a vida é uma loteria
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«fora de campo, messi é um cidadão bem pequeno, bem minúsculo.
não se manifesta contra o racismo e vai lá beijar as botas do trump.»
milly lacombe
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«são muito poucos os que ainda querem ser rebeldes»
celso borges
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diego
para sempre rebelde
rebelde para sempre
ave, diego
ave
grill
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maradona
por eduardo galeano
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jogava melhor do que ninguém, apesar da cocaína, e não por causa dela. estava esgotado pelo peso de sua própria personagem. tinha problemas na coluna vertebral, desde o longínquo dia em que a multidão havia gritado seu nome pela primeira vez. maradona carregava uma carga chamada maradona, que fazia sua coluna estalar. o corpo como metáfora: suas pernas doíam, não podia dormir sem comprimidos. não tinha demorado a perceber que era insuportável a responsabilidade de trabalhar como deus nos estádios, mas desde o princípio soube que era impossível deixar de fazê-lo. «necessito que me necessitem...»
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mais devastadora do que a cocaína é a «exitoína».
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... era fácil condená-lo, mas não era tão fácil esquecer que maradona vinha cometendo há anos o pecado de ser o melhor, o delito de denunciar de viva voz as coisas que o poder manda calar e o crime de jogar com a canhota, que segundo o dicionário significa «com a esquerda» e também significa «o contrário de como se deve fazer».
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em 86 e em 94, no méxico e nos estados unidos, denunciou a ditadura onipotente da televisão, que obrigava os jogadores a extenuar-se ao meio-dia, esturricando-se ao sol, e em mil e uma ocasiões, ao longo de toda a sua acidentada carreira, maradona disse coisas que mexeram em casa de marimbondos.
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quando maradona foi, finalmente, expulso do mundial de 94, os campos de futebol perderam seu rebelde mais clamoroso...
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(eduardo galeano, trechos - em: futebol ao sol e à sombra)
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«recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração»
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se eu fosse maradona viveria como ele
(porque a vida é uma loteria que se vive à flor da pele)
houve uma vez que saí de santa vitória rumo ao beira rio e percorri 500 km sozinho num ônibus de excursão só pra ver o inter de falcão. tinha oito anos e pra mim não houve outro inter como o inter de falcão (nem o de fernandão).
o tempo passa e hoje o futebol pra mim perdeu a graça.
mas é bom às vezes re-cordar, ou seja, voltar a passar pelo coração. mesmo porque a memória parece funcionar a nossa revelia, como se tivesse vida própria.
a vida é vivida e o jogo jogado. não sei o que é certo nem o que é errado. não sou guiado pela razão nem por resultado. como dizia o poeta, «comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração». o que não quer dizer nada. cada um que viva como quiser. ou como puder.
se eu fosse maradona viveria como ele.
e quem disse que não? foi com maradona que aprendi a ser tolerante e radical. corajoso e covarde. alegre e triste. com ele aprendi a perder e a ganhar. lembrei de lembrar, pois maradona já me fez sorrir e já me fez chorar.
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a vida é uma loteria
de noite e de dia
la vida es una tombola
y arriba y arriba
la vida tómbola | manu chao (2007)
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#américas
