

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américas 

no dia 18 de julho de 2004, ia ao ar pela rádio com 104.5 fm o programa américas «centenário de pablo neruda». o programa teve quase duas horas de duração e guardo esse registro até hoje em meus arquivos físicos. abaixo, transcrevo um resumo desse material.

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centenário de pablo neruda 

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poema para pablo neruda 

pablo nosso, que estás em teu chile,
vento no vento.
voz cósmica de um antigo caracol.
nós te dizemos:
obrigado pela ternura que nos deste.
pelas andorinhas que voam com teus versos.
de barco a barco. de galho a galho.
de silêncio a silêncio.
o amor dos homens repete teus poemas.
em cada calabouço da américa,
um rapaz se lembra de teus poemas.
pablo nosso, que estás em teu chile.
toda a paisagem guarda teu sonho de gigante.
a umidade da planta e da rocha,
lá no sul.
a areia desintegrada, no meio das vicunhas,
no deserto.
e lá em cima, o salitre, as gaivotas e o mar.
pablo nosso, que estás em teu chile,
obrigado pela ternura que nos deste.

https://www.youtube.com/watch?v=KnmTk7JljxE&list=RDKnmTk7JljxE&start_radio=1
atahualpa yupanqui

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em 1969, quatro anos antes de morrer, pablo neruda escreve: « de parral não tenho recordações de infância. me levaram quase recém nascido a frontera. um jornalista conta que muito procurou o local onde nasci, sem encontrá-lo. eu tampouco o sei. agora, aos 65 anos, parral me recebe com carinho, porém sem me conhecer o bastante, já que minha vida transcorreu em outras geografias. mas ali está a sepultura de minha mãe e de toda minha família.»

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todos tenemos parientes, tenemos
todos por algo lloramos, lloramos
somos de una vida corta, sabemos
todos siempre nos buscamos

como explicarnos el viento
que nos pega en este invierno
como explicarnos la muerte
que llega y es un recuerdo

como somos | piero 1969
(con letra completa)

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«minhas principais recordações são de temuco, ao sul do chile. minha poesia ficou impregnada dessa paisagem. o mar, as montanhas e os rios daquela região me ficaram na alma, emaranhados. e continua a chover dentro de mim, como há exatos 65 anos em temuco quando eu ouvia calambitos temucanos.» 

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https://www.youtube.com/watch?v=K8uzmvh9Ud4&list=RDK8uzmvh9Ud4&start_radio=1
calambito temucano | violeta parra (1962)
por inti illimanni

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«mas para mim o sítio dos sonhos era puerto saavedra com a imensa desembocadura do rio cautín, o oceano de ondas como montanhas, as docas cobertas de areia que eu não conhecia. tive ali diante dos olhos os primeiros pinguins e os primeiros cisnes selvagens.»

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susurraré mi historia a un trovador errante
sombra en busca de almas
para que la reparta junto a los fuegos
ocasionales tibios que depara el camino
a todos quienes sueñan con un cisne
salvaje

https://www.youtube.com/watch?v=rCtw4XEp_00&list=RDrCtw4XEp_00&start_radio=1
canción del trovador errante | silvio rodríguez (1994)

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«puerto saavedra tinha também um bruxo de cabelo e barba branca. era o poeta d. augusto winter. ele vinha do norte. d. augusto era o bibliotecário da melhor biblioteca que eu já conheci: a biblioteca da minha infância. era pequenina, porém abarrotada de julio verne e salgari. eu menino de calça curta me instalava ali como se me tivessem condenado a ler em três meses de verão todos os livros escritos durante os longos invernos do mundo.»

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es día de frío y llegas a casa.
vienes de la tarde cansada de un jueves.
los muebles, tu perro y millones de ojos
están, como siempre, esperando tu vuelta,
en la que presientes que nada ha cambiado.
te espera lo mismo, el sueño ha pasado.

https://www.youtube.com/watch?v=IWeczEdKZB0&list=RDIWeczEdKZB0&start_radio=1
canción de invierno | silvio rodríguez (1969)
(com letra completa)

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«ali também me surpreenderam e apaixonaram os olhos negros e repentinos de maria parodi. trocamos bilhetes que eram verdadeiras cartas de amor bem dobrados para que desaparecessem em nossas mãos. mais tarde escrevi para ela o número 19 de meus 20 poemas de amor.»

