terça-feira, 16 de junho de 2026


como dizia o poeta...

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das coisas que eu costumava dizer — com as minhas próprias palavras — quando o repecho era uma comuna: «nos divorciamos pelos mesmos motivos que nos casamos, romantismo não sustenta relação»

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ivan capelatto, em um trecho da sua participação do «café filosófico», fala sobre as angustias e dificuldades de se manter as relações. confira abaixo a transcrição do trecho.

«nós fazemos escolhas. a angústia nos obriga, a cada dia, a fazermos escolhas. o escritor gabriel garcía márquez disse que todo dia temos que nascer. isso porque todo dia há uma angústia do passado que não foi resolvida, assim como há uma angústia nova (novos problemas) que sabemos que não iremos resolver. um analista nos faz aprendermos a suportar as angústias e não a as resolver.

se as coisas fossem invertidas em nossa cultura, falaríamos sobre isto nas escolas: o encanto do casamento é quebrado quando o narcisismo e a onipotência acabam. por exemplo, uma esposa não consegue fazer o marido parar de beber, porém, quem bebia não era seu marido, e, sim, seu namorado. mas a escolha de se casar com ele, estando inclusos em seu pacote fumar, beber, jogar etc., foi dela. durante o namoro, ela achava esses atos legais, no entanto, no casamento, ela já não os aguenta mais.

entre o narcisismo e o real, as coisas precisam ser ditas com sinceridade. os escritores românticos foram sujeitos extremamente solitários que usaram o romance "sublimatóriamente". nenhum deles escreveu um romance com a esposa ao lado; se isso tivesse acontecido, ela, provavelmente, teria interrompido seu processo de escrita para que ele fosse ficar com os filhos, por exemplo. os românticos, então, não podem ter filhos, esposa nem vínculo com ninguém.

podemos ser românticos. contudo, o romântico é um sujeito que tem que ficar fazendo escolhas o tempo todo e livrar-se delas rapidamente. o psicanalista freud chamava de instinto de morte não permanecer com uma escolha. por exemplo, quando alguém consegue algo que escolheu, no auge de seu ganho, o dispensa para que não haja desprazer nem angústia. isto é uma doença grave: as neuroses de angústia.

nos casamentos, é proferido «até que a morte os separe». que morte é essa? a morte do narcisismo. é possível haver sobrevivência no casamento? sim. e a mágica para que isso ocorra é ter consciência de que o outro é só um sujeito humano que vive pendurado na angústia, angústia essa que se manifesta pelo medo da morte do filho, de ladrões, da fome, da pobreza etc. no entanto, na pessoa narcísica não há nada disso, pois esta não sente nem fome, por exemplo, quando está apaixonada. então, adaptemos a frase transcrita acima para "até que a morte do narcisismo os separe e vocês não sejam capazes de se transportarem para a realidade".»

transcrição feita e adaptada pelo «provocações filosóficas» do trecho da palestra: café filosófico – o casamento como fato afetivo com ivan capelatto

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a rosa e o espinho

o mundo como ele é não é meu forte
por isso criei pra mim o meu próprio mundo
um mundo que se amparou em duas muletas
a muleta do álcool e a do casamento
troquei a primeira pela segunda
e a segunda por uma terceira
isto é
daqui em diante
é eu comigo mesmo
tentando me equilibrar
no mundo como ele é

grill

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eu bato o portão sem fazer alarde
eu levo a carteira de identidade
uma saideira, muita saudade
e a leve impressão de que já vou tarde

trocando em miúdos | chico buarque (1978)
[do dvd: romance]

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fotos: são luís (ma) e alto paraíso (go), 2008

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#américas