ao vento
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«a mãe falou: meu filho você vai ser poeta!
você vai carregar água na peneira a vida toda.
você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!»
manoel de barros
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«à minha maneira, estou sempre compondo. emendo uma coisa na outra e acaba dando certo. eu pego uma canção e deixo ir rolando, devagarinho, ruminando, ruminando.»
dorival caymmi
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ruminando
com as palavras
sou como os ruminantes
rumino
rumino
e nunca termino
cadê a palavra que tava aqui
o vento levou
cadê o vento
grill
com as palavras
sou como os ruminantes
rumino
rumino
e nunca termino
cadê a palavra que tava aqui
o vento levou
cadê o vento
grill
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vamos chamar o vento
vamos chamar o vento
vento que dá na vela
vela que leva o barco
barco que leva a gente
dorival caymmi - o vento - heineken concerts - 1996
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vento que guarda a tarde
(uma tarde sem pressa)
2002.
eu trabalhava há cinco anos no cfc. ainda não estava no auge, mas já havia conquistado a confiança da direção. foi nessa condição que pedi liberação para passar dez dias na cidade maravilhosa.
mal sabia eu que estava a três anos do meu auge como instrutor de trânsito e a quatro da minha aula de despedida e queda na vida.
antes disso, em 1996, um ano antes do cfc abrir, eu havia varado a noite numa churrascaria de porto alegre convidado pela lendária mercedes sosa.
essa história, todavia, conto outro dia.
de volta a 2002.
no início daquele ano, pedro munhoz me enviou um e-mail pedindo que eu entrasse em contato com daniel viglietti para intermediar sua participação na semana nacional da cultura brasileira e da reforma agrária, no rio de janeiro.
mal sabia eu que estava a três anos do meu auge como instrutor de trânsito e a quatro da minha aula de despedida e queda na vida.
antes disso, em 1996, um ano antes do cfc abrir, eu havia varado a noite numa churrascaria de porto alegre convidado pela lendária mercedes sosa.
essa história, todavia, conto outro dia.
de volta a 2002.
no início daquele ano, pedro munhoz me enviou um e-mail pedindo que eu entrasse em contato com daniel viglietti para intermediar sua participação na semana nacional da cultura brasileira e da reforma agrária, no rio de janeiro.
eu já sabia que daniel diria sim.
um ano antes eu o tinha entrevistado e uma das perguntas que fiz foi o que faltava a ele fazer que ainda não tinha feito. ele respondeu que queria muito fazer alguma coisa (qualquer coisa) com os sem-terra.
o autor de a desalambrar só fez uma exigência: a de que eu fosse junto.
mesmo indo de ônibus, cheguei antes do uruguaio, que foi de avião. fui recebê-lo no aeroporto do galeão e lá mesmo tentamos um contato com chico. chico buarque. daniel deu a ideia de convidá-lo para participar da semana. teríamos conseguido não estivesse chico na itália. não faz mal...
um ano antes eu o tinha entrevistado e uma das perguntas que fiz foi o que faltava a ele fazer que ainda não tinha feito. ele respondeu que queria muito fazer alguma coisa (qualquer coisa) com os sem-terra.
o autor de a desalambrar só fez uma exigência: a de que eu fosse junto.
mesmo indo de ônibus, cheguei antes do uruguaio, que foi de avião. fui recebê-lo no aeroporto do galeão e lá mesmo tentamos um contato com chico. chico buarque. daniel deu a ideia de convidá-lo para participar da semana. teríamos conseguido não estivesse chico na itália. não faz mal...
não tinha chico, mas tinha dorival.
no dia seguinte, daniel e eu nos encontramos nos corredores da uerj e assistimos juntos aos debates e palestras. depois, à noite, na concha acústica, eu apontei para juliana caymmi, neta de dorival. eu não a conhecia, e daniel queria conhecê-la. alguém teria que fazer as honras. foi o que fiz.
depois do show, numa pequeníssima sala improvisada de camarim (e cheia de gente), eu me aproximei da neta de dorival, apontei para daniel e disse quem ele era. desnecessário. ela já o conhecia. seu avô alguma vez já tinha falado no nome dele, e o marido dela sabia mais sobre daniel do que provavelmente eu mesmo.
depois do show, numa pequeníssima sala improvisada de camarim (e cheia de gente), eu me aproximei da neta de dorival, apontei para daniel e disse quem ele era. desnecessário. ela já o conhecia. seu avô alguma vez já tinha falado no nome dele, e o marido dela sabia mais sobre daniel do que provavelmente eu mesmo.
ao nos despedirmos, daniel deu um cd seu autografado para que ela entregasse a seu avô.
no dia seguinte, quando nos cruzamos com juliana, ela vinha com um cd de dorival autografado para daniel. nos olhamos surpresos. quando penso em dorival, penso na bahia. ele estava no rio, em copacabana.
daniel agradeceu o cd, conversamos um pouco e nos despedimos. juliana ainda estava por perto quando daniel me puxou para um canto e pediu que eu tentasse, com ela, um encontro dele com o avô dela. foi o que fiz.
ela argumentou que teria que falar com a sua avó, pois o seu avô estava passando por alguns problemas de saúde...
o encontro foi marcado com duas condições:
o encontro foi marcado com duas condições:
uma, a de que fosse um encontro rápido, bastante rápido, não mais que meia hora. nada mais, nem nada de mais; afinal, dorival convalescia. a outra condição não foi uma condição, foi uma pergunta. daniel perguntou se eu poderia ir junto. sim, claro que sim.
dessas coisas que não dá para explicar. passou uma hora. mais meia hora. e mais outra hora. perdemos a hora. já era quase noite quando fomos embora.
hoje é tudo muito rápido. parece que foi ontem. mas não. olhando as fotos, eu não sou mais o que era e não há mais dorival. nem daniel. que pena. todo mundo tem pressa. eu tenho saudade. aquela tarde passou depressa. e eu nunca mais tive outra igual.
ave, daniel! saravá, dorival!
dessas coisas que não dá para explicar. passou uma hora. mais meia hora. e mais outra hora. perdemos a hora. já era quase noite quando fomos embora.
hoje é tudo muito rápido. parece que foi ontem. mas não. olhando as fotos, eu não sou mais o que era e não há mais dorival. nem daniel. que pena. todo mundo tem pressa. eu tenho saudade. aquela tarde passou depressa. e eu nunca mais tive outra igual.
ave, daniel! saravá, dorival!
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«eu guardo em mim
dois corações»
dorival caymmi
dois corações»
dorival caymmi
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«a verdade é o todo»
hegel
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«os amores que guardo são tantos, tantos, tantos, por eles eu canto.»
hegel
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«os amores que guardo são tantos, tantos, tantos, por eles eu canto.»
daniel viglietti
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o fim não tem fim
nem teve início o começo
eu vivo sempre a caminho
assim luto, desejo e penso
por ellos canto | daniel viglietti (1984)
[do cd: trabajo de hormiga]
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foto: dorival caymmi e eu
local: copacabana, rj (2002)
autor: daniel viglietti
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foto: daniel viglietti e eu
local: pelotas, rs (2009)
autor: vilmar tavares
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#américas