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poema 19

menina morena e ágil, o sol que coalha
os trigos, que dá os frutos e que torce as algas,
fez teu corpo alegre, teus olhos luminosos
e tua boca que tem o sorriso da água.

um sol negro e ansioso te enrola nos raios
de negras madeixas, quando esticas os braços.
tu brincas com o sol como com o estuário
e ele te põe nos olhos escuros remansos.

menina morena e ágil, nada em ti acerca.
tudo de ti me afasta, como do meio dia.
és a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, e a força da espiga.

meu coração sombrio te busca, sem demora,
e amo teu corpo alegre, a voz solta e delgada.
mariposa morena, doce e inalterável,
como o trigal e o sol, a papoula e a água.

pablo neruda

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«agora, aos 65 anos, me dou conta que estive relatando coisas sem importância. aqueles porões e aqueles livros e aqueles olhos negros levou-os talvez o vento.»

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a veces entra en el bosque un silbido veloz
que recorre fugaz la penumbra y la luz.
y los árboles fríos del bosque soy yo.

todas las copas se postran a fin de existir.
de no hacerlo, deshechas habrían de morir.
y ese viento que trae la muerte eres tú.

eres la llama que abrasa la flor
y la violencia del fiero huracán,
la sombra oscura que sigue mi amor.

¿por qué, por qué tú sigues ―di―
matando este amor que hoy dejas?

https://www.youtube.com/watch?v=DKMxIXXaIBA&list=RDDKMxIXXaIBA&start_radio=1
el viento eres tú | silvio rodríguez (1965)

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ponto

nova linha

nova linha

outra história

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pelotas, 13 de julho de 2026

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«mi casa es su casa»

anônimo

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«passei quase todo o ano de 1969 em isla negra. desde cedo o mar começa a se avolumar de forma fantástica. parece estar amassando um pão infinito. é branca como farinha a espuma derramada, impulsionada pelo fermento frio da profundidade.

o inverno é estático e brumoso. ao seu encanto acrescentamos todo dia o fogo da lareira. a brancura das areias na praia nos oferece sempre um mundo solitário, como era antes de existirem habitantes ou veranistas na terra.

no inverno as casas de isla negra vivem envoltas pela escuridão da noite. somente a minha se acende. às vezes penso que há alguém na casa defronte. vejo uma janela iluminada. é só um reflexo. não tem ninguém na casa do outro lado da rua. é a luz da minha janela que se reflete na sua.»

pablo neruda

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«sempre me perguntam, especialmente os jornalistas, que obra estou escrevendo, que coisa estou fazendo. esta pergunta sempre me surpreendeu pela superficialidade. porque a verdade é que sempre estou fazendo a mesma coisa. nunca deixei de fazer a mesma coisa. poesia?

só soube muito depois que o que eu escrevia se chamava poesia»

(idem)

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«en la distancia del silencio aprendí a soñarte mujer ausente»

autor desconhecido

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poema 15

gosto quando te calas e estás como ausente,
e me ouves de longe, e minha voz não te toca.
é como se teus olhos voassem de ti
e como se um beijo fechasse tua boca.

como tudo está repleto da minha alma
emerges das coisas, repleta da minha alma
mariposa de sonho, pareces minha alma
e pareces a palavra melancolia.

gosto quando te calas e ficas distante e
como te queixando, mariposa em arrulho.
e me ouves de longe e minha voz não te alcança:
deixa que eu me cale com o teu silêncio.

deixa que te fale também com teu silêncio
claro como a lâmpada, simples como o anel.
és tal qual a noite, calada e constelada.
teu silêncio é de estrela, remoto e singelo.

gosto quando te calas pois ficas como ausente.
distante e triste como se estivesses morta.
uma palavra então e só um sorriso bastam.
e fico alegre, alegre por não ser real.

pablo neruda

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https://www.youtube.com/watch?v=RIqo1amFu_w&list=RDRIqo1amFu_w&start_radio=1
me gusta cuando te callas | paco ibánez/pablo neruda (1977)

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#américas

#pabloneruda